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Intensidade

Não é fácil retirar fatos pré-concebidos na sociedade atual. Somos espelhos de vícios e jargões que devastam possibilidades evolutivas. Em qualquer área, os fatos prontos, feitos por medidas padrões, capacitam a cegueira e dificultam a abertura dos olhos.

E o que vem chamando atenção ultimamente é o termo intensidade. Intensidade, no olhar pragmático, conceitua-se pelo esforço físico dos jogadores, por correr, pressionar, apertar e chocar. Se os jogadores correm, são intensos e se não correm, não são.

Evidente que uma das facetas da intensidade é o esforço físico, mas só partindo por essa análise simplista, já levantamos três perguntas: de que forma esses esforços físicos são realizados anteriormente ao jogo nos treinamentos? De que forma serão realizados no jogo? Só pode ser intenso sem a bola?

Por essa via já temos muitas interrogações. E há muitas coisas que sobrepõem apenas o correr no conceito de intensidade.

Enxergar apenas no dia do jogo o conceito de intensidade, ou apenas nos trabalhos físicos isolados, podemos entrar numa limitação conceitual, pois esse conceito é muito rico e complexo.

Mudando a lente, olhando sistemicamente, qualquer exercício, com bola ou sem bola, qualquer interação no jogo pode ser intensa, pois carrega consigo uma intensidade relativa que engloba fatores específicos: forma de jogar, emocionais, cognitivos, decisionais, técnicos e físicos. Essa ideia sobrepõe a imagem de que o treino com intensidade é apenas físico e clarifica o poder da concentração específica.

Um elevado nível de performance necessita antes de qualquer coisa um elevado nível de concentração. Esse elevado nível de concentração, que busca sempre ser o máximo que é relativo, primeiramente é contextual a cada realidade, a cada equipe, a cada interação entre os jogadores intra-inter equipe e contra os adversários. Apenas com um nível alto de concentração, o jogador pode ser intenso realmente. Imaginemos um jogador que corre muito durante uma partida, se não estiver concentrado para correr no momento e para o lugar certo, não estará sendo intenso, apesar de parecer ser. Imaginamos uma equipe que usa a bola como instrumento de jogo, sua intensidade será diferente.

Afinal, a operacionalização dessa intensidade relativa deve estar entranhada na frase “se joga como se treina”. E todos os dias devem ser intensos, pois se escolhermos dias para treinar intensamente, poderemos não ter intensidade no jogo. Assim, o revestimento dessa intensidade em cada dia é que deve ser ajustado. Esse ajuste gera um impacto emocional que faz os jogadores se identificarem com todos os intervenientes dessa terminologia.

E, em cada dia os exercícios requerem níveis relativos cuja intensidade máxima e ideal para o desempenho seja coincidente com os requisitos do momento semanal, sendo que essa intensidade se refere a concentração individual, grupal, setorial, inter-setorial e coletiva, ou seja, um traço qualitativo-quantitativo de informações que um jogador/jogadores processarão durante um ciclo de treino/jogo originário de uma especificidade permanente.

Eu pergunto: quando o gajo vai marcar um pênalti, não é intenso? É por isso que eu chamo de intensidade máxima relativa: é sempre máxima, mas relativa em função da complexidade contextual. (Vitor Frade)

Mudamos nosso conceito de intensidade!

Abraços a todos e até a próxima quarta!

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Copa da Primeira Liga: falta “marketing”?

Semana passada Abel Braga, treinador do Fluminense, disse em entrevista coletiva que a ausência de clubes de São Paulo na Copa da Primeira Liga era ruim para o “marketing” do torneio. Independente da presença ou não deles, é preciso perguntar qual o objetivo do torneio, qual o público-alvo e qual a sua vantagem competitiva em relação às demais competições. É este o produto que vai ser colocado no mercado (e concorrer com outros torneios de futebol e outras opções de lazer que as pessoas têm) e estará disponível para as televisões e o público torcedor.

Em uma análise superficial, a Copa do Nordeste tem tudo isso e em relativamente pouco tempo conseguiu construir um produto excepcional, muito disputado e com estádios repletos. Dentre outros motivos, está muito claro para o torneio Nordestino o que foi citado no parágrafo anterior. A Copa da Primeira Liga por sua vez já mostra publicamente que nos bastidores os clubes divergem bastante, muito antes de a competição começar. Ademais, dentro de um produto, a frequência e regularidade de uma competição também são aspectos a serem bastante considerados. Nesse sentido, um torneio ficar meses sem um jogo cria um enorme vazio institucional cuja recuperação é possível, mas é um esforço que pode ser evitado.

