Quando Ney Franco foi escolhido para assumir a seleção sub-20 e a recém-criada coordenação das categorias de base na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), uma sinalização foi dada: o trabalho de formação do futebol brasileiro passaria por uma mudança estrutural e de filosofia.
A partir do novo conjunto de trabalho criado, estabeleceu-se que o desenvolvimento entre as comissões técnicas e o grupo de jovens que atua no departamento de futebol profissional dos seus respectivos clubes seria conduzido por um período mais consistente. E Ney apostou em dois representantes conceituados na área para organizar as equipes nacionais sub-15 e sub-17.
Emerson Ávila, com larga experiência no processo de formação de atletas, trabalhava nas categorias de base do Cruzeiro e deixou o cargo para assumir o elenco juvenil. Já a direção do infantil ficou a cargo de Marquinhos Santos.
O treinador seguirá com os selecionáveis até que eles sejam eventualmente promovidos para o sub-17. E o mesmo processo ocorrerá com Ávila, atualmente à frente dos talentos nascidos entre 93 e 94 - posteriormente, ele passará a treinar a categoria anterior. Diante desse novo plano executivo, os jogadores devem criar uma identidade atuando com o mesmo comandante por um período de quatro anos até chegar ao patamar mais elevado.
"Com todos caminhando na mesma direção, a possibilidade de se fazer um resultado é maior. Que os adversários sejam somente os outros e que nós busquemos os melhores objetivos. Vamos iniciar uma fase decisiva e todos sabem o que viemos buscar aqui", discursou Mano Menezes, comandante da seleção principal, integrado em todo o processo.
Graduado em Educação Física e especialista em Treinamento Desportivo, Marquinhos Santos desembarcou no futebol paranaense em 2004, proveniente de uma escolinha da modalidade ligada ao Atlético-PR. Na agremiação rubro-negra, pródiga no aporte à base, trabalhou em quase todas as categorias.
No time sub-20 atleticano, Marquinhos foi vice-campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2009, quando recebeu o convite do principal rival de seu então empregador: tornou-se o treinador do sub-20, referenciado pelo coordenador do departamento de formação coxa-branca, Mário André Mazzuco.
"O Marquinhos, hoje, é o melhor treinador de categorias de base do País. Precisávamos de alguém com perfil inovador, que ajudasse na integração técnica entre a base e o profissional. Ele tem um trabalho de formação e assistência dentro e fora de campo", explicou, à ocasião, Mazzuco.
Os resultados práticos não demoraram. Na metade do ano passado, o time júnior do Coritiba conquistou a Taça BH, superando justamente o Atlético-PR na decisão. Nos meses finais de 2010, o convite para trabalhar novamente com Ney Franco, campeão paranaense e da Série B do Campeonato Brasileiro pela equipe alviverde, agora na seleção brasileira. Mas Marquinhos também seguiu vinculado ao Alto da Glória.
"São dois projetos diferentes, porém dentro de um mesmo processo que é a formação, e por conta disto estarei servindo a seleção nos períodos de preparações ou competições internacionais e fico monitorando e coletando observações e informações sobre atletas do Brasil inteiro na categoria sub-15. Paralelamente ao trabalho na CBF, permaneço como treinador do sub-20 e do sub-23 do Coritiba, dando continuidade ao processo de término de formação de atletas do clube", explicou o treinador, nesta entrevista à Universidade do Futebol.
Entre outros temas, Marquinhos falou sobre o processo de detecção e desenvolvimento de talento do jogador de futebol no Brasil, sua relação com Marcelo Oliveira, substituto de Ney Franco no Coritiba e o método tecnicista arraigado nos clubes.
"Pelo processo de evolução no futebol que se tem nos dias de hoje, é importante implementar situações táticas de treinamentos, mas objetivando principalmente na atividade o exercício e o aperfeiçoamento técnico, claro, respeitando a individualidade biológica, os conceitos e os conteúdos para cada categoria ou idade a serem aplicados", apontou.