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O Tio Sam se rende ao "soccer" e à Copa do Mundo

A Copa do Mundo entra na sua reta final e apenas oito seleções restaram na busca pela glória mundial: Alemanha, França, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Holanda, Argentina e Bélgica. Dentro e fora de campo a Copa do Mundo tem sido um estrondoso sucesso.

Este sucesso mostra-se ainda maior considerando a imensa repercussão da Copa do Mundo nos Estados Unidos, país conhecido por amar esportes bastante específicos como o Futebol Americano, Beisebol e Hóquei, além do Basquete.

Interessante observar que as ligas profissionais americanas são as mais valiosas do mundo e que o “Super Bowl”, a final do campeonato de Futebol Americano, é o evento esportivo mais assistido do planeta. Ou seja, os EUA são um mercado precioso para a FIFA e para o futebol.

Os indícios de que o futebol, enfim, tinha aterrizado na “Terra do Tio Sam” começaram com os 198.208 ingressos adquiridos pelos residentes nos EUA. Número só superado pelos brasileiros.

Na Copa, as expectativas se confirmaram e a partida entre Estados Unidos e Gana, válida pela fase de grupos, teve audiência de 15,9 milhões de pessoas, superior às finais da NBA, a mais famosa e valiosa liga de basquete do Mundo.

Aliás, os norte-americanos se reuniram para assistir às partidas do Mundial e chegaram até a fazer um abaixo-assinado para que se decretasse feriado nos dias de jogos de sua Seleção Nacional.

O crescimento do futebol nos EUA não é fruto do acaso, mas, consequência de planejamento, trabalho e profissionalismo iniciados na Copa do Mundo de 1994, realizada naquele país.

Naquela oportunidade, muitos norte-americanos sequer sabiam da realização da Copa do Mundo em seu território e hoje, vinte anos depois, cerca de 20 milhões de pessoas praticam o futebol nos EUA.

A MLS, liga profissional de futebol, possui média de público de 18 mil torcedores, superior à média do Campeonato Brasileiro (14.995).

O Seattle Souders, que disputa a MLS, possui a média de 43 mil torcedores por jogo, número não alcançado por equipes brasileiras.

Ademais, o faturamento dos clubes da MLS teve um aumento de 300% nos últimos 5 anos.

A tudo isso soma-se a excelente participação da Seleção norte-americana na Copa do Mundo que chegou às oitavas de final e disputou a vaga nas quartas em pé de igualdade com a festejadíssima geração de ouro da Bélgica.

Enfim, a Copa do Mundo de 2014 colocou os EUA definitivamente no mapa do futebol mundial. Em razão deste trabalho, em poucos anos a MLS será uma das Ligas mais valiosas do mundo e a Seleção Nacional passará a entrar nas competições com chances reais de título.

A FIFA agradece e prepara-se para virar seus olhos para outro promissor mercado, o chinês. 

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O comprometimento pessoal de um atleta

Enquanto o mundial de futebol evolui e começa seu funil ocasionado pelo início das oitavas e posteriormente das quartas-de-final, muitas seleções que ainda permanecem passam por diversos desafios para se manterem na competição.

Algumas poucas conseguem mostrar um desempenho acima da média e com isso avançam sem grandes problemas, porém outras enfrentam o fantasma do rendimento abaixo do que esperavam e as dificuldades para irem adiante cada vez aumentam mais, como foi o caso da seleção brasileira no episódio da classificação dramática nos pênaltis no confronto frente à seleção chilena e de outras seleções durante este mundial.

Em alguns casos, uma equipe de futebol só consegue atingir o melhor de sua performance coletiva quando o comprometimento pessoal de cada atleta atinge o alto nível. Ninguém pode convencer o atleta de algo é importante extremamente importante para ele, a não ser ele próprio. Um bom exercício que os atletas podem fazer é classificar de maneira honesta e sincera a importância que cada para cada um deles a disputa de um mundial de futebol pela seleção de seu país. Isso pode ser feito com a resposta a uma simples pergunta:

Numa escala de 01 a 10, que importância tem para você (o atleta) ser excelente em seu desempenho dentro da disputa do mundial de futebol?

