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O atleta e a conquista da excelência pessoal – 2ª parte, o comprometimento

Volto aqui para continuarmos nossa jornada rumo a excelência no desempenho pessoal e profissional dos atletas. Na semana passada comentei sobre a busca de cada um pela excelência e na ocasião falei sobre a concentração. Na coluna de hoje irei falar sobre o elemento comprometimento na busca pela excelência.

O centro da excelência humana, muitas vezes, começa a se materializar quando você descobre uma busca que o realiza plenamente, liberta, desafia ou lhe dá uma sensação de significado, prazer ou paixão. Quando encontra algo ou um motivo em uma busca, ou dentro de você mesmo, que realmente tenha o compromisso de desenvolver, tudo mais ao seu redor pode crescer.

Cada um de nós tem uma visão daquilo que deseja buscar, de onde deseja chegar ou do que deseja profundamente realizar? Se você tem essa visão, torne-a clara em sua mente e pense nela frequentemente! Caso não tenha essa visão, pense agora a respeito de onde gostaria de ir, do que gostaria de realizar e de como você poderia fazê-lo. Mesmo que você não comece com um grande comprometimento, o simples fato de se concentrar totalmente em fazer as coisas boas que quer realizar fará com que coisas boas comecem a acontecer. Seu comprometimento, prazer e desempenho vão aumentar consideravelmente.

Figura 1 – Ciclo da concentração positiva

O comprometimento é uma peça-chave para orientar a sua busca pela excelência. Com um comprometimento de concentração, você pode alcançar praticamente tudo; sem isso, as metas de alto nível que estão ao seu alcance tornam-se praticamente impossíveis de alcançar.

Seu comprometimento requer um foco específico e ele crescerá na medida em que seu foco estiver direcionado para:

• Aprender e crescer continuamente;
• Buscar seus sonhos ou fazer uma contribuição realmente significativa;
• Tornar-se o melhor que você puder naquilo que escolheu fazer;
• Desenvolver as ligações mentais, físicas e técnicas com a excelência;
• Persistir apesar dos obstáculos, mesmo quando eles pareçam impossíveis de serem vencidos;
• Aprender constantemente sobre como sua concentração afeta seu humor e seu desempenho e agir conforme as lições aprendidas a respeito da concentração;
• Manter o prazer e a paixão em sua busca.

Os níveis mais altos de excelência são inspirados por uma visão positiva de onde você quer chegar – em seu esporte, em suas realizações ou em sua vida. Para alcançar a excelência em qualquer busca realmente desafiadora, você precisa de uma razão suficientemente poderosa para manter-se focado na busca de suas metas, apesar dos altos e baixos que provavelmente acontecerão.

Maiores níveis de comprometimento pessoal surgem naturalmente do amor e do prazer naquilo que você está fazendo, combinados com visões positivas de onde quer chegar. O seu comprometimento cresce quando você abraça os momentos especiais, ficando envolvido em sua missão e amando a experiência de crescimento pessoal contínuo. Muitas razões pessoais ou fontes de comprometimento podem contribuir de alguma forma e impulsionar a excelência:

• A sensação de puro prazer, paixão e amor pela atividade ou meta;
• O ânimo da busca e a sensação de estar completamente vivo;
• A sensação de ser aceito, competente, necessário, valioso, importante, bem-sucedido ou de certa forma especial;
• A sensação de buscar seu sonho, viver seu potencial ou tornar-se aquilo que você é capaz de ser;
• A sensação de fazer uma contribuição significativa ou de fazer a diferença;
• O orgulho pelo seu desempenho, criação ou contribuição;
• A sensação de vencer desafios e expandir limites;
• A sensação de devolver algo às pessoas que o apoiaram ou alguma perspectiva àqueles que o seguirão;
• O prazer ou o amor no aprendizado constante.

