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Quais são os vencedores dos Estaduais?

O último domingo (08) marcou o término da maior parte dos campeonatos estaduais de futebol do Brasil. Dada a bagunça do calendário do esporte nacional, contudo, nem sempre os grandes vencedores são os times que ergueram as taças – o que é, por si só, uma das grandes idiossincrasias do esporte nacional.
Questão de contexto, primeiramente: ser campeão é sempre relevante, mas ser campeão estadual em uma temporada cujo ápice está longe de ser a disputa regional nem sempre é a melhor escolha. Há casos de deslumbramento (como o Vasco de 2015, que venceu no Rio de Janeiro e depois foi rebaixado no Brasileiro) e vítimas do sucesso (como o Santos, dono da taça do Paulista em 2016, que teve três jogadores convocados para a disputa da Copa América com a seleção brasileira e terá de se virar sem Gabigol, Lucas Lima e Ricardo Oliveira em pelo menos nove rodadas do Nacional).
Em São Paulo, por exemplo, o Audax não foi campeão do Estadual, mas saiu vencedor em diversos aspectos: valorizou atletas que não tinham sequer garantia de emprego para o segundo semestre, inseriu o nome do técnico Fernando Diniz em outro patamar de mercado e ofereceu uma perspectiva diferente de jogo, por exemplo. Na decisão do Paulista, o time de Osasco teve 70% de posse de bola contra um Santos que se contentou com a espera por um contragolpe.
É inegável o quanto o Audax ganhou com a campanha no Paulista. Nesse contexto, o título seria apenas a coroação de uma valorização que já havia sido construída por um estilo e por escolhas técnicas/táticas/anímicas da equipe comandada por Fernando Diniz.
Todos os caminhos para a vitória são lícitos e defensáveis, mas o resultado do Campeonato Paulista suscita uma dúvida: se o futebol é feito para agradar torcedores/consumidores, o triunfo é o único caminho para isso? A jornada não faz parte desse entretenimento? O Audax mostrou que é possível ter postura e gerar reações como orgulho e confiança sem precisar se curvar ao cenário.
O Santos ratificou um domínio recente no Estado, manteve uma soberania digna de nota em seu estádio e ainda confirmou diversos pontos em sua essência: a valorização de jogadores egressos da base e a aposta nos contra-ataques, por exemplo (um terço dos gols alvinegros nasce em contragolpes).
No entanto, a consequência imediata desse sucesso será o esfacelamento do time no Campeonato Brasileiro. Gabigol, que também é nome provável nos Jogos Olímpicos, pode perder até 18 rodadas. Lucas Lima e Ricardo Oliveira, assediados por equipes do exterior, têm enorme chance de não voltar da Copa América.
O asterisco também acompanha a vitória do Vasco no Estadual do Rio de Janeiro. Escolado pelo que aconteceu no ano passado, o time de São Januário sabe que não pode se empolgar com o título. A taça vale muito, é claro, mas o importante agora é pensar na temporada como um todo (volta à elite do Campeonato Brasileiro e disputa da Copa do Brasil fazem parte desse todo).
Por tudo isso, é preciso considerar o tamanho da vitória do Botafogo, time que voltou recentemente à primeira divisão nacional. A diretoria apostou num orçamento modesto, lançou uma série de garotos e conseguiu provar no Estadual que o trabalho de Ricardo Gomes tem ao menos um norte bem definido. É preciso reforçar, claro, mas até isso fica mais fácil com um orçamento mais concentrado.
E times como Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras, eliminados precocemente de seus torneios regionais? Todos têm como “vitória” do início de temporada o alerta precoce. É claro que não dá para comemorar o início de ano claudicante, mas novamente é uma questão de contexto: são equipes que tiveram tempo para repensar caminhos e escolhas antes do início do Campeonato Brasileiro.
Os Estaduais brasileiros são a pré-temporada mais longa do futebol mundial, e isso faz com que as principais equipes do país passeiem por diversos padrões de emoção durante o ano. Nem todas que tiveram bom início vão encerrar a temporada com um sorriso no rosto.
Uma coisa que esse formato de calendário iniciou, todavia, é que nem todo vencedor é o que levanta a taça no início do ano. Com tanto espaço e tanta margem para irregularidade, o futebol brasileiro ensina que toda cautela é pouco. Vencer sem depender de resultados muitas vezes é apenas questão de demonstrar convicção no tipo de futebol ou nas decisões tomadas. A distância entre campeão e vice muitas vezes é menor do que o pódio sugere.