Provavelmente aqueles que responderem entre 09 e 10, de maneira genuína, possuirão a tendência de se tornarem excelentes nos seus respectivos desempenhos em campo. O compromisso de se fazer um trabalho excelente e de qualidade elevada torna-se um pré-requisito para a conquista do desempenho de excelência no futebol. Um técnico altamente respeitado e vitorioso da NHL, chamado Scotty Bowman, nos fornece interessantes comentários a respeito do comprometimento.

• Aceitar críticas: As estrelas de uma equipe precisam saber aceitar as críticas construtivas. Eles necessitam saber lidar até mesmo com as críticas injustas, se cometem um erro eles devem procurar reconhece-los e fazer de tudo o que puderem para não cometê-lo novamente.

• Não ter medo de errar: Se um grande atleta percebe uma pequena abertura que seja, ele demonstra coragem e tenta fazer a sua jogada. Não demonstra receio e nem se detém diante ao medo de errar.

• Manter a compostura: Os grandes atletas mantêm sua compostura em campo quando um juiz apita algo contra sua equipe, mesmo que ele não considere o julgamento da marcação correto. Eles conseguem se manter frios e procuram corrigir seu comportamento e com isso acalma os demais pelo exemplo de sua atitude.

O importante para as seleções que seguem adiante é estarem atentas a questão do comprometimento de seus atletas, pois se todos estiverem 100% comprometidos em realizar seus melhores desempenhos, o impacto coletivo será o melhor possível e com isso gera-se uma valiosa contribuição para a conquista de novas vitórias dentro de campo.

Até a próxima e vamos Brasil!  

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Mané explica Garrincha

E uma nova Copa do Mundo está em curso. Singular oportunidade para o torcedor de arquibancada acompanhar o auge dos astros do futebol num mesmo torneio. Momento propício para publicação de tratados, resenhas, artigos, matérias, reportagens e textos em microblogs sobre edições e jogadores do passado.

Especialistas de outrora já revisitaram a esmo a trajetória do personagem principal desta narrativa, nos muitos períodos pré-copas. No entanto, a ideia é alterar levemente o jeito de exibir o assunto. Costurar a linha do tempo de um dos mais emblemáticos e espetaculares jogadores que o planeta viu atuar – guiado por sua própria retórica.

Nasceu Manoel Francisco dos Santos. Um costume infantil avalizou o apelido curioso. “Sempre cultivei o hábito de caçar passarinhos. Existia um que sucessivamente caía em minhas armadilhas. Observando isso, o meu irmão decidiu me rebatizar com o nome da espécie: Garrincha (Troglodytes musculus). O apelido pegou e sou Garrincha desde então”, revelou.

Quem era Garrincha? Um gênio incompreendido, perverso em boemia, ou um homem acanhado, que nunca deixou de viver a inocência da infância, na qual o purismo lhe fugia pelos poros? Ele realmente era aquela molecagem em pessoa, que magnetizava plateias com seus gols, fintas e lances mágicos, conforme escreveu Nelson Rodrigues? Com a palavra, Zagallo:

Eterna criança

“Ele era um adulto com mentalidade de uma criança de 12 anos”. A despretensiosa revelação do Velho Lobo traz à tona uma provável explicação sobre a personalidade retraída e o vasto repertório de peripécias do “Anjo das pernas tortas”, tanto nos gramados quanto na vida. Distrofia física essa – desnível de seis centímetros da direita com relação à esquerda – que o próprio, um dia, disse desconhecer.

“Quando eu era criança e jogava bola lá na minha cidade, Pau Grande (distrito de Magé, Rio de Janeiro), nunca havia notado nada sobre esse negócio de perna torta. Quando cheguei ao Botafogo foi que as pessoas me avisaram que eu tinha um certo ‘defeito de fábrica’”, gargalhava com o assunto.

Garrincha incorporou esse jeito humilde, simples e despreocupado de um menino interiorano por toda a vida. Certo dia, horas antes de a seleção enfrentar a Áustria, em partida amistosa, perguntou a um colega: “viemos de tão longe para enfrentar o São Cristóvão?”.

Em campo nunca se amedrontou com nenhum adversário. Todo marcador, fosse de seleção ou de várzea, era sempre um ‘João’ a mais. A irreverência, quase que irresponsável, o acompanhou na gangorra que marcou negativamente a sua carreira e a vida social. Era um moço de gestos intuitivos, mas atrevidos.

O primeiro ‘João’

Nem Nilton Santos escapou de suas molecagens. Em 1953, ao ser testado no Botafogo, passou a bola entre as pernas daquele que era conhecido com a ‘Enciclopédia do Futebol’, já consagrado no time da Estrela Solitária.

“Contratem logo esse torto, é melhor jogar a favor do que contra”, solicitou à diretoria. Tempos depois, Nilton Santos admitiu orgulhoso ter sido o primeiro ‘João’ de Mané. Ficaram amigos. Garrincha o chamava de ‘compadre’.

Garrincha foi um dos ícones da época romântica do futebol. Jogava por prazer. Sentia-se bem dentro das quatro linhas. Ali, era feliz. Em 1978, pouco antes da Copa do Mundo da Argentina, perguntado sobre a qualidade do selecionado brasileiro daquele ano, deu a entender que os jogadores brasileiros tinham medo dos adversários.


Destemido

“O negócio é o seguinte, precisamos enfrentar todos os adversários com a mesma disposição. Temos um jogo contra a França, e daí? A França é a França e nós somos nós. Temos que ir lá e jogar pra vencer, qual é o problema de enfrentar a França?”, questionou. “Em campo nunca tive problema, nunca me apavorei com nada. Sabia que quando pegasse a bola teria que fazer alguma coisa. Era partir para cima deles e jogar o meu futebol”.

E prosseguiu: “Muita gente não pensa assim. Tem jogador que antes das partidas difíceis se amedrontam. E não tem nada disso. Não podemos entrar já com o pensamento de perdedor. Ora, perder ou empatar é natural, mas temos que jogar para ganhar. Se o Brasil entrar com esse pensamento, a gente não perde nunca, mas não perde mesmo. Eu duvido”, analisou.


Único drible?

O melhor jogador da Copa do Mundo de 1962 foi um cidadão de contrastes. Enquanto seu vocabulário era curto, se esquivava de perguntas dos jornalistas (certo dia se enrolou para responder se era um jogador polivalente), a quantidade de jogadas numa partida beirava o excepcional, provenientes de um drible característico – verdadeiro veneno na veia dos brucutus de plantão.

Mané Garrincha utilizou a deficiência de suas pernas como suporte para entrar na história do futebol mundial. “O drible nasceu comigo, não foi nada estudado. Acho que foi por causa da minha perna torta. Eu firmo com a perna esquerda, a mais forte, e driblo com a direita e desta maneira eu conseguia passar sempre”, esclareceu.

Alguns especialistas da época ousaram classificá-lo como jogador de um drible só, que todo mundo conhecia. Porém, mesmo muito utilizado, esse recurso nunca era interrompido. Mané sempre humilhava o “João” que se apresentava na sua frente. Isso, em um estilo de jogo que independia de orientações alheias.

“Claro que você tem uma orientação do treinador. Mas no meu pensamento, na minha maneira de jogar, sempre obedeci a mim mesmo. Porque eu tinha uma jogada certa e tinha certeza que todo mundo gostava daquela jogada. E era perigo para os adversários, então, o treinador não tinha nada que falar comigo”, filosofava.


Louco em potencial

O saudoso Fiori Gigliotti narraria desta maneira: “Abrem-se as cortinas torcida brasileira… e lá vem Garrincha, partiu pela direita, dribla um, passa pelo segundo, o terceiro já ficou para trás, vai em direção ao gol da Fiorentina, o goleiro, atônito, permanece imóvel na linha de gol. Vai marcar Mané… opa, ele parou, pisou na bola, não acredito, torcida brasileira, é isso mesmo que ele vai fazer? Garrincha está esperando outro defensor para também driblá-lo, sensacional, passou pelo último e é goooooooooooooooool do Brasil!!!!”.

Essa bucólica jogada de Garrincha foi magistralmente realizada em um amistoso preparatório para a Copa de 1958. O lance cinematográfico enfureceu a comissão técnica da seleção e, por conta disso, os médicos da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), hoje CBF, o “diagnosticaram” como louco. Por pouco, Garrincha não passou aquela copa inteira no banco de reservas.

“Eu fui fintando os beques, esperando para driblá-los novamente. Parei a bola dentro do gol e saí com ela debaixo dos braços e co
loquei no meio de campo para o recomeço da partida. Eles me chamaram de maluco, alegaram que não reunia condições psíquicas de jogar futebol.

