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Treinamento ideomotor e aperfeiçoamento das reações

O treinamento ideomotor contribui para o aperfeiçoamento das percepções especializadas, permitindo ao atleta assimilar melhor as distintas variantes técnico-táticas de execução dos movimentos e o controle ótimo de trabalho do sistema muscular. Isso ocorre por meio da reprodução mental de imagens visuoauditivas, musculomotoras, visuomotoras e verbomotoras.

A prática do treinamento ideomotor exige procedimentos metodológicos que devem estar presentes para o treinador e para o atleta. Em primeiro lugar, a reprodução mental dos movimentos deve ser feita em estrita correspondência com as características das técnicas das ações. Em segundo, é necessário centrar a atenção sobre a execução dos elementos das ações.

Os atletas de baixa qualificação devem prestar atenção com mais freqüência aos parâmetros gerais: postura e trajetórias básicas, ritmo dos movimentos e outros. Com o aumento do nível técnico-tático do atleta e, conseqüentemente, da precisão das percepções visuais, auditivas e musculomotoras, o treinamento ideomotor deve dirigir-se, em maior grau, ao aperfeiçoamento das percepções dos componentes mais finos das ações técnico-táticas, do ritmo do movimento, da coordenação entre diferentes grupos musculares entre outros.

Uma parte importante da preparação psicológica cujo papel cresce junto com a habilidade esportiva é a regulação psíquica da coordenação intramuscular, ou seja, a formação de um regime de trabalho muscular que assegure tanto a atuação dos grupos musculares principais, os agonistas, como a dos antagonistas. A habilidade para sincronizar a tensão dos músculos ativos e relaxar ao máximo os antagonistas é um índice importante de habilidade esportiva, que garante a realização efetiva dos movimentos e aumenta a economia do trabalho.

A capacidade do atleta para centrar a atenção na atividade máxima de alguns grupos musculares, com um relaxamento máximo dos outros, exige um treinamento ideomotor especial. Por isso, deve-se ensinar primeiro ao atleta como relaxar a musculatura e como aperfeiçoar a capacidade para concentrar as tensões de alguns grupos musculares que asseguram a realização eficaz dos movimentos.

Aperfeiçoamento das reações

Durante a competição o atleta se depara com a necessidade de reagir a estímulos auditivos, visuais, táteis, proprioceptivos ou combinados. Em resposta a esses estímulos, são possíveis as reações propriamente ditas, ou seja, respostas imediatas ao sinal surgido, e as reações de antecipação, ou seja, as que supõem respectivas reações de extrapolação em determinadas relações temporais, espaciais ou espaços-temporais entre estímulos e respostas.

As reações propriamente ditas e as reações de antecipação podem ser simples ou complexas. As simples se dividem em disjuntivas e diferenciais. São exemplos de reações disjuntivas as de um boxeador diante de uma ação de seu adversário que o obriga a atacar ou retroceder e as de um jogador de futebol que chuta ou passa a bola para um companheiro,ou seja, não se pode simultaneamente atacar ou retroceder. As reações de diferenciação são as mais complexas e exigem concentração para a sua realização rápida, a escolha da resposta mais adequada e, às vezes, o cessar de uma ação já iniciada ou a mudança para outro modo de atuação. Por exemplo: um esgrimista que começa o ataque deve saber contornar o contra-ataque do adversário e seguir com seu ataque e o jogador de basquete que começa uma ação e vê uma defesa difícil de superar muda de intenções e passa a bola para um companheiro que ocupa uma posição mais vantajosa.

Uma resposta conveniente e satisfatória dos atletas demonstra que as reações são antecipadas. Nesses casos, o atleta não reage diante da aparição de determinado estímulo, mas advinha (no espaço ou tempo) o momento ideal para iniciar sua ação, antecipando o movimento e o lugar da manobra do adversário ou do companheiro. A resposta de antecipação é uma das formas de prognóstico de probabilidades, uma qualidade importantíssima que assegura os resultados positivos da atividade do ser humano em interações esportivas complexas. São dois os tipos de antecipação:

1. Perceptiva: consiste em controlar os movimentos do objeto com o objetivo de apreendê-lo em um lugar determinado.
2. Receptora: consiste na extrapolação do momento de aparição do objeto, por meio da avaliação de um período de tempo.

Durante a atividade competitiva o atleta reage antecipando as características espaciais e temporais de objetos em movimento que podem estar em seu campo de percepção ou extrapolando as características temporais e espaciais de suas ações com o ritmo de movimentos aprendidos anteriormente, sem nenhum controle da visão ou de outro tipo de receptor.

Uma grande importância do treinamento da rapidez das reações é vista no método sensório-motor fundamentado na capacidade do ser humano para distinguir micro-intervalos de tempo. De acordo com esse método, o aperfeiçoamento da rapidez de reação se realiza em três etapas.

Na primeira etapa o atleta trata de reagir contra um sinal irritante com máxima rapidez, sendo depois informado sobre o tempo utilizado. A comparação entre o tempo utilizado e suas sensações permite diferenciar a reação mais ou menos rápida.

Na segunda etapa o atleta efetua a prova e logo trata de determinar, ele mesmo, o tempo de sua reação; depois ele é informado sobre o tempo real. A comparação de sua própria avaliação e de suas sensações de tempo com os dados reais permite precisar as reações rápidas e lentas.

Na última etapa o atleta deve realizar a prova mantendo um tempo determinado de reação. A comparação do tempo real de reação com o programa e com suas próprias sensações permite melhorar ainda mais a capacidade de reação.

A rapidez e a eficácia de uma reação simples ou especialmente difícil são determinadas pelo volume da informação recebida. No entanto, deve-se levar em conta que existe um determinado nível ótimo de informação que pode ser tratada e realizada com eficácia, diminuindo o tempo dos movimentos. Além disso, as particularidades individuais dos atletas exercem grande influência sobre a eficácia da reação e sobre as ações motoras.