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O legado do Audax: acreditar foi a receita para o clube se destacar no Paulista

A história do Audax é simples: um grupo de jogadores frustrados, desacreditados e dispensados em suas carreiras, até que surge alguém que acredita neles e pede que eles acreditem de volta. Um jeito de jogar audacioso e um time com pouco mais de dois anos de idade elimina gigantes e conquista um vice-campeonato.
Reportagem da ESPN mostra a história do pequeno time da região metropolitana de São Paulo, que roubou a cena no Campeonato Paulista.
A matéria ainda traz entrevista com João Paulo Medina, fundador da Universidade do Futebol, que falou sobre a metodologia de trabalho do técnico Fernando Diniz.
Confira a reportagem na íntegra clicando aqui
Audax

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Fernando Diniz, um jovem treinador dando aulas ao futebol nacional

Conheço pouco o treinador e o homem Fernando Diniz, mas já se percebe, mesmo à distância, que se trata de alguém especial no mundo do futebol. O jogo das suas equipes, poucas ainda no seu currículo profissional, é sempre prazeroso de se ver.

Cinco conceitos táticos básicos compõem o conjunto de argumentos de campo das equipes do Fernando Diniz:

1 – jogo coletivo pra defender e atacar;
2 – organização de posicionamento;
3 – mobilidade, muita mobilidade;
4 – posse de bola;
5 – ofensividade;

Seus times são basicamente “flexíveis” em campo, com ótimo senso de ocupação de espaços, bom controle de posse de bola e querem e jogam sempre para vencer.

Ele faz tudo isso com o jogador brasileiro, “produto” muito mal falado pelos quatro cantos do Brasil! O jogador brasileiro, com toda a sua desvalorização no mercado nacional, é capaz de fazer coisas diferentes e pertinentes ao futebol moderno. Basta que utilizemos as ferramentas – treinamentos – necessárias ao “milagre”.

Aprende-se muito com o Fernando Diniz! Aliás, sugiro que o futebol brasileiro também aprenda um pouco com este prodígio nacional. Não arrisco fazer comparações, mas trata-se de mais uma pedra nacional preciosa!

Nós que estamos passando pela fase de valorização do profissional estrangeiro em nosso meio esportivo, precisamos tirar as vendas dos olhos e também ver os brasileiros que estão surgindo. Tem muita gente boa dando sopa em nosso mercado. Não joguem nas contas dos treinadores e jogadores a exclusiva responsabilidade pelo estado de coisas do futebol nacional. Acho até que somos os menos culpados.

Assistir aos feitos do Fernando Diniz corrobora com muito do que venho falando nos últimos anos: temos todas as soluções para resolver os problemas do futebol brasileiro em nossos próprios meios. Não é preciso ir lá fora para reconhecê-lo. Afinal de contas, a nossa realidade é outra. O mundo é globalizado. Tudo que é feito lá é visto aqui! Precisamos ler, interpretar e aplicar conceitos modernos obedecendo às características do nosso jogo!

Mobilização em favor da competência técnica nas várias áreas que fazem o futebol brasileiro é condição premente para as soluções dos nossos problemas!

Método de treinos – qualidade de treinos – é no que se respalda a competência das equipes do Fernando Diniz. Ele costuma dizer mais ou menos o seguinte quando os repórteres se espantam com os feitos da sua equipe: “Pode parecer estranho, mas está tudo dentro de uma lógica tática e muitos treinos”.

Quando se fala em treinamento, subentende-se a competência do comando. O treinador Fernando Diniz tem uma especial maneira de comandar, o que acima de tudo auxilia na implantação dos seus métodos. Não se tem sucesso na aplicação de uma metodologia de treinos com passividade do comandante.

É preciso ser um líder protagonista e ter argumentos para tal! A semana de treinamentos para o futebol moderno é o que faz diferença tática em campo. Estamos pecando nesta imprescindível etapa da construção do jogo! No Brasil, que já foi o país do futebol, tudo tem sido mais importante à busca da vitória a qualquer custo, menos os treinos de campo.

Parabéns, Fernando Diniz! Quem quiser, que aprenda com você e ou com o jogo das suas equipes!

Abraço…

*Atualmente é técnico do Tupi, de Minas Gerais

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Responsabilidade social corporativa no futebol

O futebol é o esporte mais praticado no mundo, representando um mercado que movimenta bilhões de dólares anualmente. Leoncini e Silva colocam que diversos agentes estão ligados direta ou indiretamente à produção e execução desse espetáculo esportivo: jogadores, comissões técnicas, clubes, federações, mídia, médicos, fisioterapeutas, fornecedores de material esportivo, dentre outros.
Toda essa fama leva meninos de camadas sociais menos abastadas a buscar, cada vez mais cedo, o sonho de se tornarem jogadores profissionais de futebol. A rede de significados que a modalidade envolve no Brasil faz com que famílias de camadas populares tomem a formação de algum jovem talento presente nelas como um projeto de vida, uma possibilidade de ascenderem social e economicamente.
O presente estudo possui seu foco nos atletas formados nas divisões de base dos clubes brasileiros e que não chegam ao chamado nível profissional. Haverá ao longo do trabalho uma discussão acerca da responsabilidade social corporativa e da governança corporativa dos clubes.
A motivação em realizar esse trabalho é poder proporcionar um relato que mostre à sociedade que o mercado do futebol não apresenta oportunidades concretas para a profissionalização de todos os atletas. Logo, há de se criar alternativas para que esses jovens possuam um futuro digno.
Adiante, a relevância passa por causar uma discussão acerca da formação de um comportamento proativo de resguardo e assistência por parte dos clubes a esses jovens que não alcançam a profissionalização. Esses adolescentes que não se tornarão jogadores, muitas vezes, por abandonarem precocemente as salas de aula para investirem na carreira de jogador, acabam ficando relegados ao subemprego ou ao desemprego, visto que não tiveram formação educacional e profissional adequada para adentrarem o mercado de trabalho. O resguardo e a assistência seriam a recolocação profissional, o acompanhamento psicológico e o estímulo aos estudos, dentre outras possibilidades que serão discorridas ao longo do estudo.
Outrossim, a motivação pessoal atravessa o amor que o autor possui pelo futebol e demais práticas esportivas, tendo como objetivo de vida e carreira poder trabalhar em alguma área que conjugue esporte e educação no futuro. Já para a Administração, se faz relevante o estudo para evidenciar como tem sido realizada a gestão dessas instituições sem fins lucrativos em nosso país, abordando temáticas acerca da responsabilidade social corporativa e governança corporativa, e como elas podem gerar maior retorno à sociedade além de puramente lazer e emoção.
A metodologia utilizada será o levantamento bibliográfico, sendo todo esse baseado em periódicos obtidos na internet, livros, reportagens, sites, dentre outros meios. A escolha do levantamento se baseia na possibilidade de gerar um apanhado geral dos assuntos a serem abordados, gerando uma estrutura de entendimento sequencial dos fatos. Construído o embasamento teórico, será feita uma comparação com os clubes pesquisados (Internacional-RS e Audax-RJ), instituições que reconhecidamente fazem uso da RSC em sua estrutura funcional. Em seguida, vamos mostrar conclusões provenientes da temática estudada, propondo-se possíveis soluções.
Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui

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Professor de Paraguaçu conquista bolsa para qualificação profissional na Universidade do Futebol/UNICEF

Nesta segunda-feira (02), esteve na Secretaria de Estado de Esportes (SEESP) o professor Gabriel Pereira Sobrinho, de Paraguaçu, cidade do Sul de Minas. Ele foi contemplado com uma bolsa de estudos para atualização profissional com carga horária de 60 horas. A capacitação será ministrada pela Universidade do Futebol, entidade que estuda, pesquisa e propõe mudanças nas diferentes áreas e setores relacionados ao universo do futebol, nas dimensões socioeducativas e no alto rendimento sob a chancela do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A entrega da bolsa foi feita por meio da SEESP.
Gabriel atua como professor de futsal e voleibol há 27 anos e atualmente ministra aulas para 600 crianças e adolescentes. Servidor da Prefeitura de Paraguaçu, o profissional vê na bolsa de estudos conquistada uma grande oportunidade para desdobramentos inclusive internacionais em sua carreira, uma vez que ele foi indicado para participar do Educar pelo Futebol – Meu time é nota 10, um programa de capacitação desenvolvido pelo UNICEF em parceria com a Universidade do Futebol e com o apoio estratégico da Fundação FC Barcelona, da Espanha.
“Fico muito lisonjeado pela oportunidade. Vou participar dos cursos com uma vontade imensa de absorver o máximo de conhecimentos e poder contribuir para o crescimento do esporte na minha cidade. Quero aplicar tudo que aprender para beneficiar a população de Paraguaçu”, afirmou.
Gabriel é o primeiro mineiro a ser contemplado com a bolsa de estudos. A escolha se deu graças ao trabalho desenvolvido por ele no Sul de Minas e objetiva o desenvolvimento do esporte na região por meio da capacitação do professor, além de torná-lo uma fonte de informações sobre a realidade local.
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A importância do contexto

Nas quartas de final, vitória acachapante por 4 a 1 sobre o São Paulo; nas semifinais, também em jogo único, classificação em Itaquera diante do Corinthians, que era o detentor da melhor campanha, com vitória nas cobranças de pênaltis após empate por 2 a 2 no tempo normal; na decisão, duelo de igual para igual com o Santos e controle absoluto da posse de bola. Poucas partidas bastaram para transformar o Audax na principal notícia do Campeonato Paulista de 2016. Ainda que não fique com o título, a equipe de Osasco chama atenção por uma proposta que une domínio das ações da partida e movimentação constante dos atletas. Isso criou uma série de discussões sobre o futuro do treinador Fernando Diniz, 42, e dos jogadores que formam o agora badalado elenco. Eles funcionariam em outros clubes? Teriam sucesso com uma pressão maior ou outro sistema? A grande notícia do Paulistão pode ser o Audax, mas o grande ensinamento proporcionado sobre o torneio é a importância do contexto no futebol.
Sobre Fernando Diniz: é claro que o treinador tem muita capacidade de retirar dos jogadores as características que imagina para um time. Também é claro que evoluiu nas relações pessoais e que tem sofrido menos com problemas extracampo – no passado, a forma de cobrar ou de se relacionar com erros minou o trabalho do técnico. No entanto, ele teve no Audax uma combinação difícil de imaginar em outras equipes: liberdade, autonomia e tempo. O clube que hoje é visto como modelo passou grande parte do Estadual sendo sinônimo de risco desnecessário ou de controle estéril. Era a equipe de posse de bola ineficaz, que trocava passes no campo de defesa e muitas vezes oferecia chances demais aos rivais.
Fernando Diniz poderia fazer sucesso em outros clubes e poderia fazer sucesso sem necessariamente replicar a filosofia que construiu em anos de Audax. Contudo, é fundamental que os interessados no treinador tenham esse entendimento: se quiserem dele o que o time de Audax apresenta, é fundamental oferecer todo o contexto.
O mesmo vale para os jogadores do Audax. Danilo Tchê Tchê tem negociação encaminhada com o Palmeiras, e o Corinthians foi atrás de Camacho e Bruno Paulo. A maior parte do elenco ficará sem contrato após o término do Campeonato Paulista, e muitos devem ser incorporados por elencos que disputarão a Série A do Brasileiro. Mas qual é o nível de expectativa que essas equipes depositarão sobre os atletas?
Usar bem os jogadores demanda entender o que eles fazem bem e como eles eram úteis em um contexto diferente. Parece lógico, mas agora pegue o histórico de contratações recentes do seu clube: quais foram pensadas com esse nível de estratégia? Quais foram escolhidas por razões específicas e não apenas por bom/mau desempenho?
As análises simplistas que fazemos sobre jogadores, técnicos e times muitas vezes contaminam esse tipo de decisão. Escolhemos as coisas com base em conceitos como “bom” ou “ruim” e não por fazerem sentido em um contexto.
O que o Audax tem mostrado é que o contexto é tudo. O que não é nem novidade – outros tantos times brasileiros são bons exemplos dessa lógica. A mudança, nesse caso, é que as pessoas têm percebido mais.
O futebol brasileiro, aliás, tem uma série de exemplos de evolução nesse quesito. A temporada 2016 é marcada pelo sucesso do Audax, mas também já deixa evidentes as propostas de jogo de times como Santos, Botafogo, Vasco e América-MG. São equipes que sabem o que querem e como podem extrair o máximo potencial de seus atletas.
Como em qualquer jogo, o futebol não oferece apenas um caminho para o sucesso. Ninguém precisa ser o Barcelona e ninguém precisa repetir as decisões tomadas por Pep Guardiola ou José Mourinho. É possível vencer de diferentes formas, mas é muito mais difícil ter êxito se o trabalho começar ignorando as características individuais e como isso pode compor o contexto.
Parte da construção desse contexto é a comunicação adequada em todos os níveis. Um dos grandes méritos do Audax é saber quem é, saber que tipo de jogo deseja e colocar todas as pessoas envolvidas no projeto em uma mesma página. Dentro e fora do clube há um altíssimo grau de entendimento sobre a situação financeira (a folha salarial total gira em torno de R$ 420 mil), o potencial e os caminhos escolhidos.
O Audax também é o que é porque soube “vender” corretamente, para dentro e para fora, o projeto para este ano. Comunicação também tem a ver com saber avaliar e disseminar a essência.