Entrevistas

25/08/2016

Luiz Gustavo dos Santos – Preparador Físico da Seleção Brasileira de Paracanoagem

"É importante que o atleta se sinta integrado e que a Paracanoagem o faça sentir em pé de igualdade com competidores da modalidade olímpica"

A Paracanoagem é a modalidade paralímpica da Canoagem, sendo uma das novidades nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. Semelhante as disputas da canoagem Olímpica, as embarcações podem receber adaptações de acordo com a deficiência dos atletas. Os barcos que são utilizados nas provas são os caiaques, representados pela letra K, e as canoas, pela letra V.

As provas têm um percurso de 200 metros de extensão em linha reta, podendo ser disputada por homem e mulher, individualmente ou por ambos em um barco misto. Os atletas com deficiências físico-motoras competem na paracanoagem.

Em 2010, em Poznan, na Polônia, aconteceu o primeiro mundial de paracanoagem, disputado por atletas de 31 países. A partir desse ano, o mundial passou a ser disputado anualmente.

Com mestrado em Atividade Física Adaptada pela FEF/UNICAMP, Luiz Gustavo Teixera Fabricio dos Santos, atualmente fisiologista do Centro de Treinamento de Paracanoagem (CTP), começou sua carreira na Faculdade Educação Física da Unicamp (FEF), em 2008, e no ano seguinte integrou o projeto de Rugby em Cadeira de Rodas. Durante esse tempo passou a frequentar os campeonatos do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Em 2011, assumiu a equipe de Esgrima em cadeira de rodas, na Unicamp, onde ficou até 2013.  Com a vivência com o paradesporto e a experiência com o Rugby e a Esgrima em cadeira de rodas, Luiz Gustavo, chegou ao CTP para contribuir com o crescimento da modalidade no país.

Confira a seguir a entrevista concedida pelo Preparador Físico da Seleção Brasileira de Paracanoagem à Universidade do Futebol.

Universidade do Futebol – Na Canoagem existem vários tipos de modalidades. Na paracanoagem também é assim? Quais são as principais diferenças entre essas modalidades?

Luiz Gustavo – A Paracanoagem é a modalidade paralímpica da Canoagem. Dentro dela há divisões entre canoas e caiaques e provas com distâncias diferentes (200 e 500 metros). Mas, sempre dentro da mesma modalidade.

Universidade do Futebol – Os atletas da paracanoagem podem utilizar adaptações tanto para a segurança ou para melhorar o desempenho. Quais tipos de adaptações são permitidas e quais suas funções?

Luiz Gustavo – Sim, eles podem. Os principais são o banco para os atletas que tem  lesão da medula espinhal, a fixação do leme, para quem não tem acometimento dos membros inferiores, além da largura do barco, que é maior, já que há comprometimento do tronco. Essas adaptações são importantes para que o atleta se sinta pertencente ao barco, aplicando melhor a força sem dissipar energia.

Universidade do Futebol – Como são realizados os treinos e a preparação física dos atletas para as competições?

Luiz Gustavo – Existe a parte específica de água e a neuromuscular. Uma equipe multidisciplinar formada por diversos profissionais da saúde traça um plano de treinamento de acordo com o objetivo firmado para o atleta. Logo, há casos específicos de acordo com cada organismo ou resultado pretendido. Alguns exercícios são específicos para a modalidade, como a remada unilateral com remo e tração.

Universidade do Futebol – Os atletas possuem algum acompanhamento psicológico?

Luiz Gustavo – Sim. Atualmente o sistema funciona de forma individual e a profissional atende de acordo com as demandas dos atletas. Também existe o objetivo de orientá-los antes das competições para que o acompanhamento psicológico colabore para o desempenho do atleta assim como os treinos e a preparação física.

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Universidade do Futebol – A Paracanoagem possui três classes funcionais: LTA, Classe TA e Classe A. Em quais dessas classes a seleção possui representante e quais são as diferenças e similaridades entre elas?

Luiz Gustavo – Em 2015 essas classes mudaram de nomenclatura, passando para L1, L2 e L3, subdivindido-as entre canoa (VL1, VL2 e VL3) e caiaque (KL1, KL2 e KL3).

A Grosso modo na L1 estão os atletas que utilizam somente os braços na remada, já na L2 braços e tronco auxiliam no desempenho e, na L3, braços, tronco e pernas ajudam na movimentação do barco. Isso varia de acordo com a deficiência de cada atleta.

Para os Jogos Paralímpicos Rio 2016, a Seleção Brasileira de Paracanoagem conta com representantes homens nas três classes e mulheres na KL2 e KL3. O Brasil conquistou cinco das seis vagas disponíveis e é um dos países a levar mais atletas na modalidade. Nesta competição não há provas de canoa, somente de caiaque.

Universidade do Futebol – Quais são os principais objetivos e benefícios da Paracanoagem para os atletas com deficiência?

Luiz Gustavo – É importante que o atleta se sinta integrado e que a Paracanoagem o faça sentir em pé de igualdade com competidores da modalidade olímpica. Que a deficiência não seja a principal característica, e sim o desempenho de alto rendimento de um atleta paralímpico. Além disso, o contato com a natureza e a integração das provas de Paracanoagem e Canoagem nos campeonatos Brasileiro e Mundial auxiliam nesse trabalho de equidade. E claro, não podemos esquecer os benefícios ao condicionamento físico.

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Universidade do Futebol – Como ocorre a seleção dos atletas que representarão o Brasil nas Paralimpíadas? Quantos são e quem são?

Luiz Gustavo – Todos os anos o projeto da Equipe Permanente de Paracanoagem lança um Plano de Trabalho que rege os objetivos da modalidade, a seleção de atletas para as competições internacionais, controles nacionais e critérios para composição da Equipe Permanente.

A definição dos atletas para compor a delegação participante dos eventos internacionais é determinada pelo Comitê de Seleção da CBCa, com base nas provas indicadas no boletim de competição (como o Campeonato Mundial de Paracanoagem) e de acordo com as metas estabelecidas. Entre os critérios de seleção estão a análise histórica do atleta, levando em consideração a evolução técnica nos controles seletivos, eventos nacionais e internacionais. Essa análise será confrontada com os índices internacionais, levando em consideração as metas estabelecidas no Plano de Trabalho.

Para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 a Paracanoagem conta com cinco atletas, sendo eles: Luis Carlos Cardoso (KL1), Igor Tofalini (KL2), Caio Ribeiro (KL3), Debora Benevides (KL2) e Mari Santilli (KL3).

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Universidade do Futebol – Quais são os principais campeonatos da Paracanoagem?

Luiz Gustavo – Nacionais são a Copa Brasil e o Campeonato Brasileiro de Paracanoagem. Já no âmbito internacional, estão o Campeonatos Mundial, Sul-americano e Pan-americano de Paracanoagem. Além dos Jogos Parapan-americanos.

Universidade do Futebol – A primeira participação da Paracanoagem será nos Jogos do Rio de Janeiro. Quais são as expectativas para o evento e quais são as chances de medalhas para o Brasil?

Luiz Gustavo – Neste ciclo paralímpico a modalidade desempenhou um grande trabalho em busca de bons resultados e ao longo das últimas competições internacionais pudemos ter uma avaliação positiva, vide a conquista de cinco das seis vagas disponíveis para os Jogos Paralímpicos Rio 2016. O Brasil é um potência paralímpica e queremos fazer parte disso. Estimamos, pelo menos, três medalhas, mas os nomes serão descobertos pela torcida  durante a competição para aumentar a expectativa até lá.

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