Entrevistas

13/07/2015

Bruno Mota, sócio da Bold Conteúdo

Formado nas categorias de base do Palmeiras, Elias perambulou por uma série de clubes e despontou realmente em 2008, quando fez bom Campeonato Paulista pela Ponte Preta. Depois disso, foi negociado com o Corinthians e abriu caminho para uma trajetória que incluiu passagens pela seleção brasileira.

Em 2014, Elias voltou ao Corinthians. Neste ano, disputou a Copa América e foi titular da seleção comandada por Dunga. Trata-se de um volante com velocidade e enorme capacidade para ocupar espaços – algo que faz dele um diferencial no futebol brasileiro.

Os espaços em campo, contudo, não são os únicos que o volante tem tentado ocupar. Elias também fechou um acordo com a empresa portuguesa Bold Conteúdo para fazer a gestão de suas redes sociais. A companhia é liderada por Bruno Mota, 32, um profissional formado em programação que se desenvolveu posteriormente no segmento da comunicação.

A experiência com a empresa transformou Mota em referência em Portugal sobre a criação de conteúdo em redes sociais e a transformação de atletas em marcas. Em entrevista exclusiva, o profissional falou sobre o planejamento para Elias e como isso tem relação direta com o atual momento da comunicação no Brasil e na Europa.

Universidade do Futebol – A Bold é uma agência que tem no mundo corporativo a maior parte de seus clientes. Há outros cases de relação com esporte? Quais?
Bruno Mota –
Apesar do nosso core business ser o mundo corporativo, já temos outros cases no esporte. No passado, entre outras coisas, já fizemos sites de jogadores de futebol, sites de clubes de futebol, rebranding de clubes (alteração de logotipo e imagem corporativa), gestão de redes sociais e fazemos também consultoria digital (no fundo, deixar os clubes/atletas mais próximos do mundo digital, da internet, etc).

Universidade do Futebol – Como funciona a parceria com o Elias? A gestão do conteúdo é feita em Portugal ou no Brasil?

Bruno Mota – A parceria com o Elias é muito abrangente. São várias equipes que trabalham em conjunto: mídia do clube, freelancers que nos fornecem imagens, vídeos, matérias e etc., geradores de conteúdo. Essas equipes são majoritariamente brasileiras, mas estão diretamente ligadas às nossas equipes digitais em Portugal. Tem funcionado muito bem.

Universidade do Futebol – Como vocês definem as mídias em que atuam? Como vocês distribuem o conteúdo entre elas?

Bruno Mota – Esse trabalho tem sido feito de acordo com o momento do atleta. A gestão de conteúdo a esse nível ainda está muito no início.

Bold, empresa criada por Bruno Mota, acertou com o jogador Elias, do Corinthians, para fazer a gestão das mídias sociais do volante.

Universidade do Futebol – Quem alimenta as redes sociais do Elias? Isso é feito no Brasil ou em Portugal?

Bruno Mota – Como respondi anteriormente, em Portugal tratamos da operacionalização e gestão (ou seja, alimentamos as redes sociais), mas o conteúdo vem do Brasil.

Universidade do Futebol – O trabalho de conteúdo para o Elias é apenas reativo ou vocês pretendem criar temas a serem explorados nos canais próprios do atleta?

Bruno Mota – O trabalho que está sendo feito é muito completo – portanto, não diria que é reativo. Naturalmente, em algumas alturas será também reativo, mas a ideia é criarmos conteúdos específicos, particulares e de interesse genérico. Além de excelente atleta e profissional, o Elias é uma pessoa com muito conteúdo e de muito interesse.

Universidade do Futebol – Na sua opinião, como o advento das redes sociais mudou a relação entre atletas e público? Que possibilidades isso abriu em termos de prospecção comercial para os atletas?

Bruno Mota – Na verdade, acho que são poucos os atletas que percebem o que podem ganhar com o novo paradigma das redes sociais e da internet. Esses novos canais aproximam os ídolos, os atletas, de todos aqueles que gostam deles, que os querem seguir e que os tomam como referência. As novas possibilidades são imensas, e eu diria que novos modelos podem ser estudados para as diferentes marcas que existem. Mas é preciso haver abertura por parte das marcas para entrarem nesse novo domínio.

Universidade do Futebol – O surgimento de uma série de novas plataformas aumentou a oferta de conteúdo ao público e mudou a relação com os referenciais (atletas, atores e músicos, por exemplo). Quando esses referenciais se tornaram a própria mídia, eles passaram a exercer também um papel de influenciadores (não são apenas as pessoas que publicam notícias, mas as pessoas que ditam comportamentos e “vendem” determinados estilos). Como isso mudou o planejamento de vocês para os clientes? Isso é diferente de empresas para pessoas físicas?