Quem disse foi um psiquiatra do Brasil. Falou que eu era louco… acredito que foi esse o motivo de a comissão técnica não me botar para jogar na Copa do Mundo de 1958 desde o início”, reconheceu.

O técnico Vicente Feola cedeu ao apelo do restante do selecionado nacional e o colocou como titular na vitória sobre a União Soviética por 2 a 0, gols de Vavá. Sobre esse jogo, em 1982, num encontro entre os dois, realizado pela revista Placar, Pelé disse à Garrincha: “Você enlouqueceu os russos. De cara, logo na primeira bola, entortou três: o lateral (Voinov), o quarto-zagueiro (Kusnetsov) e o cara do meio-campo (Tsarev). Dali em diante, só deu você”.

À fama de louco, o neurologista Melo Reis, em entrevista à revista Veja (janeiro de 1983), deu um parecer diferente. Revelou que Garrincha "usou isso em proveito próprio. Era uma maneira de escapar das ordens dos técnicos e, também, de cultivar uma imagem de desamparado, que agrada as pessoas”.


Explicando 62 e Pelé

Para a excepcional participação na Copa de 62, Mané reservou duas explicações: “primeiro, eu estava com a saúde e o preparo físico em completa harmonia. Mas a saída do Pelé facilitou e muito o meu desempenho. Porque quem joga na ponta fica muito preso, com espaço restrito, sem muita liberdade, e jogando mais para o restante do time”.
“Ele (Pelé) fez muita falta. Dizem que em 70 o meu espírito encarnou no Jairzinho e ele fez aquela ‘miséria’. Comigo, em 62, foi ao contrário. Foi o espírito do Pelé que veio em mim. Eu ia para o meio e tudo dava certo, a bola vinha na minha cabeça e eu marcava, fiz gol de perna esquerda, também fiz miséria. Então, acho que foi o Pelé que estava junto comigo ali. Foi uma necessidade. Tive que ir, ‘alguém’ me levou. Fiz tudo certinho e fui feliz, o Brasil foi feliz e levantamos a taça”, folclorizou.

Mais sensato, disse: “em 62, apesar de trabalhar para os outros, eu aproveitei o espaço deixado por Pelé no meio. Então, as bolas que proporcionalmente sobrariam para ele, sobraram para mim e acabei marcando os gols, foi apenas isso, nada mais”, desdenhou.


Um dia de ‘João’

Acostumado a entortar os “joões” europeus, Garrincha sofreu do próprio veneno naquela copa. No segundo tempo do jogo contra a Inglaterra, de repente, um cão adentrou ao gramado. Mané corre para agarrá-lo, mas virou o ‘João” do insólito momento, arrancando risadas dos adversários. “Aquele cachorro foi uma parada séria. Eu não consegui pegar e foi até bom, porque só assim fui o artilheiro da Copa do Mundo. Se o tivesse pegado, talvez, isso não me daria sorte. O gringo pegou e entrou bem. Não o peguei e ganhamos de 4 a 2”, contou Garrincha, que ganhou o cão e o trouxe ao Brasil, doando para familiares posteriormente.

Já com a carreira encerrada, não demonstrando nem um resquício daquele magistral Mané, Garrincha – muito debilitado por conta do alcoolismo – sem dinheiro, jogava por alguns trocados no Milionários, time formado por ex-atletas e anônimos, da várzea paulistana. O jogador passou por problemas financeiros no final da vida, mesmo sendo um dos maiores fenômenos que o futebol já presenciou. Tanto na seleção, quanto no Botafogo, clube por qual atuou ao longo de 15 anos, e assinava contrato em branco, tamanha a sua inocência para lidar com as partes importantes do cotidiano.

“Eu assinava meus contratos com o Botafogo em branco, não tinha a mínima noção de quanto ganharia. Ficava sabendo apenas dois, três dias depois. Nesse aspecto, fui um jogador muito amador. Nunca soube ser profissional”, lamentava. “Ao contrário do Pelé, nunca fui orientado por ninguém. O que tinha muito era gente para me levar para o mau caminho, principalmente no clube que mais joguei”, disparou contra o Botafogo.