Devemos ter em mente que para tornar-se realmente muito bom em alguma coisa e para manter um alto desempenho por longos períodos, geralmente você precisa amar o que faz. A maioria dos vencedores que alcançam a excelência nos mais altos níveis diz que a busca em si torna-se sua paixão e impulsiona suas vidas por longos períodos. Eles obtêm energia das etapas que gostam e aprendem lições valiosas com as partes que não são prazerosas.

Os atletas realizadores de alto nível possuem a capacidade de alcançar a maioria de suas metas e se beneficiam da jornada ao focalizarem os aspectos positivos e permanecerem comprometidos, apesar dos obstáculos negativos que se apresentem.

No caminho da excelência sempre aparecerão obstáculos que podem parecer, a primeira impressão, impossíveis de vencer. E são justamente nestes momentos você precisa ter muito cuidado, pois se acreditar que estes obstáculos são realmente grandes demais para serem vencidos, irá se convencer disso!

A forma de lhe dar com os obstáculos aparentemente instransponíveis é enxergar as possibilidades e aumentar sua capacidade de realização, tornando grandes metas em pequenas entregas realizáveis, focando-se naquilo que está ao seu controle e dando um primeiro passo, em seguida, focando-se no próximo passo e no seguinte. Se seu comprometimento começar a apresentar variações, lembre-se do que te motiva, do seu sonho ou meta que deseja alcançar e de como isto é extremamente importante para você.

Encontre prazeres simples nas conquistas diárias e sinta a alegria das pequenas vitórias, pois com uma perspectiva positiva e persistência você vai evoluir, se concentrar cada vez mais e encontrar sempre um meio de vencer todos os obstáculos. Isso o ajudará também a controlar seu nível de ansiedade e fará com que sua confiança cresça a cada pequena conquista.

Por fim, devo ressaltar que o comprometimento que você assume consigo é uma parte extremamente importante no processo de alcançar metas de alto nível. Igualmente importante deve ser o seu compromisso de reservar um tempo para uma adequada recuperação mental, física e emocional. Lembre-se disso!
Deixo aqui as seguintes reflexões sobre o comprometimento:

• Seus objetivos são claros para você, desafiadores e têm por meta alcançar o seu melhor nível?
• Você está fazendo algo, todos os dias, que o leve um passo mais próximo de suas metas? O que fez hoje para chegar um passo mais perto do seu objetivo ou grande meta? Tem comemorado pequenas vitórias cotidianas ou ainda se perde observando a distância que falta percorrer para atingir seu objetivo principal de longo prazo?
• Seu comprometimento com a qualidade da concentração em treinos, aprendizados, práticas e atuações está forte o suficiente para levá-lo na direção dos seus sonhos? O seu comprometimento poderia ser melhor?

Até a próxi
ma coluna, abraços.

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

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Transições

Estamos vivenciando um período de eleições e transições e alguns dos mais importantes clubes do Brasil. Transições não apenas na presidência por força estatutária e/ou eleições regulares da entidade, mas também de comando executivo do futebol ou de setores específicos do mesmo.

E o que se percebe é que a mudança, apesar de ser uma constante, raras vezes é planejada ou mesmo institucionalizada, o que quer dizer que as diretrizes são definidas pelo novo integrante da equipe, não sendo um complemento sobre o todo do clube.

Isso é facilmente identificado no discurso de posse ou de saída do cargo. Está sempre tudo muito atrasado, com um desalinhamento claro entre a fase ideal para planejamento institucional e a sua plena execução.

