Entrevistas

07/09/2016

Alessandro Tosim – Treinador da seleção brasileira de Goalball

"É muito interessante ter as conquistas individuais, mas o que mais me emociona é ver os atletas jogando em alto nível"

O Goalball é um esporte coletivo criado em 1946 pelo austríaco Hans Lorenze e o alemão Sett Haindell, com o intuito de reabilitar soldados que ficaram lesionados do órgão da visão no período de guerra. Diferente da maioria dos esportes paralímpicos, que foram adaptados dos esportes convencionais, o goalball não sofreu nenhuma adaptação, ou seja, foi criado especificamente para a pessoa com deficiência visual.

Ao ser apresentado como um esporte de alto rendimento nos Jogos de Toronto-1976, a modalidade teve a oportunidade de entrar com a categoria masculina, na programação paralímpica dos Jogos de Arnhem, em 1980. As mulheres tiveram a primeira participação em 1984, quando a disputa foi realizada em Nova York.

No Brasil a modalidade foi apresentada às entidades de atendimento às pessoas cegas de São Paulo, pelo professor Steven Dubner, do CADEVI, em 1985.

O objetivo dos jogadores é arremessar uma bola com as mãos no gol do adversário. As percepções são pelo tato, através das linhas do chão, e audição com o uso das bolas que contém guizo. Como é um esporte que precisa de muita concentração, é necessário silêncio tanto da equipe quanto da torcida.

Atualmente o goalball vem crescendo muito no território brasileiro, sendo realizados campeonatos em âmbito estadual e nacional, contando com aproximadamente 70 times, no masculino quanto no feminino. Nos Jogos Paralímpicos 2016, dez seleções masculinas e 10 femininas disputam lugar no pódio.

Alessandro Tosim, treinador da Seleção Brasileira de Goalball desde 2009, foi Bi-Campeão dos Jogos Parapanamericano, Campeão Mundial e Vice-Campeão Paralímpico. Em entrevista concedida à Universidade do Futebol, ele nos contou um pouco da sua trajetória até chegar a Seleção, além de nos apresentar a comissão técnica e os atletas que disputarão os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Alex Melo e Alessandro Tosim - Rio Open Goalball Men's Tournament - Arena do Futuro
Alex Melo e Alessandro Tosim – Rio Open Goalball Men’s Tournament – Arena do Futuro

Universidade do Futebol – Como você conheceu o Goalball e chegou à Seleção? Como começou o goalball na região de Jundiaí-SP?

Alessandro Tosim – Eu sou professor de Educação Física, com toda minha formação acadêmica voltada para a área da Educação Física Adaptada, tendo iniciado minha carreira como técnico de goalball no ano de 2001, após uma aula na pós graduação em Atividades Motoras Adaptadas. A partir deste momento começamos a trabalhar a modalidade com um grupo de pessoas com deficiência visual no Peama (Programa de Esporte e Atividades Motoras Adaptadas de Jundiaí). Com esta equipe conquistamos vários títulos de âmbito estadual e nacional. No ano de 2009 fui convidado para assumir o comando da seleção brasileira de goalball.

Universidade do Futebol – Você foi eleito o Melhor Técnico de Esportes Coletivos Paralímpicos de 2012? Como foi para você receber esse prêmio?

Alessandro Tosim – Na verdade conquistei este título em 2012 com a conquista da medalha de prata nos Jogos Paralímpicos de Londres e também em 2014 com a conquista do campeonato mundial da modalidade. É muito interessante ter as conquistas individuais, mas o que mais me emociona é ver os atletas jogando em alto nível. Essas conquistas divido com toda a comissão técnica que trabalha muito para o melhor do goalball brasileiro.

Universidade do Futebol – Como é a rotina de treinamento com os atletas?

Alessandro Tosim – Atualmente a seleção brasileira faz fases de treinamento, sendo 7 fases de janeiro até agosto, no mês de setembro teremos mais uma fase de aclimatação para os Jogos Paralímpicos. Os treinamentos são programados com muito rigor cientifico na parte física, técnico e táticos, sendo tudo dosado com controle de volume e intensidade do treinamento.

Universidade do Futebol – Você poderia falar um pouco sobre os atletas da Seleção e a Comissão Técnica?

