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02/05/2017

O Principado em busca de sua Coroa

A equipe do Mônaco é a grande surpresa da fase semifinal da Champions League

A grande surpresa da fase semifinal da Champions League que será disputada a partir de hoje é, sem dúvida alguma, a equipe do Mônaco, até então pouquíssimo cotada para chegar tão longe e que vem sendo a grande sensação do torneio.

A história do clube é bastante peculiar, começando pelo fato de receber o mesmo nome de seu minúsculo país, localizado entre a França e Itália. Mônaco é o segundo menor país do mundo, separado apenas pelo Vaticano. A sua população é de 35 mil habitantes, incapaz de encher qualquer grande estádio do futebol mundial.

Por motivos óbvios, não há um campeonato nacional em Mônaco, sendo que o clube é afiliado à Federação Francesa de Futebol e, portanto, participa das competições em território vizinho. No cenário francês, merece destaque, sendo um dos clubes de maior expressão, onde conquistou 7 títulos nacionais da Ligue 1 e 5 Copas da França.

O grande feito internacional do clube em sua história foi chegar à final da Champions League na temporada 2003-04, ficando com o vice-campeonato, após eliminar os galácticos do Real Madrid nas quartas de final e o ascendente Chelsea na semifinal. O título ficou com o FC Porto de José Mourinho. Esse momento histórico foi sucedido por anos difíceis e uma grave crise institucional, com o clube sendo rebaixado para a 2ª divisão do Campeonato Francês, em 2011.

Essa queda possibilitou uma grande revolução na forma de gerir o clube, com o Principado abrindo mão do controle acionário para a entrada de investidores estrangeiros. A partir desse momento, o Mônaco passa a ser gerido por um bilionário russo, que injetou muito dinheiro na reformulação do elenco, retornando à elite do futebol francês em 2013. A expectativa era que, com o poder de investimento que tinha em mãos, o clube logo chegaria ao topo do futebol europeu, ainda mais após grandes contratações realizadas com valores superiores a 100 milhões de euros.

Porém, essa estratégia durou apenas um ano. Na temporada seguinte, as grandes estrelas foram negociadas e a equipe passou a apostar em jovens promessas. Essa mudança repentina ocorreu pela nova legislação fiscal que obrigava o clube a pagar até 75% de impostos sobre os grandes salários e também pelo altíssimo custo do divórcio envolvendo o seu proprietário russo com a sua então esposa, avaliado em cerca de 5 bilhões de dólares.

O plano adotado a partir desse momento e em vigor durante a atual temporada tem superado qualquer expectativa e garantido um enorme sucesso. Além de estar na semifinal da Champions League, também ocupa a liderança do Campeonato Francês.

Em termos comparativos, o time que representa o país com a imagem de local mais luxuoso da Europa, é o mais “pobre” entre os quatro semifinalistas da Champions e também entre os demais pertencentes à elite do futebol europeu. Enquanto o todo-poderoso Real Madrid possui uma receita de 620 milhões de euros, o seu rival Atlético de Madrid outros 229 milhões de euros e a forte Juventus o total de 341 milhões de euros, o Mônaco trabalhou nessa temporada com uma receita de 64 milhões de euros, dez vezes menor do que o Real Madrid e abaixo até mesmo dos maiores clubes brasileiros.

A receita específica de patrocínio não ultrapassou os 15 milhões de euro, enquanto os direitos de transmissão garantem a maior fatia do bolo, com 45 milhões de euros.  O valor restante de 4 milhões de euros é proveniente da venda de ingressos, sendo esse um fator de desequilíbrio, uma vez que o Mônaco representa o clube com a pior média de público do Campeonato Francês entre todos os participantes, com média de 8.700 torcedores por jogo, muito por conta da localização do estádio e de grande parte dos seus torcedores residirem em outras localidades distantes do Principado.

O potencial de fazer dinheiro com a venda de grandes revelações desse time é garantia de sucesso no final da temporada. As especulações envolvendo os maiores e mais ricos times ingleses e espanhóis por nomes como Mbappé, Bernardo Silva, Mendy, Bakayoko e Lemar certamente reforçarão o caixa monegasco.

O título de gestão mais eficiente da temporada já tem dono. Porém, o grande sonho é conquistar o reinado europeu da Champions League e marcar o nome do Mônaco na história do futebol mundial.

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