O que falta na grande maioria destes clubes é um Plano Diretor, que seja minimamente seguido por novos profissionais, presidência, conselhos e gestores das diversas esferas da agremiação. E deve ser articulado para que haja uma continuidade de ações de um mandato a outro, sem sobressaltos, para que a nova gestão possa aplicar gradativamente seus conceitos e pensamentos de forma a impactar positivamente a administração do clube.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Conteúdo Udof>UdoF na Mídia

Vídeo manifesto

A Universidade do Futebol (UdoF), instituição que qualifica e capacita todas as profissões ligadas ao “velho e violento esporte bretão”, vai apresentar um vídeo manifesto durante o Fórum Internacional do Futebol (Footecon), que acontece hoje e amanhã, no Copacabana Palace.
O objetivo do vídeo é chamar a atenção para dados importantes e que são quase desconhecidos: 80% dos jogadores brasileiros ganham menos de dois salários mínimos, cerca de 15% estão desempregados e apenas os 5% restantes fazem parte da chamada elite da bola (os craques dos grandes clubes). E, no Brasil, de cada três mil crianças que buscam no futebol uma oportunidade, apenas uma consegue avançar na peneira de um clube.
A UdoF oferece cursos com aulas online e presenciais e já tem programas em andamento com clubes, como o São Paulo, para capacitação e atualização de profissionais que atuam nas categorias de base.

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O media training no futebol

A decisão da liga profissional de futebol dos Estados Unidos (MLS), disputada no último domingo encerrou a passagem do inglês David Beckham pelo Los Angeles Galaxy. Antes da despedida, porém, o meio-campista de 37 anos deu um exemplo de comportamento para atletas e figuras públicas de todo o mundo.

O episódio aconteceu em uma entrevista coletiva antes da partida entre o Galaxy e o Houston Dynamo. Beckham conversava com jornalistas, e um deles usou um iPhone como gravador. O aparato estava posicionado na bancada, na frente do jogador, e começou a tocar.

Beckham interrompeu a entrevista e perguntou se o jornalista queria que ele atendesse. Entre risos, o próprio astro inglês olhou o celular e respondeu: "Desculpe, mas não é Samsung. Eu não posso":


 

A reação de Beckham remete a uma entrevista coletiva de Ronaldo. O "Fenômeno" anunciava no evento um contrato de publicidade com a empresa de telefonia Claro, e isso permeou todas as respostas dele. Sempre que usava afirmativas, em vez do tradicional "sim", o maior artilheiro da história das Copas do Mundo dizia algo como "é claro".

As trajetórias de Beckham e Ronaldo em campo são indiscutíveis. Ambos também são indiscutíveis como marcas de sucesso. Uma coisa tem relação com a outra, é claro. Mas o sucesso dos dois como personalidades está alicerçado em algo muito maior do que apenas desempenho.

A construção de um ídolo depende, evidentemente, de uma série de fatores imprevisíveis. Mas qualquer tentativa de fabricar personalidades consumidas pelo grande público passa por respeito. Não apenas ao próprio público, mas às marcas que essa figura representa.

Aí entra um conceito que funciona muito bem no mundo corporativo, mas que ainda é pouco disseminado no esporte: o media training. Atletas, técnicos e dirigentes são porta-vozes das instituições que defendem. Portanto, precisam ser preparados para um uso eficaz do espaço que a mídia oferece.

A etapa inicial de qualquer treinamento para porta-vozes é exatamente a compreensão desse papel. Uma personalidade que representa uma instituição não pode se comportar como uma pessoa qualquer. Em última instância, não pode simplesmente porque os erros de uma figura pública têm repercussão maior.

A figura pública que entende o que ela representa pode evitar muitos problemas. No esporte, pululam exemplos contrários. Um caso de repercussão internacional aconteceu quando o atacante italiano Mario Balotelli, então jogador da Inter de Milão, foi a um programa de TV e vestiu, sem saber que estava sendo gravado, uma camisa do rival Milan – relembre o episódio:


 

Um porta-voz precisa entender as nuances do cargo que ele ocupa. Isso inclui aspectos como saber a história da instituição, conhecer os principais ídolos e entender costumes do público que o segue. Um atleta do Grêmio, por exemplo, precisa saber que deve evitar roupas e acessórios vermelhos. Um jogador do Internacional também tem de fugir do azul.

