"O resultado foi justo. A vitória do São Paulo poderia ter sido mais elástica se não fosse o Renan". A frase de Silas, treinador da equipe principal do Avaí, tem um contexto e uma referência importantes. Ele se referiu à atuação destacada do jovem goleiro Renan, cria das categorias de base do clube catarinense e responsável por diversas intervenções no duelo contra a equipe paulista, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Apesar de não ter evitado o revés por 1 a 0 no jogo de ida da fase avançada do torneio, o jogador ratificou sua condição especial, que lhe rendeu recentemente uma convocação à seleção brasileira principal.
Com chances de ir mais longe no torneio que dá ao campeão uma vaga à próxima edição da Copa Libertadores da América, o Avaí também se vê consolidado em âmbito nacional - disputará pelo terceiro ano seguido a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Sua afirmação passa, indubitavelmente, pelo fortalecimento do grupo de atletas. Em especial, aqueles provenientes do centro de formação do clube.
Na estrutura anexa à Ressacada, funcionam quatro campos com medidas oficiais, uma academia de musculação, um restaurante interno, um alojamento, além de espaços para assistência médica, psicológica e fisioterápica. O atendimento é voltado às categorias sub-17 e sub-20. Mas, atrás disso, há em curso um projeto pedagógico com crianças em iniciação, assistidas por profissionais como Paulo Cesar do Nascimento.
Formado em Educação Física na Universidade Federal de Santa Catarina, Paulo Cesar tentou se profissionalizar como atleta, mas acabou ratificando sua paixão pelo esporte no meio acadêmico. Suas preferências dentro de sua área de atuação está ligada à avaliação e prescrição de atividades físicas, juntamente com a preparação física, a fisiologia do exercício, o futebol e o futsal.
Durante intercâmbio, realizou um período de estudos na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, de Portugal, motivo pelo qual busca trabalhar, no Avaí, com as equipes sub-11 e sub-13, dentro de uma metodologia com aplicação dos princípios táticos de jogo - tanto uma referência lusa, quanto de estudiosos como Pablo Juan Greco e Israel Teoldo.
"Nós procuramos o garoto bem técnico, claro, aliando tamanho, força e inteligência a esse quesito. Mas a nossa orientação de trabalhar no sub-13 ainda é preparar o atleta com conceitos básicos táticos e de princípios de jogo e uma coordenação motora fina, agilidade, com projeção de evolução. Não queremos que o treinador do sub-15 se preocupe com a recepção de um jogador com pouca técnica", explicou Paulo Cesar, nesta entrevista à Universidade do Futebol.
De acordo com ele, o clube possui muitos atletas que vieram do futsal e têm aprimorado seu valor técnico. Há a precaução, porém, com o fato de a modalidade das quadras muitas vezes "frear" o desenvolvimento do futebol de campo.
"No campo, garotos de qualidade, por terem uma vivência de quatro, cinco anos na quadra, têm dificuldade de adaptação - questões espaço-temporais e técnico-táticas. Nos momento em que se teria de cadenciar mais o jogo e carregar a bola, o atleta acelera a transição e comete erros. Deve-se ponderar essa relação até certa idade, para que o futsal seja visto apenas como lazer ou auxílio na formação", justificou.
Paulo Cesar enalteceu ainda o fato de a direção ter apostado no investimento estrutural e humano. Hoje, as categorias de base contam com um departamento psicossocial, com uma pedagoga, uma psicóloga e mais algumas profissionais auxiliares. Um suporte para que talentos não se percam. E novos "Renans" se confirmem dentro da Ilha.
"O Avaí está indo para seu terceiro ano de Série A do Campeonato Brasileiro, é um clube pequeno, mas algumas atitudes administrativas são louváveis. Uma delas é esta, com a realização de palestras, assistência social, etc", completou.