Bibliografia

PLATONOV, V. N. Teoria geral do treinamento desportivo olímpico. São Paulo: Editora Artmed, 2004.

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Futebol: aprender a ensinar

O homem que joga é que dá sentido ao jogo, mas é o HOMEM que joga livremente, com satisfação, que é capaz de transformar.

Um dia a imaginação foi mais importante que o saber, mas para se criar, antes de tudo é necessário ELABORAR. E o futebol, com certeza é necessária preparação gradual para as realizações e concretizações que nele se objetiva.

Se há coisas difíceis de saber e entender, uma delas é o futebol e não existe esporte tão fascinante e ao mesmo tempo simples e por isso tão popular e um dos seus enigmas é o fato de ser mais fácil aprender a jogar do que a APRENDER A ENSINAR.

Nos anos 50, o Brasil encantava o mundo com sua arte de jogar futebol e num jogo entre Brasil X Suécia, partida vencida pelo Brasil por 7 x 1, muitos fãs e especialistas da época ficaram encantados com os jogadores brasileiros com seus passes, dribles, fintas, etc., e concluíram que a partir desses fundamentos, treinando todos os dias se igualariam ou até seriam melhores que nós. O tempo foi passando e durante esse tempo os europeus e o mundo chegaram à conclusão de que a forma pedagógica de ensino para o futebol estava sendo aplicada de forma contrária.

As qualidades e exigências atuais da MODERNIZAÇÃO DO FUTEBOL exigem de todos os envolvidos dentro desse processo, um PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO TÉCNICO-TÁTICO, FÍSICO e MENTAL, sistematicamente controlado.

Os problemas e questões que surgem para o ensino para as diferentes faixas etárias, tais como:

– qual o período que deve começar a especialização?
– como deve ser os exercícios técnicos – táticos para as diferentes faixas etárias?
– que elementos técnicos – táticos deve ser usado para as diferentes faixas etárias?
– como será a estrutura das sessões de ensino para as diferentes faixas etárias?

Todo trabalho atual dentro da prática do futebol, independente da faixa etária, consiste no trabalho que tem início nas realizações de JOGOS em forma de treinamentos, assim, o processo de aprendizagem deve ser um processo racional e fundamentalmente baseado em forma de jogos, baseados no PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO TÉCNICO-TÁTICO, FÍSICO E MENTAL.

A tarefa mais difícil que se coloca no ensino e na aprendizagem nos treinos de futebol, é a de correlacionar os meios didáticos a se utilizar, com a lógica de dentro do jogo, por isso, tão importante como análise do jogo para se poder compreender sua lógica, é entender sua natureza, método de ensino que será aplicado e análise escolhida, também são determinantes para uma via de eficiência e sucesso.

É necessário garantir durante os treinamentos situações reais e mais próximas da realidade que se apresenta nos JOGOS, ou seja, uma atividade verdadeiramente como se vê e como se sente, proporcionando de forma sistemática e afetiva, o máximo de oportunidades no ataque e na defesa, mantendo deste modo um nível de MOTIVAÇÃO elevado.

Quanto menor for o número de jogadores dentro de um CAMPO REDUZIDO, maior será o número de vezes que o jogador será solicitado para as ações ESPECÍFICAS do jogo e maior também a oportunidade de um desenvolvimento individual.
Com base na análise da estrutura geral do jogo, que se expressa por uma situação:

G.K + 10 X 10 + G.K

É o POSICIONAMENTO e a MOBILIDADE dos jogadores entre uma mesma equipe, com ou sem bola, que constituirá uma primeira etapa na via da SIMPLIFLICAÇÃO (1 X 1 – 2 X 1 – 3 X 3 – 4 X 4 – 5 X 5 – 7 X 7 – 9 X 9 ) da estrutura complexa do jogo, tornando as resoluções e os problemas, fáceis de entender e de assimilar e lógica para os jogadores.

Situação fundamental do jogo

Defesa X Ataque

Para se compreender a lógica do jogo é preciso viajar pelo seu interior, por isso é necessário tornar as coisas mais simples, sem desvirtuar sua natureza fundamental, ou seja, sem tirar a virtude e o merecimento.

Em cada momento do jogo ao tornar as tarefas de ATAQUE e DEFESA, que cabe a cada uma das equipes, independente de ter ou não posse de bola, atacar e defender constitui para o atleta, atitude de base interdependente e indissoluvelmente ligada umas as outras. Já os comportamentos técnico-táticos se expressam de forma antagônica durante o jogo. Deste modo num dado momento do jogo a evolução dos diferentes comportamentos técnico-táticos de uma mesma equipe revestem-se num plano de atitudes de mesma significação, orientadas em função de uma meta comum para as duas equipes.

Assim, as relações das ações tais como: anulação das ações ofensivas, recuperação e manutenção da bola para criação de situações de finalização e ainda criação de vantagens propriamente dita, etc, todas essas situações devem ser realizadas em treinamentos, através de JOGOS AUXILIARES (TÉCNICO-TÁTICO, FÍSICO e MENTAL), mas desde que o instrutor, treinador ou orientador, que esteja trabalhando saiba exatamente diferenciar os OBJETIVOS para qual faixa etária estará direcionando o objetivo proposto e também que esteja dentro de um PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO.

Exemplos de jogos auxiliares (técnicos-táticos e físicos)


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O sonho de jogar futebol: quem está preparado para cuidar dos jovens atletas?

Num país como o Brasil, com uma extensão territorial enorme, podemos identificar costumes, sotaques, brincadeiras, jogos diferentes em cada região, uma característica muito interessante e que enriquece todo acervo cultural brasileiro. Infelizmente, também é notória uma distribuição de renda extremamente injusta, onde comumente presenciamos famílias com dificuldades financeiras seriíssimas, beirando o estado de miséria, sem ter o que lhes é assegurado como direito do cidadão: saúde, educação, alimentação, transporte e moradia entre outros.

