A ação da biomecânica no futebol

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Qual é a distância percorrida por um jogador durante uma partida de futebol? Nesse trajeto, qual é a velocidade média e quantos piques seguidos ele consegue dar? Além disso, qual é a importância do posicionamento do pé de apoio ao lado da bola na hora de realizar um chute? As respostas para essas perguntas podem parecer fundamentais para a evolução de um esporte como o futebol. Na prática, porém, o interesse por tais dados nem sempre é uma realidade nos clubes.

Numa modalidade em que nem mesmo a evolução da preparação física e os conceitos da fisiologia conseguem ser uma unanimidade, a análise dos movimentos dos atleta encontra resistência em muitos clubes. Por falta de informação ou puro preconceito, dados que poderiam mudar substancialmente o treinamento e a forma de preparação das equipes muitas vezes ficam limitados à produção acadêmica de conhecimento.

“Há várias razões para explicar isso. Existem problemas na comunicação entre as duas partes, principalmente. Os acadêmicos têm uma linguagem e uma abordagem que muitas vezes é extremamente distante da realidade de jogadores e técnicos”, admitiu Jefferson Loss, da Sociedade Brasileira de Biomecânica.

No futebol, a biomecânica deveria ser uma ferramenta de suporte para o trabalho da comissão técnica, com atuação na periodização e na programação dos treinos físicos individuais e coletivos. Trata-se de uma disciplina que pode auxiliar na compreensão global sobre o rendimento de cada atleta e fornecer dados para a formatação de exercícios na preparação para um jogo, por exemplo.

A biomecânica pode fornecer dados à comissão técnica sobre a movimentação do time ou de cada atleta em campo. Além disso, pode funcionar para corrigir erros funcionais dos jogadores, melhorando o rendimento e diminuindo o risco de lesões.

“Nós temos um trabalho aqui no Santos que é voltado para a prevenção de lesões. Por isso, o acompanhamento da biomecânica é fundamental. Um atleta que realiza um movimento errado, além de comprometer seu rendimento em campo, pode ocasionar danos mais sérios com a repetição”, explicou o fisioterapeuta do clube alvinegro, Nilton Petrone, mais conhecido como Filé.

Apesar de ser adepto do uso da biomecânica, o Santos não acompanha de forma perene o rendimento dos jogadores. O time que faz uso da biomecânica de uma maneira mais extensiva no Brasil é o Atlético-PR, que conta inclusive com um laboratório de apoio e controle ao treinamento.

“A análise do movimento facilita a separação do elenco em grupos de trabalho e torna o treino mais específico para cada atleta. Esse é um caminho importante, porque temos um leque muito grande de opções de trabalho e de necessidades”, explicou Oscar Amauri, que é doutor em biomecânica.

A biomecânica só começou a ser utilizada de modo mais contundente nos clubes brasileiros de futebol no fim dos anos 1990. Em parte, a explicação para essa evolução está na mudança de caráter dos profissionais ligados ao esporte.

“Antigamente, a base para a formação de um profissional para o futebol era empírica. De uns anos para cá, isso tem mudado e o nível tem melhorado. Esse conhecimento técnico e essa aproximação das universidades foi fundamental para a evolução da preparação física e para uma penetração maior de conceitos como o da biomecânica”, ponderou Jefferson Loss.

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