1ª pesquisa PLURI sobre o potencial de consumo das torcidas brasileiras

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Quando decidimos fazer o estudo sobre o potencial de consumo das torcidas brasileiras, nossa principal motivação foi a de melhor qualificar as já conhecidas pesquisas de preferência de torcida, há anos feitas e divulgadas em nosso país. Mais do que saber qual a maior torcida, para os clubes é absolutamente essencial descobrir onde estão esses torcedores, quanto eles tem de recursos disponíveis, e qual a propensão a consumir parte de sua renda com produtos relacionados direta ou indiretamente ao clube.

Claro que, para o torcedor em geral, é motivo de orgulho saber que seu time possui o maior número possível de torcedores e simpatizantes, isso faz parte do orgulho de grupo que ajuda a definir a própria torcida em si. Todavia, não podemos esquecer que é a partir da relação com seus torcedores-clientes que os clubes obtêm os recursos que, ao longo dos anos, permitirão montar equipes mais ou menos competitivas.

Em resumo, é o gasto de seus torcedores, transformado em receita para o clube, que permite maior capacidade de competição dentro de campo. Claro que, alguns clubes são melhor geridos que outros, conseguindo mais resultados com menos recursos, mas é inegável que existe uma relação direta (e crescente) entre o poder econômico e a capacidade de competição dos clubes, daí a importância de saber qual a condição de renda e a predisposição do torcedor em gastar parte desta renda com produtos e serviços associados direta ou indiretamente ao clube do coração.

Na fase de maturação do trabalho, tínhamos em conta que, mais importante do que mensurar o tamanho de cada torcida (até porque esse é um tema objeto de inúmeras pesquisas feitas no passado), era se concentrar numa questão mais importante e cuja resposta tem sido apenas superficialmente arranhada: Qual a renda de cada torcida, e quanto ela está disposta a gastar com o clube de coração?

A informação sobre a renda dos torcedores é crítica na definição de patrocínios e contratos de transmissão, pois, mais importante do que saber quantas pessoas torcem para cada equipe, é descobrir quanto elas tem de renda disponível para consumir os produtos e serviços que lhe serão oferecidos pelos clubes e seus parceiros. Empresas que patrocinam os clubes podem investir de forma mais qualificada ao segmentar melhor o seu público, de acordo com a renda e outras características sócio-econômicas da torcida. E os clubes também podem aumentar seu poder de barganha tendo uma melhor estimativa do tamanho do bolso de seus torcedores.

Uma vez definido o objeto da pesquisa, passamos para outro desafio, o de definir a metodologia para quantificar isso. Há carência de estudos a respeito do tema não só no Brasil, mas em todo mundo, razão pela qual temos que adotar um certo grau de inovação no trabalho que desenvolvemos. E voltamos à questão: como determinar o tamanho da renda dos torcedores?

O primeiro passo para isso foi identificar onde residem os torcedores de cada clube. Por sorte, no Brasil podemos contar com a ajuda indispensável do IBGE (um dos melhores órgãos de estatística do mundo), cuja base de dados permite a mensuração de renda dos cidadãos e famílias Brasileiras por região, sexo, idade, faixa de escolaridade, etc. Portanto, a correta identificação da origem do torcedor é fundamental, pois possibilita aumentar o grau de confiança da estimativa.

Sabemos, por exemplo, que os torcedores que moram nos Estados do Sul e Sudeste tem, em média, uma renda bastante superior aos que moram no Nordeste. Também sabemos que, dentro do Estado de São Paulo, um torcedor que mora na Baixada Santista tem uma das rendas mais elevadas do País, contrastando bastante com moradores do Vale do Ribeira, região próxima, ainda no mesmo Estado.

Portanto, o cruzamento dos resultados apurados em nossa pesquisa com os dados do IBGE possibilitou chegarmos ao valor total da renda de cada torcida, o segundo passo para identificar qual o potencial de consumo de cada torcida.