Esses questionamentos devem ter sido feitos, mas é preciso deixar claro o que quer a Copa da Primeira Liga e qual o diferencial em relação aos outros torneios com que concorre, nomeadamente a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. A Copa do Nordeste tem isso muito claro. A Copa do Brasil, quando criada no final dos anos 80, passou a proporcionar aos médios e pequenos clubes uma oportunidade para se projetarem nacional e internacionalmente, haja vista o Criciúma Esporte Clube do início da década de 90.

Foto: Divulgação
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Portanto, falta sim “marketing” para a Copa da Primeira Liga. Falta conceber melhor este produto para que ele seja interessante aos torcedores. Se for preciso, levar em consideração o formato, a periodicidade, os clubes participantes e suas categorias utilizadas. Se é uma liga, há espaço para inovação no uso da tecnologia, por exemplo. Tudo isso lado a lado com os objetivos do torneio, em respeito aos dois elementos mais importantes do esporte: o atleta e o torcedor.

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Futebol de Base: Um diagnóstico estrutural e financeiro do processo de captação de atletas em clubes de futebol do Brasil

Inegavelmente o futebol manifesta-se como fenômeno sociocultural no Brasil, tendo em vista a imensa relevância no cotidiano da sociedade. É possível notar altíssima demanda de praticantes em caráter recreativo, social, formativo e profissional. Entretanto, milhões de crianças e adolescentes projetam na carreira de jogador de futebol a realização de um sonho, a possibilidade de ascensão social, diminuição das dificuldades familiares e a esperança de uma vida com mais qualidade. Todavia, pesquisas mostram que 82% dos atletas profissionais de futebol recebem até 02 salários mínimos. Tem-se então como problemática da pesquisa a intenção de diagnosticar as condições de recursos humanos, materiais e financeiros que os clubes de futebol no Brasil disponibilizam para fomentar o processo de captação de atletas para suas categorias de base.

Quanto a metodologia, foi confeccionado um questionário estruturado com vinte e sete perguntas e direcionado via e-mail à membros de 75 clubes do futebol brasileiro que possuem histórico em formação de atletas. Utilizou-se um recorte de dez perguntas para essa análise, visando identificação estrutural e econômica do mecanismo de captação de atletas.

Convém ressaltar que tivemos a taxa de retorno equivalente 68% dos questionários encaminhados, ou seja, 51 clubes. Sendo 26 das Séries A e B e 25 clubes que não constavam nas divisões anteriormente citadas no ano de 2016.

Os resultados mostraram que 57 % dos clubes investigados possuem Departamento Captação. Desses, 68% são geridos por um Coordenador de Captação. Observou-se também que a média salarial desse profissional é de aproximadamente R$ 6.000,00 em clubes de Séries A e B e de R$ 3.000,00 em clubes não pertencentes à essas divisões.

No tocante aos custos destinados ao Departamento de Captação para despesas mensais com viagens, alimentação e hospedagem dos observadores técnicos, notou-se que 65% dos clubes apresentam dispêndio de até R$ 3.000,00, 26% investem entre R$ 3.000,00 e 10.000,00 e 09% destinam valores acima de R$ 10.000,00. Importante salientar que os clubes identificados com maior capacidade de investimento pertencem a Série A do Campeonato Brasileiro.

No que se refere as despesas com contratação de atletas para as categorias de base, leia-se pagamento de luvas, gratificações e/ou bonificações. Foi possível constatar que 08% dos clubes destinam verba mensal para este fim, sendo que em nenhum deles o valor ultrapassa R$ 10.000,00. Cerca de 91% dos clubes pesquisados possuem observadores técnicos no quadro funcional. Destes, verificou-se que 42% dedicam-se exclusivamente a função de observador técnico. A pesquisa revelou também que a média salarial para desempenhar essa função é de R$ 3.450,00 em clubes da duas principais divisões do futebol brasileiro. Nos demais clubes investigados, encontrou-se média de R$ 2.580,00.

Foi possível verificar que os clubes totalizaram 129 observadores técnicos, gerando uma média de aproximadamente 3 profissionais por clube. Ao analisarmos o quadro de profissionais que são responsáveis por garimparem talentos em outras regiões, percebemos que apenas 18% dos clubes possuem observadores técnicos externos, destes, 11% visitam quinzenalmente seu clube, 44% mensalmente, 33% trimestralmente e 11% semestralmente.

A partir dos resultados deste estudo, é inevitável sublinhar a necessidade dos clubes entenderem a importância de aporte financeiro para viabilizar despesas com logística de viagens dos observadores técnicos e a criação planejada de cotas que contemplem reconhecimento financeiro para aquisição de talentos. No que se refere ao número de observadores técnicos, identificamos insuficiente quantidade de profissionais para atender a demanda de trabalho, tendo em vista as condições geográficas de nosso país.

Ao identificar que poucos clubes possuem observadores técnicos externos, constata-se a importância de investimento mais agressivo na contratação deste profissional com a intenção de tornar-se mais competitivo nesse concorrido mercado pela busca de jovens com sinais relevantes de talento.

Vale ressaltar que clubes pertencentes às Séries A e B do Campeonato Brasileiro possuem vantagens consideráveis no que se refere aos aspectos estruturais, favorecendo maior investimento no processo de seleção e detecção de talentos. Apesar desta discrepância, diagnosticou-se que clubes de divisões inferiores não deixam de lado a prospecção de jovens promessas em detrimento das sérias restrições no tocante aos recursos humanos e financeiros.

Em última instância, é necessário lembrar que clubes de futebol que desejam atuar de maneira profícua na esfera da captação de atletas devem preocupar-se com formatação de um setor específico para tal atividade, departamento esse que deve possuir profissionais competentes e remunerados adequadamente dentro da política do clube, além de destinar orçamento específico para potencializar a oportunização, identificação e seleção de talentos para as categorias de base.

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Copa da Primeira Liga: falta "marketing"?

Semana passada Abel Braga, treinador do Fluminense, disse em entrevista coletiva que a ausência de clubes de São Paulo na Copa da Primeira Liga era ruim para o “marketing” do torneio. Independente da presença ou não deles, é preciso perguntar qual o objetivo do torneio, qual o público-alvo e qual a sua vantagem competitiva em relação às demais competições. É este o produto que vai ser colocado no mercado (e concorrer com outros torneios de futebol e outras opções de lazer que as pessoas têm) e estará disponível para as televisões e o público torcedor.

Em uma análise superficial, a Copa do Nordeste tem tudo isso e em relativamente pouco tempo conseguiu construir um produto excepcional, muito disputado e com estádios repletos. Dentre outros motivos, está muito claro para o torneio Nordestino o que foi citado no parágrafo anterior. A Copa da Primeira Liga por sua vez já mostra publicamente que nos bastidores os clubes divergem bastante, muito antes de a competição começar. Ademais, dentro de um produto, a frequência e regularidade de uma competição também são aspectos a serem bastante considerados. Nesse sentido, um torneio ficar meses sem um jogo cria um enorme vazio institucional cuja recuperação é possível, mas é um esforço que pode ser evitado.

Esses questionamentos devem ter sido feitos, mas é preciso deixar claro o que quer a Copa da Primeira Liga e qual o diferencial em relação aos outros torneios com que concorre, nomeadamente a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. A Copa do Nordeste tem isso muito claro. A Copa do Brasil, quando criada no final dos anos 80, passou a proporcionar aos médios e pequenos clubes uma oportunidade para se projetarem nacional e internacionalmente, haja vista o Criciúma Esporte Clube do início da década de 90.

Foto: Divulgação
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Portanto, falta sim “marketing” para a Copa da Primeira Liga. Falta conceber melhor este produto para que ele seja interessante aos torcedores. Se for preciso, levar em consideração o formato, a periodicidade, os clubes participantes e suas categorias utilizadas. Se é uma liga, há espaço para inovação no uso da tecnologia, por exemplo. Tudo isso lado a lado com os objetivos do torneio, em respeito aos dois elementos mais importantes do esporte: o atleta e o torcedor.

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Eleição no Cruzeiro: da chapa de oposição, Sérgio Rodrigues apresenta propostas

Faltando um mês para a eleição do novo presidente do Cruzeiro – marcada para 2 de outubro – os bastidores do clube se agitam com a movimentação das chapas em busca de votos dos cerca de 450 conselheiros aptos a escolher o novo mandatário. Duas alas concorrem: a chapa “União – Pelo Cruzeiro, Tudo”, encabeçada pelo empresário Wagner Pires de Sá, apoiado e indicado pelo atual presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares. A outra é de oposição, a “Tríplice Coroa”, que tem como cabeça de chapa o advogado Sérgio Santos Rodrigues. Buscando elucidar as principais propostas e ideias para o Cruzeiro nos próximos três anos, o GloboEsporte.com começa a apresentar o perfil e o que pretendem os dois candidatos. O primeiro será Sérgio. A reportagem já fez o convite ao candidato Wagner Pires e aguarda a resposta do mesmo.

