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A Teoria dos jogos e o futebol

John Nash Jr foi um matemático que ganhou fama e um prêmio Nobel, com a teoria dos jogos. A teoria não tem a ver com futebol, ou jogos em geral, mas foi pensada para analisar e tentar entender as ações dos agentes econômicos em situações de busca por estratégias mais racionais para as suas escolhas. Apesar dessa ressalva, ela pode ser aplicada ao futebol, como veremos aqui.

A tese de doutorado de Nash, Non Comptitives Games (jogos não competitivos), foi publicada em 1951, na Universidade de Princeton, e tratou da análise de pontos de equilíbrio em partidas com múltiplos jogadores. Nash trabalhou, em seus artigos e pesquisas, na solução de jogos estratégicos (barganha), pontos de equilíbrio em partidas com n jogadores e jogos cooperativos de 2 jogadores.

Um ponto interessante é que a teoria dos jogos tem aplicação nas mais diversas áreas, da economia à solução de conflitos internacionais. À luz da teoria dos jogos, a interação estratégica, entre as partes envolvidas, pode auxiliar na análise e previsão de ação dos competidores (jogadores) num processo interativo.

A teoria dos jogos por definição é o estudo do comportamento dos agentes em situações dinâmicas, nas quais cada agente ao decidir a sua ação deve levar em consideração a reação de outro agente.

Pelo visto até aqui, dá para se aplicar alguns conceitos e ideias da teoria dos jogos ao futebol. Num modelo ideal, estático, a busca por situações de cooperação seria o ideal. Ocorre que, na prática, tais situações são bem raras (a exceção seria aquela que o empate classifica os dois times, por exemplo)
A grande dificuldade, em qualquer área, inclusive no futebol, é tomar a decisão sem saber exatamente o que a outra parte fará. Ainda que seja um jogo de múltiplas ações, a busca de melhorar a sua posição leva os agentes ao reposicionamento constante em sua função das interações existentes.

Existe um conceito importante, na teoria, que é o “Equilíbrio de Nash”, que pode ser entendido como as interações naturais que os agentes fazem na busca da melhor estratégia para eles, com base nas estratégias escolhidas pelos demais. Aqui, mais uma vez, a aplicação do conceito ao futebol parece ser grande.

O futebol trata-se, basicamente, de um jogo não cooperativo. Apesar disso, no modelo da teoria, existe a possibilidade do equilíbrio (de Nash) sem que os jogadores (agentes) estejam cooperando. Ou seja, no futebol, a ação ou o posicionamento leva em consideração a ação do oponente. Isso é clássico num jogo não cooperativo. Um agente (jogador) até poderia estar numa situação melhor (numa análise isolada), mas não está em função da busca de uma estratégia ótima em função do momento.
No final das contas, ainda sob a ótica da teoria dos jogos, estamos falando de um jogo do tipo “soma zero”. Isso significa que no final, o ganho de um lado representa a perda do outro. Pensando no futebol, como já destacado, com exceção da situação em que o empate classifica os dois times (e que poderia haver um conluio), nos demais o empate vai ser visto como uma “derrota” para um dos jogadores (times).

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Justiça Desportiva e e-mails vazados

