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10/01/2017

Modelo de jogo: Um auxiliar ou um limitante da equipe?

Apesar de fundamental na organização de uma equipe, o modelo de jogo não pode ser mais importante que o objetivo principal do jogo: o gol.

Nos últimos tempos é inevitável afirmar que as discussões sobre futebol no Brasil vêm melhorando e se tornando mais profunda em diversos lugares. Desde portais na internet como a Universidade do Futebol, que oferecem boas possibilidades de capacitação, até cursos presenciais (como já é possível encontrar na própria CBF que hoje está construindo programas e licenças muito importantes para qualificar profissionais), já podemos observar  boas oportunidades de evolução  para profissionais na área (que ainda precisa evoluir muito) e o aprofundamento em vários conceitos do jogo.

O Modelo de jogo com toda certeza é um dos temas mais debatidos na busca de entender o jogo. Mas afinal, o que é e o que representa este tal Modelo de jogo? O Modelo de jogo, nada mais é do que a forma como uma equipe busca se organizar dentro dos cinco momentos do jogo (organização defensiva, organização ofensiva, transição defensiva, transição ofensiva e bolas paradas) de acordo com princípios de jogo (sempre respeitando especificidades como, a ideia do treinador, características dos atletas, cultura do clube…) que dão a identidade a equipe.

Comumente, o Modelo de jogo é aquilo que pauta todo o treino e todo o processo de construção da equipe. Trabalha-se exaustivamente procurando atingir determinados comportamentos, em cada momento, em busca da “organização máxima da equipe e a criação de um padrão de jogo”. Apesar da importância do Modelo de Jogo ser indiscutível, é preciso tomar muito cuidado para que ele não se torne um limitante da equipe e acabe sendo algo muito prejudicial.

Treinadores e todos os envolvidos na construção da equipe, devem ter em mente que sempre o maior objetivo do jogo é buscar o gol (ganha aquele que faz mais gols no fim da partida, independente da posse de bola, desarmes, finalizações…) e que o futebol é um jogo altamente imprevisível, portanto, não é possível saber com antecedência cada ação que vai ocorrer na partida. Com isso, apesar de os comportamentos do modelo precisarem estar bem estabelecidos, eles nunca podem se tornar “o mais fundamental do jogo”, mesmo que deixe a equipe mais distante do gol em alguns momentos, e se torne um limitante para cumprir seu objetivo maior. Por exemplo, determinada equipe X, tem como princípio de jogo, na organização ofensiva, a manutenção e a circulação da posse de bola com passes curtos, mas, em determinada situação de jogo, a situação que oferece melhores condições de chegar ao gol é um passe vertical longo e não a circulação, como determina o modelo de sua equipe. Se, o Modelo de jogo da equipe tiver sido construído de maneira mais engessada, com a execução do comportamento sendo o mais fundamental, o atleta que estiver naquela situação vai optar por circular a bola nesta situação, mesmo que neste caso o comportamento o deixe mais longe de fazer o gol.

Para que isso não ocorra, é fundamental que fique muito claro para todos que o mais importante no jogo de futebol é a resolução dos problemas, que cada jogo e situação apresenta em busca de cumprir o objetivo maior (o gol), e que para isso, é importante que o Modelo de jogo e seus comportamentos, apesar de estarem presentes para auxiliar e ajudar a potencializar a equipe e os jogadores na sua organização e ações durante o jogo, (já que são um padrão e ocorreram com maior frequência), sejam flexíveis e permitam que os jogadores possam tomar as decisões da melhor maneira possível, mesmo que não siga a risca o padrão de comportamento determinado em todo o momento.

Portanto, é fundamental entender que o Modelo de jogo é sim um auxiliar importante e um norteador para que a equipe vá bem no jogo, mas ele jamais deve ser algo engessado e absoluto que deixe a equipe mais distante da vitória dentro de um jogo de futebol.

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Comentários

  1. Muito Bom o Artigo, esclarece para os treinadores a importância de trabalhar com situações diferentes em treinos para que sua equipe tenha a capacidade de adaptação a diferentes situações como por exemplo quando o Audax eliminou o Corinthians no Campeonato paulista onde o Treinador do Audax realizou atividades de 1+10 x 1+13 simulando assim a marcação pressão que eles encontrariam no jogo.

  2. HÉLIO CEZAR TEODORO disse:

    Sr. Nicolau, em toda instituição, organização, sociedade, etc., que supõe normas de conduta, modelo, cooperação, ação coordenada, etc., supõe-se a participação de pessoas inteligentes para sua execução, e por isto que temos o chamado sistema escolar e ou universidades com o intuito de formar este contingente necessário, e aqui contestamos se a escola realmente consegue dar conta desta sua tarefa, e no futebol nos parece que esta inteligência, e sendo ela o que diferencia um Pelé de um jogador mediano, fica relegada quando não totalmente alijadas da preocupação de nossos especialistas, e por isto pode ser percebido muita ênfase em estratégias, táticas, modelos, etc., mas o que não se vê são atletas inteligentes para levá-los a cabo. E adianta toda este aporte teórico se não temos recursos humanos que consiga levá-los à prática com eficiência, perguntamos?
    A inteligência, que denominamos de dom nos chamados craques, como um Pelé e um Neymar, na verdade é uma capacidade e que pode ser ativada, acreditem, em qualquer ser humano, e para isto é preciso entender o funcionamento efetivo de nossas mentes, e que atual psicologia acadêmica na verdade ainda não conseguiu decifrar, coisa que felizmente está ao nossa alcance através de uma nova psicologia que está surgindo e que pode revolucionar toda a forma de se trabalhar o futebol e todas os âmbitos da existência humana, e aí sim, talvez os modelos e demais recursos dos atuais técnicos tenham a chance de realmente serem efetivos. Confira com mais detalhe no livro “Futebol, uma revolução á vista: Decifrados, enfim, os segredos da genialidade de nossos craques”, pelo Clube de Autores. abraços.

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