Alessandro Tosim – Atualmente a seleção brasileira de goalball é uma das modalidades esportivas para pessoas com deficiência visual e administrada pela Confederação Brasileira de Desportes de Deficientes Visuais e conta com 8 atletas nas fases de treinamento, sendo selecionado apenas seis para os Jogos Paralímpicos. Todos os atletas possuem alto nível de habilidade motora, além de uma condição física ideal. A comissão técnica é composta por 8 pessoas sendo: Paulo Miranda (Coordenador da modalidade), Alessandro Tosim (técnico), Diego Colletes (Auxiliar técnico e preparador físico), Altemir Trapp (Analista de desempenho), Rafael Losck (Fisioterapeuta), Alessandra Amorim (Psicóloga) e Mirtes Stancanelli (Nutricionista), Tatiana Schulze (Médica), sendo que o trabalho ao longo do tempo atingiu o objetivo transdisciplinar.

Alessandra Amorim, Paulo Miranda, Alessandro Tosim, Diego Collette e Altemir Trapp
Alessandra Amorim, Paulo Miranda, Alessandro Tosim, Diego Collette e Altemir Trapp

Universidade do Futebol – Desde 2009 você treina a Seleção, sendo bicampeão Parapanamericano (2011 e 2015), Campeão Mundial em 2014 e medalha de prata Paralímpica em 2012, em Londres. Como está sendo a preparação para os Jogos no Rio-2016?

Alessandro Tosim – Um trabalho transdisciplinar, com os atletas treinando muito bem, sendo treinamentos controlados e buscando a mais alta performance dos atletas. Além disso existe trabalhos coletivos de análise de jogos das equipes adversárias.

Universidade do Futebol – Existe alguma preparação especial para esses megaeventos?

Alessandro Tosim – A preparação foi feita da mesma forma do campeonato mundial, sendo 7 fases de treinamento, mais uma aclimatação. Este foi o melhor meio que encontramos para potencializar estes atletas.

Universidade do Futebol – Você acha que a pressão aumenta por a competição ser no Brasil? E como os jogadores lidam com essa responsabilidade?

Alessandro Tosim – Acredito que estamos muito bem preparados, os atletas estão muito focados. Neste sentido, vejo que a partir do momento que os jogos iniciarem, o foco será ainda maior, pois os atletas estão almejando esta competição há alguns anos.

Alessandro Tosim, Alex Melo, Diego Collette, Josemarcio Sousa, José Roberto, Rafael Loschi da Silva
Alessandro Tosim, Alex Melo, Diego Collette, Josemarcio Sousa, José Roberto, Rafael Loschi da Silva

Universidade do Futebol – O goalball é o único esporte não adaptado dos Jogos Paralímpicos. Quais são as suas principais regras? Como ele é disputado? Tem diferença entre a modalidade masculina e a feminina?

Alessandro Tosim – Não existe diferença entre a modalidade masculina e a feminina. As regras são todas em inglês, para universalizar a modalidade. É disputado em uma quadra de 18 metros de comprimento por 9 metros de largura; Possui três jogadores, sendo estes: um pivô, um ala esquerdo e o ala direito, O gol tem 9 metros de largura por 1,30 metros de altura; A bola possui 1.250 gramas com três guizos dentro.

Todas as regras são em inglês, para dar uma universalização da modalidade. O que mais acontece no jogo é:

1. High Ball (bola alta).

1

2. Long Ball (bola longa).

2

Universidade do Futebol – A Seleção Brasileira é considerada a melhor da modalidade. Quais características você atribui a esse título?

Alessandro Tosim – Atualmente contamos com atletas do mais alto nível de habilidade, associados a treinamento de qualidade, os resultados vão aparecendo. Além disto, hoje os atletas tem condições de sobreviverem da modalidade, fazendo com que possam se dedicar exclusivamente aos treinamentos nos seus clubes.

Universidade do Futebol – Como você vê a inclusão dentro dos Jogos Paralímpicos?

Alessandro Tosim – Se pensarmos em atletas paralímpicos, eles já superaram este processo de inclusão por meio do esporte. Eles querem ser vistos como atletas de alta performance, que buscam resultados o tempo todo e que precisam ser reconhecidos pela sociedade como atletas e se possível comparados e reconhecidos como os atletas olímpicos.

Comentários

  1. Eder Corsini disse:

    Parabéns professor bela entrevista, é um privilegio enorme em ser seu aluno…sabemos que não alcançou seu objetivo mas parabéns pela medalha conquistada.

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