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08/12/2016

Formação ou deformação?

Nos dias que correm, é consensual a importância do futebol, como um meio de proporcionar aos jovens um desenvolvimento/formação multilateral e harmonioso, bem como um modo de os afastar de determinados malefícios bem presentes no nosso cotidiano.

Mas a prática do futebol, não é suficiente para termos no futuro homens bem formados, sociáveis, cumpridores e respeitadores das leis e regras da sociedade. A um jovem praticante de futebol, não é apenas necessário ensinar-lhe as regras, os gestos técnicos e as ações táticas, é necessário sobretudo incutir-lhe valores que o orientem e auxiliem na sua própria vida.

Em suma, o desporto deve ser utilizado como uma forma de educar e formar.

Contudo, assistimos por vezes à desvalorização desse caráter educativo e formativo do desporto, onde observamos atitudes pouco abonatórias para essa mesma formação. E são essas atitudes que irão ser consideradas como padrão por esses mesmos jovens, quer no futebol, quer no seu dia-a-dia.

É por esta razão que quando ouço falar em formação, ou conceitos associados, opto por uma postura renitente, pois por vezes assistimos não à formação mas sim à “deformação” de jovens atletas.

É com a constatação destas situações, que julgo que a palavra formação, tem sido utilizada de forma muito leviana. Formação é muito mais que um “chavão” bonito de aplicar, é um conjunto de princípios a que todos os agentes desportivos terão que obedecer. Entre os quais se destacam:

  •  O jovem atleta não é um adulto em miniatura, sendo errada na maioria das vezes comparações, adaptações e transferes do desporto sênior para atividade desportiva do jovem;
  •  Não colocar os “interesses” dos dirigentes/treinadores/pais à frente dos objetivos e motivações do jovem;
  •  No processo de formação do atleta, há que respeitar e conhecer o seu processo de maturação, pois existem fases ideais para o desenvolvimento de determinadas capacidades e habilidades;
  •  Todo o processo de treino, deverá ser orientado pela diversidade de estímulos e experiências, evitando deste modo a especialização precoce;
  •  Promover os valores do espírito desportivo e fair-play, respeitando as regras, os árbitros, os colegas e os adversários;
  •  Incutir o gosto e o prazer de praticar uma atividade desportiva;

Com estas pequenas observações e princípios, pretendo deixar um documento orientador para uma formação correta e equilibrada dos nossos jovens, homens do amanhã.

Formação sim! Mas com qualidade.

*Professor de Educação Física/ Treinador de Futebol

Comentários

  1. Profile photo of Fabiano Fabiano disse:

    Parabéns excelente matéria, um conteúdo muito complexo para se usado !
    Pode ser usado tanto na base de um clube profissional no na escolinha de bairro com crianças carentes, que tenho um sonho de se torna Atleta Profissional de Futebol ?
    Desde já eu agradeço !
    Att…
    Fabiano Pereira

  2. Grande Filipe! Parabéns pelas colocações! Concordo plenamente. Acredito que temos que ter uma maior fiscalização por parte das Federações Estaduais e qualificação dos profissionais.

  3. Excelente ponto de vista. Mais próximo possível da forma ideal que deveríamos encarar o esporte. Parabéns.

  4. HÉLIO CEZAR TEODORO disse:

    Senhor Filipe, o seu “feelling” sobre a questão da formação dos atletas nos dias de hoje está na direção certa, pois, os especialistas e profissionais trazem todos os prejuízos pedagógicos e epistemológicos da cultura atual e na verdade, na sua grande maioria, eles estão, não diria deformando, mas destruindo a mente dos nossos possíveis craques em virtude de estarem sob o condicionamento equivocado de fundo platônico/aristotélico: primeiro, naquele engano clássico, em que não escapa ninguém, de usarem um instrumento da área do fazer tecnológico na área da ação, que tem leis totalmente diferentes, ou seja, de buscar o oposto, o que quer dizer que se valem de ideais, princípios, etc., que é o que denominamos de discursos positivo, que além de inócuos fazem é gerar atritos, conflitos sem de fato mudar qualquer atitude indesejável e muito menos gerar uma postura adequada, o que trai um sintoma de uma grande ignorância do real funcionamento da mente humana. Segundo, se preocupam majoritariamente com os aspectos físicos esquecendo que é a qualidade da mente é que faz o craque, e que a mente se rege pela percepção e não somente pelo intelecto e pelo conhecimento, então uma das primeiras e mais importantes lições para um atleta que se queira de alto nível teria que ser a de aprende a ver (segundo os gregos haveria ao menos quatro formas de ver que são: blepen, teorein, eiden e opsetai, e que deve ser aprendidas), pois, um Pelé foi o que foi não só porque enxergava mais e melhor mas que enxergava de forma especial, que era em tese “eiden” (a maioria estaciona meramente no blepen, o mais baixo nível de cognoscibilidade o que explica as suas baixas performances em comparação com aquele craque) e que o ver neste âmbito que nós denominamos de estado “B” (todos nós diferentemente estaríamos no âmbito “C”) é inteligência pura e é o que defendemos em nosso livro “Futebol, uma revolução à vista: Decifrados, enfim, os segredos da genialidade de nossos craques” pelo Clube de Autores, e que esperamos que vá contribuir para recolocar o nosso futebol lá onde ele nunca deveria ter saído incontestavelmente, ou seja,
    no topo.

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