Na semana que passou foram publicados documentos apreendidos pela Polícia Federal que apontam supostos e-mails trocados pelo Procurador Geral de Justiça do STJD e dirigentes da CBF, nos quais a entidade pedia a punição ao Atlético em razão de mosaico contra a CBF estampado por sua torcida no Campeonato Brasileiro de 2012.
A Constituição Brasileira, em seu artigo 217, assegura a autonomia e independência da Justiça Desportiva. A escolha de seus membros é estabelecida pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que determina a indicação de nove auditores do Tribunal Pleno pelos clubes (2), atletas (2), OAB (2), confederação (2), árbitros (1).
Os recursos financeiros necessários para a instalação e operacionalidade da Justiça Desportiva são oriundos da Confederação e/ou Federação a que ela se vincula. Por exemplo, no futebol as despesas são pagas pela CBF.
A Justiça desportiva tem a função de julgar atletas, dirigentes, clubes, federações, dentre outros personagens do evento esportivo.
Além dos auditores que julgam os processos disciplinares, a Justiça Desportiva possui procuradores que são os responsáveis por fiscalizar a aplicação do Código Brasileiro de Justiça Desportiva e apresentar os pedidos de condenação aos tribunais desportivos.
No caso em comento, a CBF, administradora do futebol no Brasil e organizadora do Campeonato Brasileiro da modalidade, encaminhou e-mail ao Procurador Geral pedindo rigor na denúncia. Natural o interesse da CBF na punição, eis que a torcida do Atlético estava, justamente, criticando-a.
Além disso, como organizadora do evento, é de se esperar que a entidade busque punições rigorosas em caso de atos de indisciplina de atletas a fim de evitar lesões e de viabilizar uma competição menos violenta e mais atrativa.
Da mesma forma que a CBF escreveu ao Procurador Geral, qualquer clube ou atleta pode fazê-lo, sendo importante destacar que a Procuradoria não julga, mas apenas denuncia o ato de indisciplina e pede a punição.
Vale dizer que é prática comum no direito brasileiro conversas informais com promotores e até julgadores, como, inclusive, fazem os advogados em seus processos quando querem “despachar” com o juiz.
Sem entrar no mérito se é a melhor linha de atuação, no incidente estampado nos e-mails, percebe-se que a Procuradoria atuou de forma coerente com a linha adotada em todas as demandas que patrocina, ou seja, de forma rigorosa e pedindo punições severas e elevadas.
Estudiosos do direito desportivo, clubes, atletas, dirigentes e imprensa invariavelmente questionam a parcialidade da Justiça Desportiva por ser custeada pela CBF, por haver membros no cargo há muitos anos, dentre outras razões.
Entretanto, o fato da primeira instância ter absolvido o Atlético e a segunda ter aplicado pena de multa irrisória para os padrões do futebol e não a interdição do estádio, como queria a CBF, demonstra justamente o contrário, demonstra o compromisso da Procuradoria em efetuar as denuncias de forma severa e a independência dos auditores para decidirem de acordo com seu entendimento legal.00

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Por meio de campanha, torcedores se mobilizam para resgatar o Serrano

Com mais de 100 anos de história, o Serrano Football Club sequer jogou a terceira divisão do Campeonato Carioca de 2015 e esteve perto de ser leiloado. Para evitar a extinção da equipe de Petrópolis, um grupo formado por jornalistas, ex-jogadores e gestores se reunir para criar a Frente Azul, que vai administrar o futebol profissional.
A primeira medida prática da Frente Azul é a campanha de financiamento coletivo (clique aqui para participar), batizada de “Camisa com História não Morre”, para viabilizar a disputa da Série C do Carioca já em 2016. Desde o último domingo (27/03), o clube pede R$ 250 mil em doações para alcançar três metas: pagar as dívidas com a Federação do Rio de Janeiro, reformar o estádio Atilio Marotti e custear as despesas do departamento de futebol – para que seja viável a participação no Estadual.
O vídeo feito para a campanha (veja abaixo) conta com depoimentos dos craques Rivellino e Zico, vítima do próprio Serrano em histórica vitória da equipe serrana em cima do Flamengo em 1980. Outros nomes de peso, casos dos jornalistas Paulo Vinícius Coelho, Paulo Soares e Antero Greco, reforçam o apoio ao clube carioca.
O idealizador do projeto é o jornalista Eduardo Monsanto. Nascido em Petrópolis, ele formou o grupo de gestores da Frente Azul, composto pelo atacante Kevin Kuranyi, Marcelo Veiga (coordenador técnico da base do Fluminense), Mário McCulloch, que é gerente de comunicação do Flamengo, e outros profissionais. Com isso, a diretoria comandará apenas o quadro social.
Monsanto, aliás, desenvolveu o projeto no trabalho final do curso de gestão técnica da Universidade do Futebol, em que teria de traçar um planejamento para algum clube.
Até o momento, foram arrecadados pouco mais de R$ 14 mil e a campanha continua por mais 55 dias. Aqueles que ajudarem serão recompensados com a flâmula, camisas retrô e podem ter o nome incluso na camisa oficial do centenário do Serrano.
História
A equipe de Petrópolis, região serrana do Rio, foi campeã da segunda divisão por duas vezes na década de 90, mas está ausente da elite desde 1981. A vitória mais importante da história veio um ano antes, quando Anapolina fez o gol que tirou a chance do tetracampeonato do Flamengo.
Veja o vídeo de lançamento da campanha de financiamento coletivo: