A relação do treinador Adilson Batista com o Santos foi bem curta. Em quase dois meses de trabalho, foram disputados 11 jogos oficiais, com cinco vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. As recentes atuações da equipe, entretanto, fizeram com que o comandante não resistisse à pressão da direção e fosse demitido. Com eles, alguns profissionais do staff principal que o acompanhavam deram um adeus precoce à Vila Belmiro. Foi o caso de José Mário Campeiz.
O preparador físico que atua em departamentos de futebol desde o início dos anos 1990 mantém uma proximidade com Batista desde a década seguinte, quando trabalharam juntos no Mogi Mirim, o primeiro clube a ser dirigido por aquele técnico. No processo de transição santista, a comissão técnica permanente, que conta Fernando Fernadez, Marco Alejandro e o coordenador Ricardo Rosa, mantém a condução do planejamento estratégico para a atual temporada.
Formado em Educação Física e em Pedagogia, Zé Mário, como é tratado no ambiente futebolístico, fez pós-graduação em Ciências do Treinamento Esportivo, com mestrado em Ciências do Esporte - todos os cursos pela Unicamp, um dos berços dos estudos acadêmicos ligados à área. Além disso, especializou-se em Bases Neuromecânicas do Movimento Humano, pelo CEUCLAR (Centro Universitário Claretiano), de Batatais-SP, e em Bases Cientificas e Performance do Treinamento Desportivo, pela FAFICLA (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Arapongas).
Antes do Mogi Mirim, ele passou por outras agremiações do interior do Estado de São Paulo. Depois disso, esteve um período no Figueirense, experimentou a vida fora do país e desembarcou no Cruzeiro, local onde conquistou os Campeonatos Mineiros de 2008 e 2009 e o Torneio de Verão no Uruguai 2009, além de um vice da Copa Libertadores da América. Com residência fixa em Florianópolis, Zé Mário aguarda um novo convite, respeitando, obviamente, a parceria selada com Adilson Batista.
"São quase cinco anos juntos de uma "sociedade" que se iniciou no Mogi Mirim. Acho importante a parceria entre técnicos e preparadores físicos, com muitos fatores positivos. Posso destacar o conhecimento dos meios e métodos de treinamento aplicados pelos técnicos. Isto pode ser relacionado com o controle dos treinamentos, evitando os excessos na carga e diminuindo o nível de lesões", elencou o preparador físico.
Nesta entrevista à Universidade do Futebol, Zé Mário falou a sua participação na montagem de treinamentos, o desenvolvimento de suas ações no Japão, e seu entendimento sobre microciclos e periodização das atividades físicas.
"Os atletas de alto nível só melhoram o seu desempenho quando conseguimos reproduzir as situações que ocorrem na competição, no treino. Os jogos em campo reduzido são exemplos de onde podemos desenvolver todos os aspectos (o físico, o técnico, o tático e o psicológico)", sinalizou.
"Não sei se este conceito está sendo bem compreendido, mas vejo que existe uma nova geração de treinadores preocupados com os exercícios ministrados aos atletas, usando os diferentes tipos de jogos como métodos de treino", completou Zé Mário.