Devido a essa situação e no anseio de melhorar sua condição econômica, jovens, muitas vezes incentivados pelos pais ou motivados pelo sonho de se tornarem jogadores de futebol, percorrem times por todo país encontrando frequentemente locais sem as estruturas básicas de atendimentos, violando assim o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Para diminuir este tipo de abuso, foi realizada uma investigação em pelo menos cinco estados com o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público dos Estados e Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), a qual encontrou garotos integrantes das categorias de base de futebol sem freqüentar a escola, sem remuneração ou alojados em condições precárias, nos clubes de Minas Gerais.

Recentemente, mais um caso foi descoberto em Belo Horizonte, verificou-se que 20 adolescentes de 11 a 17 anos, vindo de vários estados brasileiros com a promessa de fazerem testes em clubes de São Paulo e Minas, estavam em dois alojamentos também em condições precárias, onde dormiam em colchonetes e recebiam alimentação uma vez ao dia.

Fatos como esse devem acontecer a todo o momento, meninos esperançosos e corajosos se distanciando de suas famílias em busca de um dia, talvez, se tornarem um ídolo do esporte. Mas, o que presenciamos são desilusões da maior parte desses aspirantes a jogadores, sobrando apenas frustrações e sentimentos de incapacidade, o que pode influenciar no decorrer da vida desses garotos. Por conta desta situação fica a pergunta: será que os clubes estão preparados para lidar com esses jovens? Quem é responsável pela fiscalização?

Com o futebol profissionalizado, os jogadores muitas vezes são tratados como um produto de compra e venda e os clubes se preocupam com o retorno financeiro proporcionado pelas transações comerciais ou com os títulos conquistados pela sua equipe. No entanto, durante a formação do atleta são esquecidos os fatores essenciais para a sua vida em sociedade: a construção de valores éticos, sociais e morais.

Os clubes devem oferecer uma estrutura não só de acomodação (descanso) e alimentação adequadas dando a oportunidade dos atletas se recuperarem do desgaste provocado pelo jogo ou treinamento, como também oportunizar a todos um sistema educacional consistente, formando um cidadão com possibilidades de escolher o seu caminho, seu futuro, seja por meio ou não do esporte.

Bibliografia

POVO, GAZETA. DO. Jovens que queriam jogar futebol são achados em condições precárias. Gazeta do Povo, 13 de março de 2008. Disponível em:
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/brasil/conteudo.phtml?id=746616. Acesso em: 14 de março de 2008.
PRÓMENINO. Ministério Público Investiga trabalho infantil em clubes de futebol. Fundação Telefonica, 29 de fevereiro de 2008. Disponível em: http://www.promenino.org.br/Ferramentas/Conteudo/tabid/77/ConteudoId/ae2e041a-ea66-460f-bbea-43f24f6ab0f4/Default.aspx. Acesso em: 14 de março de 2008.

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Futebol brasileiro: uma cultura

O futebol no início do século XX atingiu sua influência nacional apesar de, em meados da década de 1920, ter se caracterizado como esporte da elite. A popularização é tão nítida, que nosso país chega a parar quando a seleção masculina de futebol tem jogo na Copa do Mundo. E nem precisa estar na final da Copa para isso acontecer, mesmo no jogo de estréia, o país pára para assistir a seleção jogar.

O futebol é assunto para discussão em qualquer lugar do mundo e o assunto pode ser desde uma criança chutando uma bola aos 2 anos de idade, até qual seleção está melhor preparada para ganhar a Copa do Mundo. Segundo DaMatta et al. (1982, citado por DAOLIO, 2006) o futebol é o ópio do povo. Como exemplo temos o Mundial do México de 1970 em que o Brasil estava em busca do tricampeonato mundial, e o país vivia a ditadura militar, época de repressão e censura. Enquanto isso, o esporte, ao contrario do trabalho, da guerra, talvez fosse uma das poucas atividades, menos séria e censurada.

Nesse sentido poderia ser associado a valores de divertimento e recreação, com único objetivo de enganar ou distrair a população dos problemas realmente sérios.

De acordo com o autor acima citado, o fato do futebol ter crescido tanto neste país se deve a ele não pertencer mais à camada dominante e sim a população, que exprime uma série de problemas em alternadas percepções e emoções concretas, sentidas e vividas. Assim, existe certa co-relação ao espetáculo do jogo e a sociedade brasileira em seus rituais de comportamento, sendo uma condição sociocultural do povo brasileiro de se adaptar em determinadas práticas, nas quais existe igualdade de condições, pois as regras do futebol, isso o possibilita.

O ponto que caracteriza o futebol é sua forma de jogar que é com os pés. Segundo Mauss (1974 citado por DAOLIO, 2006) a habilidade com os pés é uma característica motora de uma sociedade, possível de ser transportada para seus descendentes. Podemos dizer então que isto explicaria porque os meninos e agora as meninas do Brasil crescem jogando futebol. Sendo um esporte coletivo e individual ao mesmo tempo, que expressa suas iniciativas em dribles, fintas, uma malandragem totalmente brasileira, o futebol ilustra o conflito potencial da criatividade individual, que floresce nas jogadas de efeito como bicicletas, lençóis, dribles e coletividade do conjunto, para o qual se deve jogar.

Bibliografia

DAOLIO, JOCIMAR. Cultura: Educação Física e futebol. 3ª edição. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.
 