Nunca reclamou

“Fora do campo, no meu clube, ou em outras áreas da minha vida, nunca reclamei de nada, mesmo sabendo que estava sendo prejudicado. Mas isso não me abatia. Podia me descontrolar às vezes, mas nada de ficar cabisbaixo, pois tinha certeza que Deus existe e que me faria recuperar o que me havia sido tomado. E graças a Deus eu recuperava cada centavo”, revelou o espetacular Mané Garrincha, o eterno garoto das pernas tortas, que sempre será lembrado em momentos pré-copas e para toda a vida deste esporte instigante chamado futebol.

P.S. Garrincha, “A alegria do povo”, faleceu no dia 20 de janeiro de 1983, um feriado, e seu velório foi realizado no palco em que realizou as mais belas jogadas que o futebol um dia promoveu: o Maracanã.
– Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho –

Carlos Drummond de Andrade


Referências bibliográficas, videográficas e áudiográficas

– Áudios históricos da Rádio Jovem Pan, São Paulo – (Acervo)
– Programa Vox Populi, da TV Cultura, entrevista concedida em maio de 1978
– Entrevista à TV Tupi em 1972
– Programa Plantão de Domingo (apresentado por Milton Neves), entrevista concedida em agosto de 1982
– Entrevista concedida à TV Record, em 1982 (ao jornalista Flávio Prado)
– Revista Placar, acervo de 1982
– Crônica “Garrincha, passarinho apedrejado” – Livro “Nelson Rodrigues, A pátria de chuteiras”, compilação de crônicas feita por Aldo Rebelo, Ministro dos Esportes, lançado em dezembro de 2013, editora Ediouro.
– Citação de Carlos Drummond de Andrade, extraída de crônica publicada no Jornal do Brasil, em 19 de janeiro de 1983
– Especial “O mágico sai de campo”, revista Veja, 26 de janeiro de 1983
 

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O futuro dos megaeventos

Entrevistas recentes de Patrick Nally, considerado o “Pai do Marketing Esportivo” no mundo (http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,a-copa-do-mundo-e-uma-oportunidade-desperdicada-pelo-brasil,1521857) e de Lamartine Pereira da Costa, o principal e maior estudioso da área de Gestão do Esporte no Brasil (http://www.querodiscutiromeuestado.rj.gov.br/materia.php?publicacaoId=2454&t=#.U7P98vldWVN), abriram um tom de debate não apenas sobre a gestão da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Brasil, mas, principalmente, sobre o futuro destes megaeventos.

O que estamos vivenciando no Brasil desde 2007, quando o país foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, foi um ciclo com inúmeros percalços. A euforia misturada com a preocupação e o pessimismo foram o tom de todo o processo de preparação para o evento.

Por se tratar de algo intangível, só a vivência dos 30 dias de evento (que é o que estamos tendo neste momento), reforça sua grandiosidade e atmosfera positiva de celebração.

Para não sofrer com tantos problemas de opinião pública como tem sido acometido os megaeventos esportivos, a tendência, a partir de um processo de aprendizagem natural e contínuo, é realizar um investimento cada vez mais racional, tendo como premissa a otimização de recursos públicos que não se esgotem simplesmente no evento.

A breve reflexão deste texto é apenas o princípio para que haja um debate mais alongado sobre o tema. A leitura das entrevistas supracitadas é fundamental para o desenvolvimento do assunto. 

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O desgastante conflito entre jornalistas e assessores de imprensa no futebol

O futebol é o esporte mais popular do mundo. A modalidade é uma das poucas a ser jogada em todos os países. No Brasil, essa cultura não é diferente, a maioria das crianças sonha um dia se “tornarem grandes boleiros”. Por conta de tal popularidade, o esporte mexe com a paixão humana, dentro e fora de campo.

Cada partida, cada lance, cada penalidade geram discussões infundáveis, debates repercutidos na mídia, até brigas acaloradas. A imprensa esportiva capta todos esses sentimentos e fatos, e a sua maneira, os potencializa, prolongando polêmicas.

Em tempos de tecnologia de comunicação desenvolvida e popular, a comunidade torna-se parceira e autora desse espaço de tensões.

Além de uma pequena introdução ao tema, a ideia do artigo é esmiuçar em 12 capítulos diferentes e bem detalhados tudo que envolve o assunto futebol, jornalismo, assessoria de imprensa e relacionamento. O objetivo é encontrar novos caminhos para esta relação cada vez mais conflitante, entre os profissionais de Comunicação.

