Geaf

24/02/2015

Formação profissional para o futebol

A iniciativa da criação do curso de treinadores da CBF veio preencher uma lacuna bem carente no futebol brasileiro. Até então não existia uma escola de formação de profissionais do futebol fora das universidades. Estas por sua vez, não têm como objetivo principal a formação de treinadores, algumas se preocupam unicamente com a formação de pesquisadores e docentes, outras em cumprir conteúdos e receber as mensalidades.

Os cursos de mestrado, com objetivo principal de fomentar pesquisas e preparar novos professores para os cursos de graduação têm sido confundidos com formação profissional continuada, um equivoco estratégico na carreira de quem quer ser um melhor treinador ou preparador físico de futebol.

Neste sentido, as informações e as tendências modernas a respeito de treino não podem ser encontradas onde se concentram esforços em normas técnicas ou métodos estatísticos, isso se o "quê" e não o "porquê" forem mais importantes.

O que não quer dizer que a ciência não continue a ser a grande fonte de informações e que não conduza a rotina profissional nos clubes, o fato é que precisamos fazer 3 perguntas: "as universidades preparam realmente os alunos para o mercado de trabalho em suas respectivas modalidades?", "ser mestre ou doutor é ter mais conhecimento com certeza, mas significa ser um profissional de campo melhor?", "será que a gestão do futebol é a única responsável pelos clubes não estarem absorvendo mais profissionais do meio acadêmico?".

Além de responder às perguntas, o jovem profissional precisa saber quais suas aspirações: campo, docência/pesquisa ou ambos? O que precisa estar claro é: elas são independentes, mas não dicotômicas. Ou seja, podemos muito bem conciliar os dois objetivos, mas ser bom profissional não implicar em possuir grau de mestre ou doutor (títulos obtidos com muito trabalho, dedicação e competência, processo para poucos, diga-se de passagem).

Para não perder tempo, portanto, se o objetivo for "apenas" trabalho de campo (treinador, preparador físico, auxiliar técnico, etc), deixe a tarefa científica com os "gênios" e se concentre nos cursos específicos da área em questão, sempre atento às publicações e aos conhecimentos gerais, afinal "só sabe de futebol quem sabe mais do que futebol" (Manoel Sérgio).

E se sua opção for pela "vida acadêmica", seja exímio conhecedor das pesquisas, dos trabalhos científicos e se atenha ao desenvolvimento de novos conhecimentos. Reinterando que ambos os objetivos podem ser conciliados, mas o aprimoramento de cada um é independente.

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