Existe um meio de acabar com erros dos árbitros?

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Independentemente da importância, do resultado ou do desempenho das equipes em uma partida de futebol, qualquer duelo precede uma prática que não espera sequer o apito final e permeia os dias seguintes à disputa. Reclamar de decisões tomadas pelo árbitro e seus auxiliares durante os 90 minutos tornou-se uma parte inerente ao pós-jogo para atletas, treinadores, dirigentes, profissionais ou apaixonados pelo esporte.

A incidência de lances polêmicos e de reclamações contundentes mostra o quanto a atuação de árbitros vive em um paradoxo no futebol atual. A despeito de procurar constantemente meios de possibilitar o alto desempenho para atletas e treinadores, o esporte ainda trabalha com juízes e auxiliares que não são profissionais e muitas vezes não realizam uma preparação ideal para as exigências.

Qual seria, então, a solução para minimizar a polêmica envolvendo os juízes no futebol atual? “As reclamações vão sempre fazer parte. Isso já virou um hábito de treinadores para desviar o foco em derrotas de seus times. O grande problema é que os auxiliares deveriam passar a segunda-feira analisando seu desempenho e procurando maneiras de corrigir isso, mas precisam ir trabalhar e não podem manter o foco no esporte”, analisa Marcos Marinho, presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol.

A postura é corroborada pelo discurso do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Em entrevista coletiva, o suíço mostrou o quanto a profissionalização pode ajudar no desempenho dos juízes: “Isso não pode ser tratado como um hobby. Trata-se de uma paixão que envolve milhões de pessoas. Devemos ter pessoas preocupadas com o que fazem e com formas de evoluir nisso”.

Mas o fato de os árbitros não serem profissionais explica totalmente os problemas relacionados à função no futebol? “Não é só isso. Temos de ter atenção a dois momentos distintos: o primeiro e fundamental é a formação. Os árbitros precisam ter uma carga teórica aliada a uma preparação física condizente com a necessidade do esporte. Depois, precisamos fazer cursos constantes de atualização para que o rendimento deles melhore sempre na parte técnica”, relata Carlos Elias Pimentel, diretor da escola de arbitragem da Federação Estadual do Rio de Janeiro.

Enquanto a profissionalização dos árbitros é apenas um anseio, os profissionais dessa categoria buscam meios de minimizar os erros técnicos. E a principal saída encontrada para isso é a preparação cada vez mais parecida com o programa de treinos seguido pelos atletas.

“É necessário evoluir para uma preparação física que minimize gradativamente o impacto da diferença entre sua condição física e a do atleta. Para acompanhar a dinâmica do futebol moderno, um árbitro deve percorrer uma distância que varia entre 10 e 12 quilômetros, dependendo da intensidade e da solicitação do jogo, isso para estar mais próximo da jogada e para interpretar o lance conforme a regra exige”, pondera Marcelo Luiz de Souza, fisioterapeuta dos árbitros da Federação Estadual do Rio de Janeiro.

A preparação ainda é uma maneira de coibir os efeitos do desgaste e da pressão no rendimento dos árbitros. Além das cobranças de torcedores e profissionais, os responsáveis pela condução das partidas sofrem com a fiscalização constante de setores das federações destinados a coibir os erros.

“Nós temos psicólogos à disposição dos árbitros para eles conversarem se acharem necessário. Temos uma comissão de ex-árbitros que acompanha cada jogo e produz relatórios sobre o rendimento de cada profissional. Isso é uma base para sabermos se a preparação está sendo bem feita. Procuramos dar todo o suporte para minimizar a incidência de erros nas partidas e a preparação é a base para isso”, lembra Marcos Marinho.

Além de profissionais que dão suporte à preparação dos árbitros, a Federação Paulista de Futebol incentiva o estudo constante. Segundo Marinho, alguns dos profissionais que fazem parte do quadro da entidade buscam cursos de atualização e especialização. “Muitos deles são professores de educação física ou atuam na área do esporte. Além de já terem algum conhecimento por causa disso, nós facilitamos a ida deles para atividades no exterior. Tivemos um profissional na Espanha recentemente”, recorda.

Marinho explica que a profissionalização ainda é uma meta distante da realidade dos árbitros: “A legislação trabalhista é muito pesada e nenhuma federação tem condições de atender a todas as exigências. Seria preciso rever tudo isso, o que eu nem sei se é constitucional. São cerca de 500 profissionais apenas na Federação Paulista de Futebol”.

Diante desse cenário, a grande preocupação dos profissionais que trabalham com os árbitros é minimizar os efeitos do segundo emprego e aprimorar a preparação. “As entidades, corretamente, exigem que o árbitro esteja preparado para que possa atuar dentro de campo. Mas é ele quem deve procurar maneiras para que isso seja possível”, lembra Luiz de Souza, que completou: “Temos necessidades como a oxigenação. Eles precisam ter capacidade de pensar em meio ao desgaste, estresse físico, psicológico e até mesmo social. Temos de evoluir para uma preparação que maximize o desempenho”.

Outras saídas para melhorar a condição de trabalho dos árbitros já foram testadas, como a inclusão de um segundo juiz ou mudanças na regra do futebol. Entretanto, nenhuma iniciativa provou ser 100% eficiente. O principal problema ainda é o perfil interpretativo do regulamento do futebol.

“Quando se fala da presença de dois árbitros, não se garante de forma alguma que o nível das arbitragens possa melhorar, visto que pode até vir a ser mais um complicador dentro da interpretação do jogo”, frisa Luiza de Souza.

* Colaboraram Bruno Camarão e Rubem Dario

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