Capítulo II – Jornalismo Esportivo x Assessoria de Imprensa

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O jornalismo esportivo no Brasil começou no ano de 1856, e cobriam os esportes mais populares da época que eram o cricket, o turfe e o remo. Então, aparece Mário Cardim, um jovem jornalista e estudante de Direito, que se interessou pelo futebol e tornou-se o primeiro repórter a cobrir a modalidade no Brasil.

A tarefa de Cardim não era fácil, já que conseguir sucesso nas pautas falando sobre o futebol era complicado. Pois os chefes das redações dos principais jornais impressos não tinham interesse no esporte, que ao mesmo tempo crescia constantemente nas várzeas paulistanas.

A informação para ser publicada ainda era muito precária. Primeiro pelo fato das redações ainda não estarem preparadas para este novo tipo de cobertura, e segundo por serem pequenas e não possuírem luz elétrica.

Os responsáveis para noticiar os assuntos do futebol nas redações eram chamados de “noticiaristas”, cuja função era receber informações externas e transformá-las em notícias. Quando divulgada, a informação deveria ser feita de forma objetiva, sem detalhar o que ocorria na partida. Resumindo, apenas dizer o jogo, quem contra quem, os gols e o local da partida (uma Ficha Técnica dos dias atuais).

Os jornais impressos de São Paulo e do Rio de Janeiro, passaram a contratar mais repórteres para que fizessem a cobertura dos jogos. Entretanto, a FIFA acabou vetando a regulamentação da entidade. Os principais periódicos publicavam através de seus artigos a necessidade de uma união política do futebol, com o intuito de que o esporte se popularizasse e organizasse.

Após o surgimento da Associação dos Cronistas Esportivos (Aceesp), em 1917, algumas principais expressões começaram a ser usadas no futebol, como por exemplo, tiro de canto ou escanteio, finta ou drible, falta, zagueiro, atacante, entre outros.

A questão da participação ou não dos negros da Seleção Brasileira foi discutido nas redações dos jornais, após a eliminação do Brasil com duas derrotas em três jogos no Sul-Americano de Futebol. Mas a discussão só mostrava que o futebol estava cada vez mais em grau de popularização.

O rádio marcou a cobertura jornalística esportiva e despertou o interesse de empresários, tornando-se um grande aliado na divulgação do esporte. O veículo se aproximava das transmissões de futebol, por meio de notas sobre os resultados dos jogos.

Enquanto as transmissões radiofônicas ‘engatinhavam’, o futebol já estava em ritmo acelerado de crescimento e de popularização. O narrador, Amador Santos criou o estilo de narração que é visto hoje nas rádios e televisões. Porém, da mesma forma que o jornal tinha dificuldades de divulgação de notícias sobre o futebol, no começo do século, o rádio teve que enfrentar alguns obstáculos.

A popularização definitiva do futebol só foi acontecer, após Getúlio Vargas tornar o rádio acessível para as classes inferiores. O ex-presidente utilizou do veículo para decretar os atos do poder e desta forma o futebol, aproveitou o momento, e enfim virou popular, inclusive passando a fazer parte do cotidiano e da cultura dos brasileiros.

Em 1940, a Rádio Cruzeiro do Sul inovou na transmissão esportiva usando o comentarista de futebol para realizar, junto com o narrador esportivo, a transmissão do jogo. Porém foi a Rádio Panamericana (atual Jovem Pan), que veio o primeiro comentarista de arbitragem do Brasil, além do plantão esportivo, e o primeiro departamento de Esportes, que posteriormente ganharia os repórteres de campo.

A primeira emissora a realizar a transmissão de uma partida de futebol foi a TV Record em 1954, que foi pioneira também do primeiro programa de debates da televisão brasileira, o ‘Mesa-Redonda’, que além de debater sobre o futebol, realizava as transmissões das partidas ao vivo.

A grande revolução aconteceu na década de 1990. Os principais acontecimentos foram, além das coberturas esportivas das Olimpíadas de Barcelona (1992) e Atlanta (1996), ainda teve as Copas do Mundo de 1990, 1994, e 1998. Ainda no início da década de 1990, o Governo Brasileiro, liberou a concessão para as empresas de televisão por assinatura. Com isso, o mercado do jornalismo esportivo cresceu de maneira considerável e os próprios clubes passaram a ter mais espaço para divulgar e ter as suas informações.

Por sua vez, a Internet chegou ao Brasil no começo da década de 1990, mas somente a partir de 2000 é que o jornalismo online foi aperfeiçoado. As apostas na interatividade e na velocidade das notícias fizeram a ferramenta crescer gradativamente, e colaboraram para a evolução do jornalismo esportivo, sendo permitidas postagens de vídeos, áudios e de imagens fotográficas.

A internet não é somente uma mídia eletrônica. A ferramenta é capaz de comportar conteúdos do rádio, no áudio, conteúdos da televisão, no vídeo e no impresso, através dos textos. Contudo, o principal destaque da Internet é o dinamismo e a interatividade.

O surgimento das redes sociais como o Twitter, Facebook e Instagram fizeram com que as noticias se tornassem mais acessíveis e fossem veiculadas ainda mais rápidas, pelos principais portais. No caso esportivo, as ferramentas de interatividade viraram peças fundamentais no trabalho do jornalismo.

Atletas, membros das comissões técnicas, dirigentes e presidentes de clubes e federações possuem suas contas nas redes sociais e acabaram virando um canal de acesso mais próximo com os internautas, pois utilizam a ferramenta para expor opiniões pessoais, que por consequência geram conteúdos noticiosos de sites jornalísticos e outros veículos de comunicação como o rádio, TV e impresso.

No próximo capítulo iremos ver como as assessorias de imprensa surgiram no cenário esportivo, mais precisamente no futebol. Por meio delas, o que era fácil começa a se tornar complicado e o futebol fica elitizado, com difícil acesso a informação e bastidores dos clubes não revelados.

 

*Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos – UniSantos – e pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias, pela Universidade Anhembi Morumbi. Autor do livro “Manual de Assessoria de Imprensa Esportiva – Capítulo Futebol”
 

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