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09/02/2017

O futebol de paixões e razões

Para falar desse tema muito abrangente e um tanto quanto polêmico, definiremos dois conceitos bem próximos ao futebol e tão distantes entre si, que ainda geram muita confusão no cenário do futebol: a paixão e a razão. Paixão do latim tardio passion-onis, derivado de passus, particípio passado de pati, quer dizer “sofrer”. É um termo aplicado a um sentimento muito forte em relação a uma pessoa, objeto ou tema. A paixão é uma emoção intensa, convincente, um entusiasmo ou um desejo sobre qualquer coisa. Também é aplicado para determinar uma admiração por um ideal, causa e atividade. Já a razão, no sentido geral, é a faculdade de conhecimento intelectual próprio do ser humano, é um entendimento, em oposição à emoção. É a capacidade do pensamento dedutivo realizado por meio de argumentos e de abstrações. É a faculdade de raciocinar, de ascender às ideias. A palavra razão tem origem latina, “ratio” e no grego “logos” que significam reunir, juntar, medir, calcular. Portanto, razão significa pensar, falar ordenadamente, com medida, com clareza e de modo compreensível.

Dessa maneira, no futebol podemos destacar a paixão como uma emoção intensa, um sentimento muito forte advindo das torcidas para com seus times nos estádios, nos barzinhos, em casa e outros pontos de encontros.

Para a razão, definimos algo oposto à emoção, que no futebol pode se relacionar com o conhecimento intelectual, o pensar, de modo a tomar atitudes com clareza e compreensíveis, que deva ser bastante explorado por gestores, comissão técnica, jogadores e entre outros funcionários de clubes e equipes de futebol a nível amador e profissional, a fim de estabelecerem projetos anuais, filosofia de trabalho, padrão de jogadores e comissão técnica que se contrata, qual competição a se priorizar, quais as possibilidades de arrecadação e etc.

Sendo assim, no cenário esportivo, de modo bem lógico firma-se a paixão aos torcedores e a razão aos gestores e outros que compõe a equipe ou o clube.

Ultimamente, vimos bastantes exemplos relacionados à paixão, nos quais torcedores responsabilizando a arbitragem pelo mal resultado apresentado por suas equipes, alegando que estão cada vez mais despreparados para exercer tal função, e como sempre o velho discurso que “rola” nas entrelinhas, que o mesmo “meteu a mão” em lances polêmicos e discutíveis até com o apoio de imagens e vídeos, repassando o lance diversas vezes para uma análise certa e segura por comentaristas e ex-árbitros presentes nos canais televisivos de esportes.

Entretanto, podemos aceitar o argumento que vem da torcida, pois na sua maioria não existe uma melhor equipe adversária, uma melhor estratégia aplicada ou uma melhor organização tática, porque é algo irracional que se opõe ao compreensível, e que, certamente, não teria sentido algum aos torcedores entender tal situação, pois isso talvez perderia sua essência.

No entanto, a paixão como percebemos nas várias competições profissionais e amadoras, não está somente voltada às torcidas. O problema está dentro dos clubes, direcionados a gestores, comissão técnica e até mesmo jogadores, com discursos bem distantes do pensamento racional, da visão crítica e do entendimento lógico e estruturado. Ainda sofremos com reclamações de gestores, técnicos e jogadores referindo-se à falta de competência dos árbitros e auxiliares. Claro que a arbitragem, deve sim melhorar e ser mais valorizada, mas na sua maioria não justifica tal crítica.

É evidente que tais reclamações feitas por gestores e outros componentes da equipe sejam voltadas a uma minoria, porém não devemos generalizar um problema, em que muitas vezes é específico e ocasional.

Não obstante, destaca-se hoje no futebol brasileiro, profissionais conscientes que administram seus clubes e equipes; e conseguem, claramente, separar a emoção da razão, por isso atualmente estão em uma situação bem favorável com suas equipes, nas quais seguem uma filosofia de trabalho muito coerente à ideia de administração, e que independente dos maus resultados, conseguem garantir a permanência de técnicos, jogadores e outros. Esse exemplo foi visto no Corinthians em 2011 e 2015 na eliminação da Libertadores, respectivamente ao Tolima (Colômbia) e Guarani (Paraguai), e posteriormente rendeu títulos importantes ao clube.

Ressalta-se também o Palmeiras, que ficou um bom tempo sem contratar jogadores de qualidade, devido à construção de sua nova arena, que atualmente é uma das suas maiores fonte de renda, entre outras equipes que são bem sucedidas com seu desempenho e que conseguiram obter uma racionalização para manutenção ou elevação de acesso a uma competição internacional, nacional, estadual, ou até mesmo regional.

Portanto, percebe-se que a paixão é algo único e que jamais deixará de existir nos gramados, tanto a nível amador como profissional; além disso, não teria a menor graça se não houvesse torcedores alimentando seus desejos com suas equipes. Porém, cabe aos gestores, técnicos, jogadores e outros integrantes da equipe, saber diferenciar tais conceitos, pois não se deve abrir mão da visão racional, do compreensível, do fazer cálculos e estratégias, a fim de proporcionar um melhor espetáculo ao seu torcedor e também ao futebol.

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