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Um grupo de amigos, muitos jogando juntos desde meninos, que conquistou os títulos mais importantes da história do clube mais popular do país pentacampeão mundial merece um livro.

A história começa com um pacto de vitórias, como um “marco zero” para tantas taças, horas depois de uma derrota doída para o arquirrival em decisão por pênaltis. Um pacto também para proteger o jogador que perdera a cobrança decisiva. Acordo selado na mesa de um bar, dando de ombros para as críticas de quem mede a dor e a seriedade do outro pelo local onde se está.

E o que dizer do perfeito conjunto de virtudes, e até defeitos, que criaram uma química única, unindo gerações oriundas das divisões de base – na mais perfeita tradução da frase “craque a gente faz em casa” – e reforços pontuais, mas que preencheram lacunas como peças de um quebra-cabeça?

Time de talento admirável e de técnicos que souberam organizar a revolução tática de uma equipe que fazia tudo tão naturalmente que a excelência técnica não permitia que o apoio constante dos laterais, como os alas de um futuro não tão distante, chamasse a atenção. Ou o meio-campo congestionado de talentos que rodavam a bola e a negavam aos adversários deixando à frente apenas um atacante que se mexia por todo o campo, abrindo espaços e as defesas adversárias.

Tudo isso, treinando em campos de terra, por conta de reformas no gramado da Gávea, ralando braços, pernas e muitos dos melhores pés que já passaram pelo clube. A estrutura era o salário em dia e as premiações criadas por uma diretoria de vanguarda para a época que estimulava o time a vencer e lotar o “seu” estádio. Um combustível a mais para quem já era movido a gols e vitórias, impulsionado por uma massa de apaixonados que ganhou milhares de membros, exatamente pelos feitos desses heróis.

Grupo de figuras aguerridas e carismáticas que cultivam a admiração até de quem não ama as mesmas cores. Ou dos próprios adversários. E que, quando se juntam, mesmo com quilos a mais e cabelos e fôlegos a menos, ainda dão espetáculos em partidas de exibição. O amor pelo futebol bem jogado resiste ao tempo e une craques e o público. Mesmo trinta anos depois do auge.

Heróis sim. Mas humanos, sem ilusões de conto de fadas. Com falhas, sentindo os reveses com raiva, fogo e paixão de torcedor. Mas seguindo em frente para continuar vencendo e encantando. Para alimentar o mito, o esquadrão de talento incontestável apimenta as lembranças com todas as principais conquistas envolvendo polêmicas até hoje debatidas. Seja o tricampeonato em dois anos, a expulsão do craque adversário, o jogo que não acabou, o soco no zagueiro violento, o torcedor esfriando a reação do oponente, a final que quase não foi disputada por conta de um imbróglio com passagens aéreas ou o toque da mão “invisível” que salvou gol certo.

O Flamengo de Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Andrade, Tita, Adílio, Zico, Lico, Nunes, Carpegiani (jogador e técnico), mas também Cantareli, Rondinelli, Manguito, Toninho, Júlio César, Figueiredo, Vítor, Nei Dias, Carlos Alberto, Reinaldo, Peu, Chiquinho, Baroninho, Anselmo e tantos outros foi tudo isso.

Recheou a sala de troféus da Gávea com quatro estaduais (1978, 79, 79 “especial” e 81), três brasileiros (1980, 82 e 83), uma Taça Libertadores e um Intercontinental. Fora o pentacampeonato da Taça Guanabara e outros torneio no Brasil e no exterior. Uma catarse de sangue, lágrimas e fibra. Em seis anos intensos, inspirados, transpirados, épicos, campeões. Essencialmente rubro-negros.

Mas também verde-amarelos. Se o Flamengo ganhou tudo, fazendo o Rio de Janeiro ser o maior do mundo, o estilo e a escola de jogo ajudaram a forjar uma das maiores seleções de todos os tempos e campos. Um Brasil que não ganhou a Copa de 1982, mas conquistou o mundo com Zico, Júnior e Leandro como absolutos titulares de Telê Santana. Uma senhora Seleção também montada no mesmo 4-2-3-1 campeoníssimo na Gávea. Grupo que chegou a ter Raul, Adílio, Tita e até o reserva Vítor entre os convocados de Telê. Que deveria ter tido Andrade entre os chamados. Que poderia, quem sabe, ter sido ainda mais se tivesse sido mais rubro-negro.

A proposta – ou pretensão – desta obra é celebrar os trinta anos das principais conquistas internacionais do Fla, fazendo um vaivém na linha do tempo, como Zico – craque, artilheiro, camisa dez, capitão, líder e ídolo maior daquela equipe – na área adversária à espera da chance para o arremate letal. Para entender como o esquadrão chegou ao topo do planeta bola, contar os “causos” de história tão rica e refletir sobre o seu legado para o esporte.

Afinal, um certo time espanhol (ou catalão) que encanta o mundo em 2011 apresenta nítidas semelhanças em estilo e proposta de jogo com o verdadeiro escrete vermelho e preto de três décadas atrás. Uma equipe que merece reverência e continua sendo referência. A única brasileira que, ao lado do Santos de Pelé em 1961-62, unificou todos os títulos possíveis à época. Com o Brasileiro de 1982 em maio daquele ano, o Flamengo se tornava o último campeão de sua cidade, estado, país, continente e planeta.

Nas sábias palavras de Leovegildo Júnior, “um time de exceção”. Que merece mais que um livro. Faz jus à eternidade.

Esta é a apresentação de “1981 – Como um craque idolatrado, um time fantástico e uma torcida inigualável fizeram o Flamengo ganhar tantos títulos e conquistar o mundo em um só ano“, livro de André Rocha em parceria com Mauro Beting.

A obra narra a saga do time comandado por Zico desde 1975, com a montagem da equipe multicampeã, desde os doídos reveses até a fase das principais conquistas. O “centro temporal” do livro é o segundo semestre de 1981, mas a história vai até 2011, passando pelos títulos nacionais de 1980, 1982, 1983, 1987, 1992 e 2009. Por quê? Você vai entender.

Assim como vai saber o que pensam alguns dos protagonistas do esquadrão inesquecível – Zico, Júnior, Andrade, Adílio, Carpegiani, Raul, Júlio César “Uri Geller”, Rondinelli e Manguito – e também adversários: Roberto Dinamite, Abel Braga, Emerson Leão, Darío Pereyra e Palhinha. E verá por que Mano Menezes considera aquele Flamengo o melhor time que viu jogar. As polêmicas não foram esquecidas. Ouvimos José Roberto Wright sobre o Flamengo x Atlético-MG de Goiânia pela Libertadores.

Obviamente, as análises táticas com ilustrações pontuam o livro. Assistimos a 51 jogos: 42 na íntegra e nove compactos.

Fonte: Blog Olho Tático

Sobre os autores

André Rocha é jornalista e administrador do blog “Olho Tático”.

Mauro Beting também é jornalista esportivo.

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