Biomecânica afasta ´certezas´ sobre movimentos no futebol

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A pergunta é insistentemente repetida a qualquer um que trabalhe com biomecânica aplicada ao futebol: se esses profissionais estudam o chute, o movimento da bola e o movimento do goleiro, então é possível criar uma ciência que determine a conclusão infalível ou a defesa intransponível? Curiosamente, por mais que trabalhe para fazer do futebol uma modalidade mais precisa, a biomecânica ainda esbarra nas variáveis do esporte.

“Uma vez me perguntaram se havia uma linha lógica de comportamento em casos de pênaltis. Se o cara chutasse com uma determinada velocidade e num determinado ângulo, será que a defesa seria totalmente impossível? E se o goleiro se adiantasse e tivesse uma envergadura determinada, será que certamente defenderia? Infelizmente, por mais precisos que sejam os estudos, o futebol tem uma série de variáveis envolvidas. Precisamos considerar o vento, a qualidade do gramado, o tipo da bola… as coisas não dependem apenas do jogador e do goleiro”, explicou Sérgio Cunha, coordenador do laboratório de biomecânica da Unicamp.

Se esbarra em uma série de variáveis inerentes à prática do futebol, contudo, qual é a funcionalidade da atuação da biomecânica no esporte? Para Sérgio Cunha, a resposta está exatamente na diminuição do poder dos fatores inesperados: “Existe uma série de possibilidades, mas o negócio é enxergar o futebol sob uma perspectiva científica. Nós acompanhamos a movimentação em várias situações para influenciar metodologia e caminhos para o treinamento, por exemplo”.

Um dos projetos que Sérgio Cunha coordenou no laboratório de biomecânica foi um estudo sobre cobranças de penalidades. A idéia era discutir se o goleiro realmente precisa se adiantar antes do chute para conseguir fazer a defesa. A partir da análise de vídeos, o trabalho chegou a uma média de antecipação dos goleiros em cobranças defendidas.

O pênalti, contudo, não é a única grande preocupação do laboratório de biomecânica. O grupo coordenado por Sérgio Cunha estuda componentes do jogo, tais como o chute, a velocidade de deslocamento, a movimentação de membros inferiores dos atletas e a disposição tática.

O estudo sobre tática, aliás, gerou um software chamado “Skout”, que foi lançado em 1998. Com gravações de vídeo em várias câmeras, o programa traça um padrão de movimentação de cada atleta em campo e possibilita uma comparação eficiente entre as diferentes estratégias de jogo.

Até agora, o “Skout” é um programa independente e sem associação com qualquer clube. Entretanto, Cunha admite que esse seria um grande passo para esse projeto: “Seria interessante para podermos estudar de uma forma mais presente e mostrar que isso pode apresentar na evolução de uma equipe”.

O grande entrave para a biomecânica ter mais espaço no futebol, porém, é a falta de resultados palpáveis. “A maioria dos clubes só quer saber de coisas que ajudem a ganhar títulos, e não de um trabalho de evolução individual com os atletas. Isso dificulta consideravelmente o trabalho”, concluiu Cunha.

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