Uma vez superada a tarefa de estimar a renda das torcidas, passamos para o desafio de mensurar o potencial de consumo delas. Ou seja, sabendo quanto os torcedores tem no bolso, precisamos descobrir que parte destes recursos eles estão dispostos a gastar com o clube do coração. Uma tarefa bastante complicada e que nos obrigou a fazer escolhas na hora de definir a metodologia.

Em nossa maneira de ver, o potencial de consumo depende basicamente de três condições:

1) Da Renda, cuja estimativa foi feita conforme explicado anteriormente;

2) Da disposição para consumir, que varia de torcida para torcida e é certamente a mais difícil variável de se mensurar. Apesar disso, sabemos que, em média, um torcedor que está próximo ao clube tem mais interesse por ele do que aquele que mora a centenas ou milhares de quilômetros de distância. Claro, sempre existem torcedores fanáticos espalhados pelo país, mas estamos tratando da média;

3) Da oportunidade de consumo, que depende da oferta e, portanto, da localização geográfica do torcedor. Ou seja, um torcedor que mora próximo ao seu time de coração terá mais oportunidades de consumo de produtos de seu time justamente em função desta proximidade. Por exemplo, ele pode ir ao jogo de seu time com muito mais freqüência, e encontrará uma oferta muito maior de produtos licenciados para comprar. Pode se tornar sócio-torcedor, comprar um camarote, etc.

Além disso, no ambiente do clube ele estará muito mais inserido no clima de rivalidade que por si só gera mais consumo. São os jornais, rádios e tv’s locais com seus vários programas que contribuem para manter o torcedor engajado no dia a dia do seu clube, incentivando-o a deixar claro de qual lado ele está perante os torcedores adversários, e uma das maneiras de se fazer isso é consumindo produtos do time (ingressos, planos de sócio-torcedor, camisas, produtos licenciados, etc.).

Por sua vez, um torcedor do mesmo clube, em uma cidade a 3 mil quilômetros de distância, tem muito menos condições de consumo, mesmo que tenha uma boa renda e um alto grau de paixão pelo clube. A começar porque ele dificilmente (ou nunca) poderá ir a um jogo de seu clube. Além disso, a possibilidade de consumir produtos de seu time é menor, pois há menos oferta (além de um índice maior de produtos pirateados) quanto mais longe se estiver da sede do clube. Também os planos de sócio e/ou sócio-torcedor oferecem, em sua maioria, poucos atrativos para torcedores de outros estados, e por isso geralmente tem pouca adesão por parte deles. Os exemplos são inúmeros.

Portanto, em nossa metodologia consideramos que o torcedor que mora no estado sede do clube tem um propensão a consumir consideravelmente superior ao torcedor que mora em outros estados. É verdade que possuir torcedores por todo o Brasil é um ativo de grande valor, devendo ser melhor aproveitado pelos poucos clubes que podem se dar ao luxo de contar com esses torcedores. Abrir lojas franqueadas é um bom exemplo, assim como ampliar a oferta de produtos licenciados.

Todavia, os clubes muitas vezes não fazem esse trabalho a contento por uma questão de custos, já que é mais barato (e gera um retorno maior) investir em ações junto ao público que está próximo à sede do clube.

Ao final do estudo, a principal conclusão que chegamos é que há um grande volume de recursos disponível em mãos (e bolsos) dos torcedores brasileiros, esperando para serem convertidos em receitas pelos clubes e seus parceiros. A questão é se está sendo oferecido ao cliente (lembrem-se, o torcedor é um cliente), um produto no nível adequado ao que ele espera. Portanto, não se trata de se perguntar se o torcedor tem ou não os recursos, e sim se ele está ou não disposto a pagar o que lhe pedem em contrapartida ao produto que é oferecido.

Para ler o
relatório completo, clique aqui.

*Economista, Especialista em Gestão e Marketing do Esporte e Pesquisa de Mercado.

Contato
: fernando@pluriconsultoria.com.br

Twitter: @fernandopluri

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