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30/11/2016

Balanced Scorecard como instrumento de gestão de clubes de futebol

O Brasil sempre foi uma fonte de talentos no futebol. Eu, particularmente, acredito que continuamos a ser um celeiro de talentos. Talvez algumas coisas tenham mudado, talvez a taxa de surgimento de novos craques tenha diminuído um pouco, mas ainda somos uma fábrica de jogadores fora de série que, individualmente, podem desequilibrar um jogo.

Ainda somos um celeiro de talentos, mas não temos tido um bom desempenho nas últimas copas, por exemplo. Uma possível explicação para a situação pode residir no fato de que, apesar de termos o talento individual, não conseguimos montar boas equipes. Neste caso, o problema seria de ordem tática.

Outra possibilidade, olhando o problema de forma mais ampla, pode passar pela forma de gestão do futebol no Brasil, com reflexos negativos no planejamento e gestão de longo prazo.

O objetivo do presente artigo é apresentar algumas ideias para a implementação de um modelo de gestão estratégica para clubes. O modelo a ser apresentado é o Balanced Scorecard (BSC). Trata-se de um modelo já bem tradicional na gestão empresarial, mas muito pouco usado, de forma efetiva, no mundo do esporte.

A relação entre o BSC é muito simples. Partindo da missão (porque existimos), passando pela visão (em que acreditamos), podemos chegar, após a análise da situação ambiental, na nossa estratégia (nosso plano de ação). O BSC tem a missão de transformar a nossa estratégia em resultados. Dessa forma, o BSC seria um instrumento de implementação, de operacionalização, da estratégia.

Agora que temos o conceito, vamos detalhar um pouco o modelo. O BSC trabalha com quatro grandes perspectivas: a do cliente, a financeira, a dos processos internos e a do aprendizado e crescimento. Uma boa gestão e integração dessas perspectivas é o que pode levar a resultados estratégicos diferenciados.

Para cada uma das quatro perspectivas estabelecidas pode-se (deve-se) criar objetivos estratégicos e indicadores para se avaliar o processo.

O BSC pode ser implementado para o clube como um todo, mas pode ser iniciado em determinado setor como, por exemplo, no departamento de futebol, ou ainda de forma mais específica como na categoria de base.

O interessante de se implementar o BSC é que o resultado final não será medido unicamente por títulos, mas pelo alcance, ou não, de resultados estratégicos estabelecidos no mapa (estratégico), com base nos objetivos estratégicos, nos indicadores, nas metas. Com base nos resultados pode-se reavaliar as ações e redirecionar o planejamento, num processo contínuo e dinâmico.

Para a base de um clube, por exemplo, os indicadores podem estar relacionados ao número de jogadores que subiram ao time principal, ao número de jogadores, da base, vendidos a outros clubes, ao cumprimento, de forma efetiva, da estrutura curricular da base, no processo de formação do jogador, ao nível de qualificação e treinamento dos profissionais que atuam na formação dos jogadores, ao grau de instrução dos jogadores, ao nível de conhecimento de outros idiomas por parte dos jogadores, dentre outros indicadores.

Com o BSC pode-se trabalhar, de forma mais efetiva, a implementação do planejamento estratégico dos clubes, com resultados potencialmente significativos do ponto de vista de criação de valor para todos os stakeholders envolvidos no processo.

Pode ser que a volta ao alto nível do futebol brasileiro, em termos de resultados e prestígio, passe por um processo de melhoria continuada dos instrumentos de gestão do futebol. Fica a ideia para a nossa reflexão.

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