‘Fator campo’: a influência sobre a decisão do árbitro

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No futebol – assim como em outras modalidades – todos reconhecem a importância de se jogar em casa. Campo e rotina conhecidos, relação topofílica entre o ambiente e o futebolista, e a maioria da torcida a favor. Torcida que incentiva, empurra, vibra e influencia não apenas no desempenho da equipe, mas também nas decisões do árbitro.
 
Estudo revela que quanto maior a assistência do estádio em uma partida de futebol, maior a marcação de faltas para a equipe local (DOWNWARD; JONES, 2007). À medida que aumenta o número de torcedores locais no estádio, o árbitro fica mais sujeito a anotar as faltas para os anfitriões. É óbvio que com a torcida local mais numerosa, as reclamações, as vaias, as gesticulações, as provocações e as ameaças serão mais intensas e, dessa maneira, acabarão por influenciar na decisão do juiz.

Em muitas dessas vezes, vão ocorrer equívocos e um dos lados vai se sentir prejudicado. Sem hipóteses de que o árbitro volte em sua decisão, o jogador, sentindo-se injustiçado, vai recorrer à violência. Por sua vez, um ambiente hostil é capaz também de gerar hostilidade nos torcedores e a violência ser verificada nas arquibancadas (LEE, 1985).

 
O estudo foi realizado na Inglaterra, onde quase todos os estádios, salvo alguns, têm o mesmo formato e pouca distância entre o campo de jogo e a plateia. Ademais, os torcedores visitantes são colocados no local de pior acústica do estádio, para que suas canções, vaias e reclamações sejam abafadas, maximizando as manifestações do público “dono da casa”, mesmo pouco numerosa.

Tudo isso se aplica à América do Sul e ao Brasil, mesmo que aqui a arquitetura de seus estádios seja bem diferente da de seus vizinhos. Aqui há uma distância maior entre o gramado e o público, ao contrário do que acontece em muitos países da região.

 
Assim sendo, Fifa, federações nacionais e organismos locais adotaram medidas de segurança nos estádios, tendo em vista não apenas a preservação do torcedor – fazendo com que ele frequente mais o estádio -, mas também a própria preservação do jogo. A equipe, sim, pode ser incentivada e influenciada pelo público, mas não a equipe de arbitragem, responsável pelo andamento da partida, cumpridora da legislação do futebol. Por deter esse poder, usa em princípio a cor preta em seus uniformes, como símbolo da imparcialidade, assim como os juízes de Direito.
 
É por isso que a entidade máxima reguladora do futebol estabeleceu regras tendo em vista preservar o jogo. Dentre elas estão a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, determinação de uma distância mínima entre o campo de jogo e a arquibancada, a implantação de uma fossa ou instalação de uma cerca de, no mínimo, 2,20m entre os dois ambientes – quaisquer medidas que não sigam essas recomendações só seriam aprovadas após vistoria de peritos. O que acontece na Inglaterra, por exemplo.
 
Entretanto, não é a distância do gramado, a altura de uma cerca ou a existência de uma fossa que impedirá alguns torcedores de provocar e intimidar juízes, auxiliares (“bandeirinhas”) e assim influenciar o jogo, o que a Fifa teme. Com isso, muito tem sido investido na formação e treinamento dos árbitros (principais e auxiliares), para que fiquem alheios ao “fator campo”, bem como os próprios treinadores preparam os seus jogadores para ser mais ou menos favorecidos nos jogos.
 
Por mais que se coloquem medidas para atenuar a manifestação da torcida local, que possa interferir na decisão do árbitro, ela não vai acabar. Com o passar do tempo, o público pode se tornar mais consciente do papel do árbitro, mas, enquanto isso não acontece, a equipe de arbitragem precisa estar bem preparada para os diversos cenários, bem como o gestor do esporte para potenciar a preservação do público. E do jogo.
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