Conhecer um pouco sobre história pode evitar muitas gafes. Pode evitar, por exemplo, que um jogador diga o nome errado do clube no momento da apresentação. O lateral Gustavo Nery, quando foi contratado pelo Sport Club Corinthians Paulista, disse que seria uma honra defender o “Corinthians Futebol Clube”. Alguém na sala o alertou e disse: "É Sport". E ele, completando a lambança: "Corinthians Esporte Clube".

Depois de conhecer a história da instituição e entender um pouco sobre o público, é necessário entender o que a marca tem a dizer. Isso vale para clubes, entidades e até para patrocinadores. Um atleta de sucesso comercial não é apenas o que vence, mas o que se torna relevante para os parceiros. Para isso, é fundamental saber como interagir com a mídia e transmitir corretamente o que os anunciantes têm como bases.

Essa preparação institucional é o que justifica a quarentena aplicada por algumas empresas a novos funcionários. A Nike é um exemplo de companhia que não permite que um porta-voz saia falando com a imprensa antes de ele ser corretamente preparado.

O processo de condicionamento de um porta-voz também passa pelas coisas que ele não pode fazer ou falar. É fundamental que ele tenha noções de limite, sobretudo em assuntos mais polêmicos.

Além de tudo isso, é necessário pensar em "como falar". Um bom porta-voz usa de modo favorável a linguagem corporal, sabe escolher as palavras adequadas e direciona de forma correta até o olhar. É a pessoa que usa nomes dos entrevistadores, agradece a cada pergunta, fala pausadamente, faz explicações claras e não cria polêmicas desnecessárias.

Mano Menezes, ex-técnico da seleção brasileira, era criticado por muitos motivos. Todas as avaliações negativas, contudo, eram relativizadas pelas entrevistas elucidativas e pelo tom cordial que ele usava no tratamento com a mídia. A despeito de não ser uma figura carismática, o comandante sabia se comportar como figura pública.

Também nesse aspecto, Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari têm perfis dicotômicos. O novo comandante da seleção brasileira é mais autêntico, dá declarações mais fortes e muitas vezes cria polêmicas simplesmente para desviar foco. Logo na apresentação, Felipão comprou briga com o Banco do Brasil ao indicar a empresa como emprego ideal para quem não quer lidar com pressão.

Ainda que a polêmica sobre isso tenha sido muito exagerada, a declaração de Scolari foi apenas um exemplo de uma entrevista coletiva recheada de gafes. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, foi ainda mais prolífico em trapalhadas. Ele trocou o nome de Carlos Alberto Parreira, a quem se referiu como Antônio Carlos Parreira. E explicou vetos a outros treinadores para justificar a escolha da comissão técnica, como se os profissionais contratados fossem a última opção.

Para completar, a entrevista coletiva foi agendada para o mesmo horário em que a Fifa anunciava, em São Paulo, os finalistas da bola de ouro, prêmio aos melhores jogadores da temporada. A CBF criou um evento desastrado e uma concorrência desnecessária.

Tudo isso complementou o festival de gafes que a CBF havia iniciado quando demitiu Mano Menezes. Desde a escolha do porta-voz até a falta de um discurso ensaiado, a entidade transformou todo o episódio em um exemplo do que não fazer no relacionamento com a mídia.

Comunicação demanda planejamento, e qualquer deslize no planejamento pode comprometer totalmente os objetivos da instituição. Uma gest&atild
e;o tão conturbada quanto a da CBF chega a suscitar dúvidas sobre as reais intenções de tantos erros.

Porque erros, é bom que se diga, fazem parte de qualquer processo de comunicação. Instituições são feitas de pessoas, e ídolos também são pessoas. Pessoas são falíveis, fazem besteiras e não conseguem carregar personagens durante todo o tempo.

No começo do texto, citei Ronaldo como um exemplo de alguém que sabe lidar com a mídia e trabalhar a favor de seus parceiros comerciais. O atacante também é exemplo de quem escorregou e fez diferentes tipos de besteiras durante a vida. A pergunta que fica é: por que ele conseguiu passar por isso sem destruir a imagem positiva e sem comprometer o valor que possui fora de campo?