Bruno Mota – A minha resposta aqui tem duas perspectivas distintas: é diferente trabalhar para uma empresa ou para uma pessoa física. Ao mesmo tempo, posso dizer que há muitas coisas em comum. Certas particularidades fazem a distinção entre o trabalho que se faz para uma pessoa física ou uma marca corporativa. E embaralhando mais um pouco, ao mesmo tempo uma pessoa física pode igualmente ser uma marca. Estamos trabalhando a marca do Elias. Por exemplo: o Cristiano Ronaldo confunde-se com a sua própria marca também. As influências e tendências que pessoas e marcas criam são por nós trabalhadas e aproveitadas para criar uma situação em que o mercado as valorize e veja essas novas ideias como referências futuras.

Universidade do Futebol – Como vocês definem o público-alvo de um atleta? Como isso tem relação com o perfil do Elias?

Bruno Mota – Cada atleta tem um público-alvo distinto. No caso do Elias, até diria que temos sorte porque trabalhamos com um público-alvo bastante alargado. O segredo aqui é mesmo: estudar a pessoa/marca que estamos trabalhando e perceber as particularidades. Todos os pormenores fazem a diferença.

Universidade do Futebol – Na sua opinião, como a mídia tem influenciado a relação entre atletas e fãs? Como isso pode evoluir no futuro?

Bruno Mota – Acredito que o futuro vai aproximar ainda mais atletas e fãs. Cada vez mais, atletas vão ter atenção às redes sociais. Prevejo que no futuro poderá existir ainda mais interação. Quando conseguimos acompanhar diariamente a carreira de um atleta que gostamos, os treinos, os jogos, os momentos em família, etc., isso dá uma ideia muito mais precisa em relação à pessoa – não só o atleta. Conseguimos conhecer, perceber a atenção com a família… no fundo, perceber que são pessoas como todos nós e que têm momentos melhores e piores como todos nós, também.

Universidade do Futebol – Redes sociais são apenas uma ferramenta para diminuir a distância entre atleta e fãs ou oferecem realmente uma chance de faturar? Como?

Bruno Mota – Quando bem trabalhadas, oferecem realmente uma chance de faturar. Primeiramente devem concentrar-se apenas na primeira fase: estar presentes nas redes sociais. Numa segunda fase, se você tem milhões de seguidores, certamente vão aparecer marcas interessadas em patrocinar.

Trabalho da Bold com Elias tem sido focado na distribuição de conteúdo e na presença do jogador em redes sociais.

Universidade do Futebol – Quais você considera os bons exemplos de uso de redes sociais no esporte? Por quê?

Bruno Mota – Falando de pessoas físicas: Neymar, Cristiano Ronaldo e Shakira. Eles perceberam a importância das redes sociais e têm trabalhado muito bem. Desde a associação com marcas, promoção de marcas, promoção da própria marca, conteúdos, etc.

Universidade do Futebol – Quais você considera os maus exemplos de uso de redes sociais no esporte? Por quê?

Bruno Mota – Todas as pessoas/marcas que são mundialmente conhecidas e que não estão presentes de forma planeada nas redes sociais. Estão perdendo uma grande oportunidade.

Universidade do Futebol – Como você avalia a relação do esporte com marketing de conteúdo na Europa? E no Brasil?

Bruno Mota – Não vejo diferenças entre Europa e Brasil nesse tema. Ou se trabalha ou não se trabalha. Quando trabalhados de forma profissional e em conjunto, não interessa o local, que existem mais valias. O esporte e o marketing estão muito relacionados e não há como se dissociar um do outro.

Universidade do Futebol – As oscilações naturais do esporte (time e seleção, por exemplo) podem afetar o plano de comunicação de um atleta? Como?

Bruno Mota – Sem dúvida. Vou responder a essa questão com um exemplo, e não interessa o nome do atleta nem o clube. No passado íamos realizar uma festa de lançamento do site de um atleta com todo o plantel, com loja online, etc. Na semana marcada para isso, o clube em que ele jogava perdeu duas competições importantes. Não houve festa, tivemos de adiar o lançamento, correu tudo mal. Mais tarde lançamos o site, mas não teve o mesmo impacto.

Comentários

Deixe uma resposta

Sobre a Universidade do Futebol

A Universidade do Futebol é uma instituição criada em 2003 que estuda, pesquisa, produz, divulga e propõe mudanças nas diferentes áreas e setores relacionados ao universo do futebol, enquanto atividade econômica e importante manifestação de nosso patrimônio cultural, nas dimensões socioeducativas e no alto rendimento, e que conquistou o reconhecimento e credibilidade da comunidade do futebol.

Posts Recentes

Cursos em Destaque

© 2016 Universidade do Futebol. Todos os direitos reservados.