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A inserção do TGFU no futebol de base

O termo TGFU (teaching games for understanding ou ensinando jogos para compreensão) foi elaborado pelo canadense Tim Hopper entre outros autores em meados dos anos 80. Esta perspectiva trouxe uma dimensão mais exata no aspecto de aprendizagem, pois é uma metodologia interacionista pela qual busca sempre o raciocínio lógico dos jogadores nos contextos de jogos. O esquema que ilustra a totalidade dessa tendência é o seguinte:


Como mostra o modelo acima, o aprendizado está inserido em um processo que se inicia no jogo propriamente dito, isso porque não há como fragmentar as partes do todo como, por exemplo, um treino de chute a gol onde o único intento é finalizar na meta; o atleta deixa de vivenciar as outras vertentes que compõem o jogo, bem como: passes, lançamentos, marcações, interceptações e principalmente os aspectos táticos e psicológicos. Dentro desta linha tecnicista é excluída também a abordagem do interacionismo nos times, onde se encontra no quadro (4). Isso porque o método mais “fácil” de ensino é pelo autoritarismo, da qual o jogador não é formador de hipóteses e sim uma marionete nas mãos do treinador.

A extensão do TGFU vai de encontro aos três princípios dos JDC (Jogos Desportivos Coletivos) sistematizado pelo Prof. Julio Garganta na década de 90 que são: estruturação de espaço, comunicação das ações e relação com a bola. Essas primícias vêm corroborar o fato de que o atleta é um ser de motricidade humana, ou seja, completo em suas ações. Desta forma os jogos devem sempre contemplar as complexidades necessárias a cada treino e fazer com que o processo de assimilação e acomodação esteja cada vez mais inserido nos métodos de ensino.

Hoje em dia já existem clubes com essa filosofia de trabalho, onde se modernizaram ao ponto de entender o passo a passo da formação de atletas respeitando assim, o treino adequado a cada idade em específico e planejamentos correspondentes a cada época. Na Europa isso é mais comum em ser feito, haja vista de que estão à frente na questão de estrutura em termos administrativos, culturais e científicos. Mas no Brasil já existem clubes como o Paulínia Futebol Clube que segue a metodologia AFA (Associação Futebol Arte). O clube é orientado pelo Prof. Dr. Alcides Scaglia que norteia assuntos do cotidiano do futebol que precisam ser lapidados a ponto de chegar a ser um centro de excelência.

Portanto, os clubes formadores devem se apoiar em novas tendências no aspecto de aprendizagem, pois quanto mais se atualizarem, mais irão presenciar jogadores inteligentes e independentes nas resoluções de problemas que cada partida decisiva oferecerá.

Bibliografia

Thorpe, R.; Bunker, D.; Almond, L. Rethinking games teaching. Departament of Physical Education Sports Science University of Technology, Loughborough, Leics, 1986.

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Jogos / cultura de rua e o futebol

Resumo

O trabalho proposto visa compreender o jogo/cultura de rua e fazer com que o mesmo adentre escolinhas de futebol, aulas de educação física e todo o meio futebolístico, servindo como uma forte ferramenta pedagógica para o processo de ensino/ aprendizagem. A grande questão é de que forma jogos/cultura de rua contribuem para o futebol? Para resposta de tal indagação, uma vasta revisão bibliográfica sobre os fenômenos jogo, cultura e o futebol foi elaborada, evidenciando o quanto é importante agregar essa rica cultura ao futebol.

Introdução

A relação entre jogo e cultura é imensa, não sabemos se o jogo advém à cultura ou a cultura advém ao jogo, logo podemos considerar que os mesmos estão justapostos. Assim, jogo e cultura estão presentes no mundo da rua, um mundo livre, solidário, desafiador e muitas vezes cruel (classificamos rua todo ambiente que não pertence ao ambiente escolar e doméstico).

Esse mundo encantador fez e faz parte de toda sociedade dentro de sua forma de cultura, quem nunca brincou de taco, golzinho, três-cortes, pega-pega, policia e ladrão pique-bandeira, bolinha de gude, pipa, ou seja, quem nunca viveu esse ambiente?

E presos a esse mundo, quantas vidraças foram quebradas, bolas furadas, dedos esfolados, broncas levadas, amizades criadas, rompidas, e mesmo assim tempos depois estávamos lá buscando tudo novamente, pois estávamos contagiados pelo senhor do jogo.

A partir de toda essa cultura, é evidente que agregamos uma série de valores, conhecimentos e habilidades sejam elas cognitivas, motoras e afetivas. E o processo de ensino/aprendizagem do futebol, agrega essa cultura ao trabalho que desenvolve?

Pelo cenário que se desenvolve o ensino do futebol, observamos que muitas vezes a mesma não sabe usufruir dessa rica cultura em que muitos valores estão agregados aos alunos, pois esses trazem consigo mesmo uma história de vida com inúmeras experiências. Porém o futebol está ligado apenas a valores conceituais, operacionais, técnicos e burocráticos, com objetivos distantes da realidade dos alunos.

De que forma os jogos/cultura de rua podem contribuir para o futebol? O trabalho proposto visa evidenciar o quanto o jogo/cultura de rua pode contribuir no processo de ensino aprendizagem com ênfase nas aulas de educação física e escolinhas de futebol, levando em consideração toda a bagagem cultural do aluno, contribuindo para sua formação global.

Cultura e o jogo

Cultura é tudo aquilo que envolve uma sociedade dentro de suas diversas formas de expressão, sendo expressos por: linguagem (formas de comunicação), sistemas de organização e regras de conduta social, sistema de explicação do mundo (crenças, mitos, fábulas e folclore), artes, festividades, valores, entre outros.

Temos três visões de cultura, iluminista, evolucionista e psicológica. Geertz (1989) produz uma ruptura nas três visões, pois segundo o autor a visão iluminista era sobreposta a uma natureza boa do ser humano, então considerava-se a postura do indivíduo frente a sociedade. Já a concepção evolucionista considerava cultura como produto de um estágio evolutivo de cada grupo humano, sendo utilizada como critério para classificação dos humanos em primitivos ou civilizados, ou seja, cultura estava diretamente relacionada a conhecimentos formais e de boas maneiras, deixando de lado todas a experiências cotidianas e informais dos indivíduos.