A resposta é comunicação. De forma empírica ou não, Ronaldo sempre manejou muito bem o espaço que o desempenho esportivo ofereceu a ele. O atacante sabe como se relacionar com a mídia, fala de um jeito simples e dificilmente dá uma declaração que contrarie o personagem que o ídolo Ronaldo representa.

Em outro ponto nessa linha está o atacante Adriano. Não cabe aqui uma discussão sobre os problemas que ele enfrenta, mas é necessário dizer que a comunicação do que acontece na vida dele é extremamente complicada.

As faltas, os problemas pessoais e os conflitos profissionais de Adriano sempre vazaram. E pior: o atacante nunca usou tudo isso para construir uma imagem mais simpática. Nunca tentou sequer comover o público.

Mesmo quando falou sobre as intempéries da vida pessoal, Adriano foi o que é fora dos microfones: lacônico, fechado e seco. É claro que a personalidade é um direito dele, mas é impossível se comunicar bem sem entregar mais do que isso. Mesmo que seja um discurso ensaiado, próprio para os microfones.

Atualmente, o exemplo mais bem acabado no esporte brasileiro é o do atacante Neymar. O jogador do Santos era tímido e pouco eloquente no início da carreira, até por ser apenas um garoto de 16 anos. Com o tempo, a experiência e uma boa preparação, o camisa 11 transformou-se num dos mais eficientes comunicadores do país.

Porque é isso, afinal: Neymar é um comunicador. É por isso que tudo que ele faz, fala ou usa vira tendência. É por isso que todas as crianças se identificam com ele. É por isso que ele é referência.

Em tempo: Na despedida de Beckham, o Los Angeles Galaxy bateu o Houston Dynamo por 3 a 1 e conquistou o bicampeonato da MLS. O terceiro gol foi marcado de pênalti, aos 48min do segundo tempo, um minuto antes de o inglês ser substituído e ovacionado, e a infração foi cobrada por Keane. Um anticlímax que não combina nada com o quanto os norte-americanos entendem de entretenimento e esporte…
 

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br
 

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Copa do Mundo de 2014: seremos campeões?

Para a maioria dos brasileiros a conquista do hexacampeonato mundial é uma obrigação. Jogando em casa e com Neymar no elenco, resta ao treinador convocar mais vinte e poucos jogadores e motivá-los, com seu espírito vitorioso, a fim de que o talento nato dos nossos atletas apareça. Precisamos desses talentos para decidir as partidas nos equilibrados jogos que, atualmente, só podem ser definidos através de jogadas individuais.

O trecho anterior é somente um exemplo dos milhares de equívocos que são pronunciados e praticados dia após dia em nosso futebol.

E você, profissional (ou não) da modalidade, como se posiciona diante desses equívocos? Colabora para que eles aconteçam? Simplesmente observa e caminha para a direção que lhe for mais conveniente em determinada situação? Ou defende e pratica, arduamente, mudanças em todos os âmbitos deste esporte?

O futuro do futebol depende, diretamente, do nosso posicionamento. Optar pelo caminho da mudança, norteado pelo necessário processo de transformação do futebol brasileiro, é um dos desafios de quem pretende seguir carreira neste mercado que, como muitos outros, é influenciado constantemente por conflitos administrativos, políticos, de interesses e de disputa pelo poder.

Todos estes conflitos impactam na área técnica da modalidade. A demissão de Mano Menezes é um exemplo recente deste impacto, neste caso, de grande magnitude. O fato é que, maiores ou menores, tais impactos definem um cenário atual repleto de limitações e complicações que atrasam a evolução do nosso futebol. Como exemplos deste cenário, acompanhem os tópicos abaixo:

• Pouquíssimos profissionais do futebol foram formados no ano de 2012. Num país que possui milhares de treinadores, quais são as políticas educacionais para capacitarmos os gestores de campo? Entendam que a solução não está nos cursos de graduação em educação física. Precisamos de iniciativas e formações específicas (de qualidade) para a modalidade.