Um dos motivos de confusão no ambiente do futebol é a maneira nervosa, na qual o jogador se comporta, após o término da partida, ainda mais se a sua equipe foi a derrotada. Além da saída conturbada do campo, as entrevistas coletivas pós-jogos tornam o clima ainda mais tenso, na medida em que os jornalistas retomam a polêmica criada pelo atleta ainda nas quatro linhas.

Com o crescimento e a importância das modalidades esportivas, principalmente o futebol, a direção dos clubes deram início a ideia de contar com assessores de imprensa, com o objetivo de fazer a ligação direta entre os repórteres e os atletas. Porém, nem sempre a relação entre ambos é estável, havendo muito conflito de interesses, entre os envolvidos.

Esta série de artigos objetiva contribuir para o aperfeiçoamento das relações entre jornalistas e assessores de imprensa, para que os jogadores possam falar sem nenhuma restrição, e o público possa saber realmente o que pensa um atleta de futebol. Para tanto, mostrará o trabalho da assessoria de imprensa, alertando para possíveis erros e acertos.

Antigamente, os jornalistas tinham mais facilidades para entrar em contato com os atletas e técnicos. Entretanto, naquela época, as condições de trabalho eram mais fáceis, pois não havia tanta burocracia envolvendo times e atletas. Os jornalistas tinham muito mais liberdade para exercer o trabalho, tanto é que entravam no vestiário para realizar as entrevistas.

Hoje, o pensamento é que a maioria dos assessores dificulta o contato do jogador com a mídia, mas na verdade esses profissionais só estão buscando o melhor para o seu clube. O trabalho do comunicador institucional não é voltado para os jornalistas, mas sim para promover e preservar a imagem da Instituição. Na maioria das vezes, o assessor de imprensa dos clubes de futebol, além de ser o responsável por agendar as entrevistas com determinados jogadores ou técnicos, controla também as entrevistas coletivas e as redes sociais.

Uma entrevista com estrutura aberta foi aplicada aos assessores de imprensa dos clubes e individuais, às agências de assessoria de imprensa de media training, aos jornalistas especializados, aos jogadores, treinadores e presidentes dos principais clubes do Brasil. Dentre os temas propostos destaque para condução de situações de mau comportamento, como lidam com a mídia, como melhorar o relacionamento com a imprensa, entre outros.

Num total de 52 entrevistas e sendo dividido por profissionais de cada área, procurou-se saber como controlar os meios de comunicação, a exemplo do Twitter e do Facebook, cada vez mais presentes no mundo do jornalismo virtual e também dos Esportes, principalmente o futebol. Buscou-se também informações de como se faz corretamente um media training e o acompanhamento de seus assessorados.

Com base nos times que disputaram as séries A e B do Campeonato Brasileiro de 2011, aplicou-se um questionário em profissionais ligados ao futebol para saber quais equipes contam com assessoria de imprensa. Foram elaborados e aplicados questionários semi-estruturados abertos aos seguintes grupos de profissionais:

1) Assessores de Imprensa;
2) Jornalistas (televisão, rádio, internet, impresso)
3) Profissionais do futebol (técnicos, jogadores e dirigentes)
Os questionários apuraram os seguintes pareceres e procedimentos:
A- Função do Assessor
B- Cotidiano
C- Relacionamentos
D- Aspectos éticos
E- Uso das redes sociais
F- Casos/histórias
G- Futuro do Jornalismo Esportivo
H- Estrutura de uma assessoria

O relacionamento dos atletas com a mídia, o trabalho atual das assessorias (media training, por exemplo), a preparação do jornalista para realizar uma entrevista são alguns dos temas que você poderá ver neste artigo. Ao expor de modo organizado e didático as diferentes visões que os profissionais têm da questão, este inciso contribui para um novo estágio de comunicação esportiva, menos estressante.

Em cada capítulo um desdobramento diferente. Opiniões, dicas, desfechos, casos e principalmente soluções para tentar amenizar o relacionamento desgastante e conflitante entre os profissionais da comunicação.

*Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos e cursando pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Multimídias, pela Universidade Anhembi Morumbi.

Autor do livro “Manual de Assessoria de Imprensa Esportiva – Capítulo Futebol”

Contato: diegocdiegues@gmail.com