Metodologia Sistêmica

Dentro do processo de globalização cada vez mais intenso nos diversos setores da atividade humana, observa-se que o futebol, como importante fenômeno cultural e econômico das sociedades contemporâneas, tem passado por grandes transformações, em especial neste século XXI. Estão em andamento mudanças de toda ordem, entre elas na capacitação profissional, na qualidade do jogo, como também nos procedimentos metodológicos de preparação no futebol.

Acompanhando de perto esta evolução, desde 2003 a Universidade do Futebol vem estudando e propondo mudanças metodológicas na formação e desenvolvimento de profissionais que atentem para o real significado do futebol enquanto rica ferramenta de educação e transformação social, e que também busque, no alto rendimento, formar e desenvolver atletas mais inteligentes, que permitam a construção de equipes mais competitivas, porém resgatando-se ou preservando-se as características básicas que envolvem elementos como a habilidade, a criatividade, a imaginação e a plasticidade deste impressionante esporte, capaz de envolver e conquistar tanta gente em praticamente todas as partes do mundo.

Não se trata de querer “reinventar a roda”, como afirmam alguns saudosistas que fecham os olhos e resistem a qualquer tipo de mudança, mas sim de acompanhar a evolução deste esporte, procurando superar um modelo que já não dá mais conta das demandas que o futebol e a sociedade hoje exigem.

O futebol, enquanto relevante manifestação humana, cultural e social, no Brasil e no mundo, não pode mais ser tratado de forma fragmentada e sem estratégias consistentes para o seu necessário crescimento e desenvolvimento. É nesta perspectiva que entendemos e propomos novos procedimentos metodológicos para o surgimento de um futebol renovado…

As metodologias que adotam o modelo de preparação sustentados nas tradicionais “partes física, técnica, tática e psicológica, que tantos bons resultados conquistaram, já não conseguem mais resolver os problemas atuais do jogo de futebol.

A metodologia sistêmica, defendida pela Universidade do Futebol, entende que o processo pedagógico não se esgota na simples relação dos treinadores ou professores com seus atletas. É preciso perceber que o fenômeno esportivo, onde o futebol se insere, deve ser considerado através de toda a sua complexidade, envolvendo as dimensões biológicas, psicológicas, sociais, culturais, espirituais, individuais e coletivas, inerentes a todos os seres humanos e, consequentemente, a todos que participam, direta e indiretamente, deste processo.

Para uma melhor compreensão entre a Metodologia Sistêmica e a Metodologia Tradicional do Futebol, veja o quadro comparativo estruturado pelos nossos especialistas:

Metodologia do futebol em que acreditamosMetodologia do futebol brasileiro tradicional
Centrada em um modelo lógico-tático que procura entender os porquês e a complexidade do jogo.Centrada fundamentalmente na técnica (Visão Tecnicista).
Busca um modelo que estimula a criatividade ou processos criativos na solução de problemas (inteligência).Reproduz modelos ou padrões em busca da "técnica perfeita"; porém, em geral, descontextualizada das situações concretas do jogo.
Explora movimentos que enriquecem o acervo de soluções de respostas, promovendo a adaptação às constantes e novas situações do jogo.Repete movimentos para automação, ou seja, busca automatizar gestos previsíveis, para jogar um jogo imprevísivel.
Busca personalizar e humanizar o gesto técnico e esportivo, fazendo com que cada jogador construa as respostas, de acordo com o contexto de jogo.Favorece a mecanização (robotização) dos gestos técnicos, reprimindo as expressões mais criativas.
Produz um repertório rico de possibilidades de respostas para as diferentes e imprevisíveis situações de jogo.Produz um repertório pobre de possibilidades de respostas para as diferentes e imprevisíveis situações de jogo.
Dá ênfase aos treinamentos coletivos, conciliando as características individuais às complexas situações de jogo, estimulando a ideia de que "treino é jogo e jogo é treino" na medida em que as ações complexas do treinamento facilitam as ações durante o jogo.Dá ênfase a treinamentos e movimentos individuais e coletivos que muitas vezes não são prioridades no jogo, estimulando a máxima que considera que "treino é treino; e jogo é jogo".
As tomadas de decisão são coordenadas pelo treinador; porém, os atletas têm amplas possibilidades de também tomarem decisões em parcerias com o comando, conforme as complexas e imprevisíveis situações de um jogo.As tomadas de decisão são prerrogativas quase que exclusivas do treinador, ficando o jogador na posição de simples cumpridor de tarefas (determinadas pelo "alto comando").
Incentiva a autonomia nos jogadores, tornando-os co-responsáveis e conscientes de seus atos, estimulado a criatividade e facilitando a adaptação às novas situações.Gera alto grau de dependência dos jogadores ao comando (treinador), com reduzida capacidade criativa e de adaptação às novas situações.
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Sobre a Universidade do Futebol

A Universidade do Futebol é uma instituição criada em 2003 que estuda, pesquisa, produz, divulga e propõe mudanças nas diferentes áreas e setores relacionados ao universo do futebol, enquanto atividade econômica e importante manifestação de nosso patrimônio cultural, nas dimensões socioeducativas e no alto rendimento, e que conquistou o reconhecimento e credibilidade da comunidade do futebol.

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