• Alguém que pretende trabalhar com futebol, mas não está inserido no mercado por não ter sido ex-atleta, não teve (ou teve mínima) oportunidade de entrevista de emprego no presente ano. Seguramente seu CV não faz parte do banco de dados da maioria dos clubes de futebol brasileiros, pois tudo isso é desnecessário, uma vez que as contratações acontecem quase que exclusivamente por indicações e influências.

• Os trabalhos de pré-temporada para os estaduais 2013 já começaram e muitas equipes negam-se a fazer amistosos, pois estão em períodos de somente treinos físicos. Dentre esses treinos, encontram-se os tiros de 1.000 metros e os treinos na “caixa de areia”.

• Clubes tradicionais do futebol brasileiro ainda não contam com um departamento de análise de jogo e participam de uma das melhores competições do futebol nacional sem um conhecimento aprofundado do adversário e, inclusive, da própria equipe. Equipes vencem, empatam e perdem sem conhecerem os reais motivos para os respectivos resultados.

• Em tempos de gestão eficaz, na busca por melhores resultados mesmo com redução de custos, clubes gastam milhares de reais acomodando jogadores em hotéis de luxo como única alternativa possível para aumentar o nível de concentração dos jogadores na tentativa de escaparem do rebaixamento.

• Por mais que um determinado profissional estude, se capacite, faça estágios, cursos e dirija uma equipe com sucesso, um ex-jogador sempre, mesmo sem qualquer capacitação além de ter sido atleta, está mais credenciado para uma função técnica.

• Na grande maioria dos clubes, em todas as categorias, o único valor considerado é o do resultado de campo. Egos “inflados”, incapacidade administrativa e pressão criada pela nossa cultura, são elementos que contribuem para a valorização excessiva da vitória.

• Elencos inteiros são formados a partir de interferências diretas de agentes, empresários e dirigentes em função de benefício financeiro próprio e não na busca do melhor para o clube.

• A troca de comissões é uma constante e raríssimos são os clubes que oferecem plano de carreira. O seu trabalho pode ser interrompido (e será em algum momento) ainda que as vitórias apareçam.

Entender o cenário e ainda assim estabelecer um posicionamento favorável às mudanças é tarefa para poucos. Ter resiliência e persistência são características indispensáveis na tentativa de sobrevivência que compreende a luta diária de quem opta por esse caminho.

Felizmente, neste mesmo cenário (composto por limitações e complicações) é possível “enxergar uma luz no fim do túnel”, pois projetos de sucesso, mesmo que isolados, surgem no heterogêneo futebol brasileiro. Enderson Moreira, Ricardo Drubscky, Ney Franco e Tite são bons exemplos para identificar tais projetos. Bons argumentos, bons estudos e, principalmente, bom futebol!

Voltando à seleção brasileira, é melhor evitar qualquer opinião a respeito do substituto de Mano Menezes. O tempo (sempre ele) dirá se o preferido pelo povo era a melhor opção.

E para todo o povo, fiel torcedor e assumido treinador, pouco importa o que faremos até junho de 2014. Se após a competição o título for brasileiro, do alto da nossa arrogância, ostentaremos a hegemonia do futebol com seis títulos mundiais. Não terá importância o como, com quais métodos (se novos, ou novo-velhos) ou com qual treinador.

Já para os profissionais do futebol, que se importam muito com os acontecimentos até a próxima Copa e também com os acontecimentos futuros, deixo uma reflexão análoga aos conhecimentos sobre o jogo. Se nele tentamos dar maior previsibilidade a um ambiente que, por característica, é imprevisível, a fim de que nos aproximemos das vitórias, o conhecimento sobre o atual cenário nos permite opinar sobre o desempenho previsto do Brasil na Copa de 2014.

Fica, então, a questão: seremos campeões?

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br