Enquanto a visão psicológica considerava cultura coletiva, sendo apenas a somatórios das mentes e produções individuais, descartando uma cultura geral, dessa forma a cultura não influenciava no indivíduo.

Em momento algum objetivamos nos aprofundar na discussão antropológica do conceito de cultura, porém as palavras de Geertz (1989) são de suma importância para o entendimento da nossa proposta.

A cultura é a própria condição de vida de todos os seres humanos. É o produto das ações humanas, mas é também processo continuo pelo qual as pessoas dão sentidos a suas ações. Constitui-se em processo singular e privado, mas é também plural e público universal, porque todos os humanos a produzem, mas é também local, uma vez que é a dinâmica especifica de vida que significa o que o ser humano faz. A cultura ocorre na mediação dos indivíduos entre si, manipulando padrões de significado que fazem sentido num contexto especifico.

Assim a cultura influencia o indivíduo e o mesmo a cultura, sendo processo e produto da cultura, a mesma é variável em diferentes regiões, pois segundo Bodanese (2002), convém ressaltar que encontram-se culturas em estágios diferentes dentro de uma mesma época, pois a capacidade de cada pessoa e as suas condições gerais de vida diferem de um lugar para outro.

A cultura não é concreta e muito menos invariável, pois de acordo com o contato de novas idéias, diferentes culturas, gerações ela sofre transformações, com isso não podemos dizer que a mesma está perdida, mas sim que sofreu adequações ao meio de acordo com a época, sendo acumuladas ou transformadas. Antropologicamente sabemos que a cultura é o conjunto de experiências humanas adquiridas pelo contato social e acumuladas pelos povos através do tempo.

A partir desse entendimento de cultura, podemos relacioná-la quanto a nossa linha de pesquisa – jogo/cultura de rua e a educação – porém muitos devem estar se perguntando o que um artigo da área de educação física, área que muitas vezes esta relacionada a ciências biológicas, almeja alguma co-relação quanto a cultura?

Diferentemente de outras abordagens da educação física que seguem outra linha de pensamento, acreditando na formação humana decorrente de fatores biológicos, deixando os aspectos culturais em último plano, não somos convencidos por tal idéia e temos outro entendimento, partindo do seguinte pressuposto, que para Geertz (1989) isso leva a construção de um ser “estratigráfico”, ou seja, o indivíduo obtém como núcleo o componente biológico, superposto sequencialmente por estratos psicológicos, sociais e a camada mais externa a cultural.

Descartamos esse indivíduo “estratigráfico”, dessa forma entendemos que o ser humano é formado por uma simultaneidade biológica e cultural, um ser humano que é formado por todas dimensões (biológica, social, psicológica e cultural), tendo os fatores biológicos associados a ambientes e cultura, assim, todas dimensões compõem o individuo de forma “sintética”, pois Geertz (1989) afirma que o cérebro humano é também cultural.

Levando em consideração todos os aspectos relacionados a cultura, citados a cima, co-relacionado com nossa área de trabalho, deixamos bem claro que não concordamos com padrões de movimento, pois segundo Freire (1989) as diferenças étnicas, sociais e culturais das diversas populações do mundo tornariam impossível qualquer padronização, estaríamos assim menosprezando a capacidade humana que os diferenciam de outros animais, a capacidade de pensar. O mesmo cita algo mais sobre movimento.

[…] organizações de movimentos construídos pelos sujeitos, em cada situação, construções essas que dependem, tanto de recursos biológicos e psicológicos de cada pessoa, quanto das condições do meio ambiente em que ela vive […]

De acordo com este autor, ficam questionadas em que situações existem tais possibilidades, de criar, construir, descobrir, imitar realizando movimentos? Logo pensamos em jogos de rua, jogos pelo quais diversos fatores influenciam, sendo fator predominante cultural, talvez, aí a justificativa para tal artigo.

É de suma importância para o desenvolvimento dessa discussão saber realmente, o que é o jogo? A procura dessa resposta, uma fiel revisão bibliográfica as obras daqueles que realmente tentaram desvendar
e caracterizar o fenômeno jogo. Para Huizinga (1995), o jogo é anterior ao homem, sendo assim anterior a cultura, segundo o autor até animais irracionais como cães jogam. A partir desse pensamento, o jogo permite o desenvolvimento da cultura.

Opondo-se a Huizinga (1995), o estudioso Caillois (1990) defende o jogo como proveniente da cultura, e não a cultura proveniente do jogo, como o autor anterior afirma. Para Caillois (1990) o jogo é uma degradação das atividades dos adultos.

Observamos as visões opostas de grandes pesquisadores, gastaríamos infinitas linhas e folhas discutindo o assunto, porém o trabalho proposto não visa saber quem está certo ou errado, mesmo porque não chegaríamos a um consenso, mas os fatos são de grande valor, para que fique claro as palavras que citamos no início desse trabalho, jogo e cultura estão justapostos.

Apesar do valor das palavras desses citados acima, outros autores podem contribuir para o entendimento do complexo assunto abordado, como Brougère (1998), que afirma o jogo como um fato social que produz uma cultura, e ao mesmo tempo é produzido por uma cultura, trazendo a tona mais uma vez a forte ligação jogo/cultura. Fica inquestionável o conhecimento dos citados acima, porém se perdem ao falarem sobre o jogo, para os mesmos qualquer questão relacionada à ludicidade prende-se ao jogo, de forma que não podemos viver a utopia de que tudo é um jogo, que a vida é um jogo. Freire (2002) faz fortes críticas aos mesmos quanto a essa questão, o autor cita exemplos, como a guerra, a caça e até o trabalho como outras formas de se obter ludicidade fora do jogo. Deixando claro que a vida não se limita a um jogo, porém não podemos subestimar os valores que o mesmo possui na sociedade.

