Entrevistas
15/04/2011
Sérgio Odilon, treinador da equipe sub-15 do Corinthians
Após trabalho triunfal no Vitória, ex-jogador compõe departamento de formação do clube paulistano
Bruno Camarão

Sérgio Odilon tem as raízes fincadas no Rio Grande do Sul, mas seu coração pulsa também pelo Nordeste. Nascido em Canoas, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, foi um jogador de brilho ponderado, apesar dos títulos por Fortaleza, Caxias e Internacional, além de convocação para seleções gaúchas, nos anos de 1980. Em Salvador, vestiu a camisa do Vitória. Mas foi atuando nas categorias de base do clube, em outra função, porém, que se firmou. E brilhou, de fato.

"Gosto muito daquilo que faço. Faço com prazer. E se não gostasse, não estaria aqui ocupando o lugar de outro profissional com as mesmas competências", sintetizou, em entrevista concedida à Universidade do Futebol.

Hoje, Sérgio treina a equipe sub-15 do Corinthians, em um departamento que conta com Agnello Gonçalves, coordenador técnico proveniente do Avaí, onde realizou grande projeto, e de Rodrigo Leitão, que já começa a colher frutos no sub-17. Além deles, o clube manteve José Augusto, técnico do sub-19, e efetivou o ex-jogador Marcelinho Paulista como gerente técnico.

"Pelo fato de o atleta estar jogando no Corinthians, um clube gigante, com uma torcida imensa, procuro conciliar a formação com a busca de conquista. O jovem irá subir de uma categoria a outra sendo cobrado por seus quesitos técnicos, mas também pelas vitórias e títulos. Precisamos disso", justificou Odilon.

E vencer compõe a trajetória desse profissional. Bicampeão pernambucano (1999-2000) da categoria infantil com o Unibol, quebrou uma hegemonia do trio Náutico-Santa-Sport. Lá, teve a experiência de trabalhar com Hernanes, meio-campista da Lazio, quando este dava seus primeiros passos na transição do futsal para o campo.

Além disso, foi campeão baiano da segunda divisão, categoria sub-20, com o Real Salvador. Na sequência, fez história com outra agremiação de tradição menor: vice-campeão baiano sub-20 com o Fluminense de Feira de Santana, eliminando o Bahia em uma das quartas de final.

Até que surgiu o convite para regressar ao Vitória, onde já havia se sagrado bicampeão estadual como atleta (1989-1990). Na composição de uma das principais filosofias de formação do país, Odilon implementou suas características e levantou os troféus do Baiano sub-15 e da tradicional Copa Brasil, disputada em Londrina, no ano passado.

"Quando o Marcelinho me ligou e fez o convite para eu assumir o sub-15 do Corinthians, pedi demissão na hora no Vitória. Não costumo me esconder, mesmo tendo um emprego seguro. O risco valia à pena. A situação pode até mudar depois de amanhã, mas não poderia deixar passar a oportunidade", avaliou o treinador, orgulhoso pelo fato de um clube paulista procurar um profissional no Nordeste, e com paixão por novos desafios.

Entre outros temas, Odilon falou mais sobre sua metodologia de trabalho, as atividades específicas que costuma realizar com atletas após os treinos e seu comportamento diante de jovens que sonham se firmar na carreira.

"Nunca podemos deixar de dimensionar a realidade. Há uma relação de trabalho, responsável, simultânea à amizade criada. Na base fica a lembrança de seu início de trajetória. O atleta não esquece. Ele leva aquilo para a vida toda".



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