A discussão não se encerra nesse momento, o mesmo autor caracteriza o jogo como uma simulação da realidade, porém ao contrário de outros autores o mesmo caracteriza-o de forma mais pautada, segundo Freire e Scaglia (2003 p. 33).

O jogo é uma categoria maior, uma metáfora da vida, uma simulação lúdica da realidade, que se manifesta e se concretiza, quando as pessoas praticam esportes, quando lutam, quando fazem ginásticas, ou quando as crianças brincam.

Percebe-se que o jogo está diretamente e internamente relacionado a diversas manifestações culturais, sendo que os autores o contextualizam com a cultura corporal do movimento (objeto de estudo da educação física). Diferenciando-se dos autores anteriores que viam o jogo de forma utópica. Logo nos perguntamos, o que há de tão bom nesse tal jogo? Onde todos, sem exceção somos contagiados pelo mesmo?

Seja nas mais diversas sociedades, da bolinha de gude ao pocker, do futebol ao vídeo game, do jogo que for, de alguma maneira você esta atrelado a esse mundo. Quando jogamos, adentramos um mundo da fantasia pelo qual somos consumidos, porém, ao mesmo tempo somos donos do mesmo, saímos e entramos a hora que quisermos. Mas quando nos distanciamos, uma forte saudade nos convida a retornarmos. Tais palavras podem-nos facilitar a compreensão em relação ao mundo do jogo, ser do jogo e senhor do jogo citados por, Venâncio e Freire (2005).

Esses argumentos respondem o motivo pelo qual se torna tão fascinante e presente em todas as sociedades e diferentes formas de cultura.

Nota-se ao decorrer do nosso trabalho a importância dos referenciais teóricos que dizem a respeito do jogo, também é claro que apesar de considerarmos os mesmos, em momento algum fragmentamos o fenômeno jogo, pois Freire (2002) corrobora com nosso entendimento de que, caso fragmentarmos o mesmo, faremos uma busca infinita, um caminho sem fim em relação ao jogo. O mesmo Freire (2002) faz duras críticas a quem fragmenta o jogo, para ele o ambiente e o jogo têm total relação, sendo assim, autores como Huizinga, Caillois, Brougère e Chateau, permeiam uma busca sem fim quando tentam caracterizar o jogo por partes. Dessa forma, entendemos que devemos estudar o jogo em sua totalidade, e não à simples partes.

A partir desse amplo entendimento sobre o jogo/cultura, como os mesmos se desenvolvem no mundo da rua?

Jogos / cultura na rua

A revisão bibliográfica feita até aqui, deixa bem claro o quanto o jogo e a cultura estão justapostos, onde quer que um esteja outro o acompanha, quem sucede quem, não tivemos o mérito de desvendar, mas, que estão juntos estão. As considerações obtidas no capítulo anterior deixam bem claras o quanto o ambiente é fundamental para o desenvolvimento do jogo/cultura. E quanto ao ambiente da rua? Um ambiente livre para ser criança, ou seja, para brincar, cheio de desafios, amigos, obstáculos, crueldade, etc. Como jogo/cultura se desenvolve nesse ambiente?

O pensamento de Caillois (1990), citado anteriormente, nos abre horizontes a essa questão, pois, se o jogo é proveniente da cultura, dessa forma a cultura que permeia uma região, será refletida no jogo. Seguindo o pensamento do autor, caso em uma vila caiçara seja praticada a pesca, as crianças trariam a mesma para o mundo do jogo, pois para o mesmo o jogo é uma degradação da atividade adulta, sendo assim podemos até analisar certas sociedades através de seus jogos.

Assim como, Brougère (1998) nos flexibiliza outro entendimento perante o assunto, para o mesmo, o jogo é produto e processo cultural, ou seja, aproveitando o exemplo anterior, quando as crianças brincam de pescar, estão produzindo uma cultura, porém só brincam assim, pois pertencem a uma cultura. Visto isto, podemos analisar melhor os jogos/cultura de rua, exemplo simples de ser utilizado, é da famosa brincadeira de “polícia e ladrão” tendo seus sinônimos ao longo do tempo como” capitão do mato pega nego fujão” explicitando o quanto direta é a relação sócio-cultural com a brincadeira. Proporcionando-nos um novo olhar perante aos jogos de rua, mesmo aqueles que são tradicionais como pipa, pega-pega, cabra-cega, etc. Kishimoto (1993) faz grande estudo na área e para ela o jogo tradicional é aquele que é transmitido de geração para geração, reproduzindo uma cultura.

Entretanto, não podemos ser hipócritas querendo acreditar que os jogos tradicionais não sofrem influência da sociedade ao longo do tempo, dessa forma são alterados pela mesma. Basta analisarmos os jogos de rua de uma grande cidade no inicio do século e nos dias de hoje, mesmo porque a rua não se caracteriza apenas por jogos tradicionais.

Muitos fatores são considerados no mundo da rua, pois improvisos, respostas rápidas são exigidas a todo momento, formando assim uma forte relação das crianças quanto a valores cognitivos e corporais sejam por jogos tradicionais ou não, dessa forma, na rua temos o desenvolvimento de acordo com o Mauss (1974) das técnicas corporais, que para o autor seriam ” … as maneiras como os homens por sociedade e de maneira tradicional sabe ser-vir de seus corpos”. Então os jogos/cultura têm grande valia para a formação dessas técnicas corporais.

Dessa forma, os mesmos contribuem para a formação da cultura lúdica do individuo, porém o que é cultura lúdica? Para Brougère (1998), é um conjunto de procedimentos, regras e significações próprias do jogo, logo essa podemos afirmar é em sua boa parte composta por meio dos jogos de rua, essa cultura lúdica trará a criança grandes valores a sua formação.

Entretanto, não cometeremos o pecado de dizer que os jogos de rua estão presentes como antigamente na vida de todos, devido a todo processo de desenvolvimento urbano, a rua se tornou cheia de carros, edifícios, comércios e foram-se embora os espaços vazios, terrenos baldios, casas abandonadas, etc. dessa forma Kishimoto (1993 p. 96) faz um triste comentário quanto a esse ambiente,

Pode-se concluir que criança de rua são as únicas a usufruir do direito de partilhar de jogos livres, como os jogos tradicionais infantis que se desen
rolam em grandes espaços públicos como as ruas.

É triste saber que tal ambiente tão rico se perca em frente a esse processo evolutivo desenfreado de modo que apenas os menos favorecidos possam desfrutá-la. Concordamos com a autora que não é possível a todos desfrutar o mesmo ambiente, porém cada cultura reproduzirá os seus jogos de rua seja lá onde for.

Pois todos os valores citados acima sobre jogos/cultura de rua, como mostramos contribuem muito para o desenvolvimento do indivíduo, porém, se esse ambiente está sendo perdido, e possui tantos benefícios, para a formação do indivíduo, porque aulas de futebol, sejam em escolinhas ou nas aulas de educação física não se utilizam desse mundo para seu desenvolvimento.

Jogos / cultura de rua e o futebol

De que forma jogos /cultura de rua contribuem para o futebol? Esse é o tema problemático do trabalho abordado. Para desembaraçar-mos tal questão, necessitamos saber qual o verdadeiro valor desses jogos/cultura de rua? E qual o objetivo das aulas de futebol?

A primeira questão já foi previamente discutida no capítulo anterior mostrando que a rua traz toda uma cultura, contribuindo para a vida dos indivíduos. Já em relação à segunda questão, consideramos que as aulas têm como papel primordial educar que segundo Venâncio e Freire (2005) é mais que transmitir conteúdos é ensinar a viver. Seguindo com este pensamento entendemos que as aulas de futebol devem, ensinar futebol a todos, ensinar bem o futebol a todos, ensinar mais que o futebol a todos e ensinar a gostar de esportes.

Entretanto, na rua a cultura como mostramos anteriormente está sempre presente, enquanto escola/escolinhas desdenha e não considera essa bagagem cultural do aluno, lembrando Freire e Scaglia (2003), deixando todo conhecimento do aluno na porta da escola, como tudo que aprendeu antes da escola não tivesse valor para o desenvolvimento do cidadão. Falta à escola/escolinhas ensinar mais para a vida do aluno, não apenas para uma simples “peneira”, visando apenas formar um atleta (sem desconsiderar a importância de formar um atleta ou uma equipe de competição).

Entendemos que o sistema educacional esportivo não ensina para a compreensão, os alunos apenas conhecem os conteúdos, lembramos Blythe (1998) que diferencia conhecer e compreender, para conhecer basta apresentar habilidade em alguma tarefa. Enquanto para compreender é preciso flexibilizar o conhecimento em diferentes situações. Dessa forma acreditamos em aulas onde haja compreensão e para proporcionar a mesma, temos de flexibilizar, facilitar e resignificar os conteúdos aplicados aos alunos, utilizando o mesmo como uma ferramenta pedagógica, pois nada melhor do que a cultura lúdica agregada na rua para facilitar e significar o processo de ensino/aprendizagem, porém de que modo usar jogo/cultura de rua no futebol?

Apenas trazer o jogo da rua para o futebol seria muito pouco, e dificilmente chegaríamos a um objetivo comum, lembrando que o nosso jogo de rua pode ser diferente do seu, e assim por diante. Imagine a escola/escolinha ensinando brincadeiras como “vão de perna – pé na bunda”, “meinho”, ” balança caixão” entre outras em que reconhecemos sua crueldade. Porém as mesmas apesar de cruéis representam e fazem parte de uma cultura. Entretanto podemos trazer o jogo da rua para o ensino do futebol de modo que o mesmo contribua para o processo de ensino/aprendizagem com as suas adaptações pedagógicas. Dando-nos suporte a tal pensamento contamos com Freire (1998 p. 2) Referindo-se ao futebol, nos dá suporte a esse pensamento, pois para o autor:

[…] como a escola não é a rua é claro que isso só se pode ser feito com diversas adaptações. Por um lado se perderá o ambiente natural de aprendizagem das brincadeiras de rua, por outro lado isso poderá ser compensado com inclusão de bons profissionais que sejam formados para, efetivamente ensinar […]

Dessa forma podemos agregar a rica cultura da rua ao processo de ensino/aprendizagem, respeitando e ampliando as compreensões dos alunos.

Considerações finais

Sem dúvida alguma o jogo/cultura de rua está presente nas mais diversas sociedades, nas mais diversas culturas. Visto isso é de grande concordância dizer que são fenômenos que engrandecem a espécie humana, sendo jogo e cultura justapostos produto e processo cultural, o jogo proveniente da cultura, do modo que for, contribui e muito para o desenvolvimento do ser humano.

Reconhecendo o esporte como grande fenômeno cultural do século XXI, e toda magnitude do futebol na sociedade brasileira, não podemos esquecer que o mesmo tem dimensões muito maiores nas ruas do que nos gramados, sendo essa rua muitas vezes a grande responsável pelo ensino do futebol.

Ensino que por sua vez é agregado não apenas por atividades diretamente ligadas ao futebol, e sim por meio das mais diversas brincadeiras condizentes a determinada cultura. Explorando toda uma cultura lúdica, construção de regras, soluções de problemas e os mais diversos desafios que a rua oferece.

Portanto, o jogo/cultura de rua é sim fundamental para formação humana, sendo bem utilizado por profissionais capazes, podem e devem penetrar os limites da escola/escolinha de futebol, tornando-se uma grande ferramenta pedagógica para o processo de ensino/aprendizagem, facilitando a formação do tão requisitado jogador/cidadão, crítico, autônomo e consciente.

Bibliografia

BROUGÈRE, G. brinquedo e cultura 4ª ed. São Paulo ed. Cortez, 2001.
DAOLIO, J. Cultura: Educação Física e Futebol 2ª edição Campinas: UNICAMP 2003.
_________. Educação Física e o Conceito de Cultura Campinas; ed.autores associados, 2004.
FREIRE, J.b. Educação como Prática Corporal – São Paulo – ed Scipione 2003
__________. educação de corpo inteiro: teoria e prática na educação física 4ª ed. São Paulo ed. Scipione 2003.
_________.Pedagogia do futebol campinas autores associado, 2003.
__________. O Jogo entre o Riso e o Choro Campinas – autores associados 2002.
FREIRE, J. b VENANCIO, S / O Jogo Dentro e Fora da Escola Campinas Autores associados.
_________.Pedagogia do futebol campinas autores associado, 2003.
FREIRE, P. Educação e mudança, rio de janeiro: Paz e Terra, 1991.
_________. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários á pratica educativa. São Paulo: Hopper 2006.
FRIEDMANN, A. “Brincar: Crescer e Aprender: o resgate do jogo infantil, São Paulo – ed.”. Moderna.
GIL. a.c.. Como elaborar um projeto de pesquisa? Ed. 4, São Paulo Atlas 2002.
HUIZINGA, j. Homo Ludens 5ª ed. São Paulo ed. Perspectiva.
POGRÉ, P.; Equipe do Colégio Sidarta. Ensino para compreensão São Paulo Hooper
VECCHI, R l; Ensinar Para a Compreensão: teoria analisada a partir do conhecimento adquirido, na visão dos graduandos em educação física da USJT. (monografia de graduação) Universidade são Judas Tadeu, São Paulo 2003.
SCAGLIA, A.j., DURAN, m. – Jogo cultura Lúdica e prática corporal 2000 xérox.
____________. Futebol que se Ensina e Futebol que se Aprende. Dissertação de mestrado FEF Campinas 1999
____________. “”Escolinha de futebol: uma questão pedagógica” – revista motriz – UNESP – RC vol2, N1 1996″.

* Graduandos do curso de licenciatura do Unimódulo – Centro Universitário. Participantes do GEPEEFE (Grupo de Estudo de Pedagogia do Esporte e Educação Física Escolar);

** Professor Mestre do Unimódulo – Centro Universitário e orientador do GEPEEFE.

Av. Frei Pacífico Wagner, 653 – Centro – Caraguatatuba/SP – CEP 11660-903.Fone (0xx12) 3897-2000. e-mail: prof.betocosta@gmail.com.

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A mudança no torcedor

A proximidade do Campeonato Brasileiro trouxe novamente a polêmica sobre o sistema de disputa. Aqui mesmo, na Cidade do Futebol, recentemente, o diretor da Globo Marcelo Campos Pinto discutiu o tema sugerindo mudanças. Normalmente, as ponderações contra o sistema de pontos corridos seguem carregadas de motivações muito mais relativas ao mau desempenho de um clube ou clubes de um estado do que à fórmula em si. A realidade é que o atual modo de disputa acaba sendo o mais justo e tem conseguido um efeito muito interessante: mudou o comportamento do torcedor brasileiro.

Acostumado apenas a enxergar o título como algo com valor, o fato é que os torcedores passaram a se interessar por outras posições na tabela de classificação. Seja porque o time fica com chances de Libertadores, Sul-Americana e a luta pela fuga do rebaixamento. Com isso, praticamente todos os jogos passaram a ter valor. O que o sistema antigo (todos eles) não permitia. No modelo antigo, o torcedor brasileiro, diferente de todo o resto do mundo, só sabia ver qualquer competição focado no primeiro lugar. Muito pelo contrário, agora já se passou a comemorar o segundo lugar, oitavo, a escapada da degola do rebaixamento.

Essa mudança é significativa, valoriza o campeonato e o torna atraente financeira e tecnicamente. Portanto, qualquer outro argumento que se apresente no momento, soa como desculpa para o fracasso de algum grande clube. Normalmente, quando vemos que algum clube ou que os representantes de algum estado (especialmente Rio e São Paulo) não vão bem, logo surgem os questionamentos na mídia sobre o sistema de competição. Não é possível que a parcialidade e interesses pouco esportivos encubram o valor significativo que representa essa mudança de comportamento do torcedor.

Até mesmo em termos de violência. Não é por acaso que o próprio comportamento das torcidas, como foi observado anteriormente, não chame a atenção dos críticos do sistema de pontos corridos. A partir do momento que todas as posições na tabela passaram a serem significativas, vale mais incentivar seu time do que brigar. Qualquer ato de indisciplina do torcedor podia interferir no mando de campo e, conseqüentemente, prejuízo na posição da tabela. O sistema de pontos corridos colocou o futebol pentacampeão do mundo dentro da modernidade da disputa.

O argumento de que favorece aos clubes mais bem estruturados, ao contrário do que pensam os críticos, só reforça a necessidade e valor do sistema de pontos corridos. É a premiação à competência dentro e fora de campo. E isso não pode deixar de ser prioridade em termos esportivos. Sorte sempre fez parte do futebol, mas não pode ser o critério prioritário como era no sistema do mata-mata. Portanto, se há algo a ser comemorado por todos nós que amamos e estudamos o futebol é o sistema de pontos corridos.

* Márcio de Oliveira Guerra é coordenador do Núcleo de Pesquisa em Comunicação, Esporte e Cultura da UFJF

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Ausência

Caro leitor da Cidade do Futebol,
 
Infelizmente, informamos que a coluna de Oliver Seitz não será publicada nesta quinta-feira.
 
Pedimos desculpa por esse infortúnio e estamos trabalhando para que ele não volte a acontecer na próxima quinta-feira.
 
Obrigado pela atenção!
 
Sem mais,
 
Equipe Cidade do Futebol
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