Sérgio Rodrigues tem 35 anos, é advogado e mestre em direito. É filho do conselheiro nato do Cruzeiro, Joaquim Herculano Rodrigues, e trabalha no clube, oficialmente, desde 2009. Já ocupou o cargo de superintendente de gestão estratégica e de assessor jurídico da presidência. Em 2015, assumiu a superintendência de negócios internacionais e, ainda naquele ano, se tornou superintendente do futebol profissional. No início deste ano, deixou o cargo e tornou-se candidato neste segundo semestre, formando chapa com os vice-presidentes Giovanni Baroni e Marco Túlio Miranda. Em uma entrevista de uma hora, em seu escritório, o advogado Sérgio Rodrigues foi perguntado sobre qual seu objetivo ao assumir o Cruzeiro, seus desafios, sonhos e planejamento. Além disso, falou sobre temas que cercam o ambiente do clube, como os problemas financeiros, contratações, a relação com Minas Arena e Federação Mineira de Futebol, além de falar da relação que tem com a família Perrella.

Confira, abaixo, a entrevista completa com o candidato:

PROPOSTAS DE CAMPANHA

GloboEsporte.com: Como você se preparou para se tornar candidato e, talvez, caso ganhe a eleição, o presidente do Cruzeiro a partir de 1º de janeiro?

Sérgio: Vou discordar de você no “talvez”. Não tenho dúvida disso não (de ganhar a eleição). O torcedor pode ter certeza que estamos bem convictos na vitória da nossa candidatura, do que está sendo feito, do apoio que reunimos. Se você pegar a família Brandi, junto com o Rafael (Brandi), o César Masci, os Perrella. Quem geriu o Cruzeiro nos últimos 30, 40 anos, até 2012, está apoiando a gente e com convicção na nossa vitória. Eu passei, primeiro, essa experiência prática dentro do clube. São nove anos trabalhando. Algumas vezes uns falam: “ah, o Sérgio é muito novo”. Mas acho que a experiência que adquiri empírica, é diferente, superior ao dos três candidatos somados da outra chapa. De repente, eles podem ter serviço prestado no conselho, mas são serviços distintos. Eu falo muito: o Cruzeiro já foi um clube social com um clube de futebol, hoje ele é um time de futebol com um clube social. Isso, às vezes, o conselheiro do Cruzeiro fala muito: “O Sérgio não frequentava determinado ambiente do clube sempre”. Eu sempre brinco é que estava trabalhando para o clube ou em outro lugar do clube. Sempre busquei frequentar. Jogo pelada no clube o máximo possível. Mas o que se espera do presidente do clube não é que ela seja um frequentador assíduo do clube social, claro que tem que frequentar e conhecer, mas ele tem que ser um conhecedor de gestão. Presidente não tem quer ficar dando palpite em futebol, em parte técnica, para isso tem o diretor de futebol, o diretor técnico, a análise de desempenho. Costumo dizer que, se for para discutir futebol com os outros, queria ser técnico ganhando o que eles ganham. Não queria tentar ser presidente do clube, ser presidente sem salário.

– Então, desde que venho trabalhando, tenho procurado me qualificar, além da experiência no Cruzeiro, faço visitas técnicas. Tenho todas catalogadas desde 2012. Sempre deixo um desafio para qualquer diretor estatutário, de divulgar quantos CT’s, estádios que visitou. Não tenho dúvida nenhuma que, se tiver alguém com mais, não vai ser muito mais com a gente, porque temos bastante rodagem nisso também. A parte, óbvia também, é acadêmica. Tudo hoje depende do estudo. Segue a prática com a teoria. Para isso, fiz três cursos de futebol, na área de gestão técnica da Universidade do Futebol, de gestão do futebol na CBF e o MBA em gestão de entidades desportivas na escola do Real Madrid, em parceria com a Universidade Europeia, quando fiquei 10 dias estudando, conheci bastante as áreas do clube. A gente junta essa experiência dentro do Cruzeiro com a ênfase no estudo, o que nos permite hoje postular um cargo, claro com a ajuda de pessoas com história no clube, que construíram o clube e que estarão do nosso lado.

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Para ver a matéria na íntegra, clique aqui.

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Concentração e excelência no futebol

“São situações de jogos grandes que inevitavelmente vão acontecer. Tem que ter um nível de concentração muito alto. Se não tiver mentalmente muito forte para as adversidades, facilmente deixa de produzir o melhor. Falei no intervalo para manter o nível de concentração alto e o segundo tempo foi muito melhor do que o primeiro”. Essas são as palavras do técnico da seleção brasileira, Tite, após a vitória do Brasil sobre o Equador, no último dia 31/08/2017.

Observando essa menção sobre a concentração, achei importante nesta semana falar brevemente a respeito deste assunto dentro do grande tema excelência do atleta profissional de futebol.

Posso e devo recorrer à obra da Terry Orlick para provocar nossa reflexão sobre a busca da excelência e o papel da concentração nesse contexto. O autor comenta que todos nós temos a capacidade de buscar nossos sonhos e alcançar os objetivos significativos para nossas vidas, pois existe uma força inacreditável dentro de nós mesmos quando conseguimos extrair todo o poder de nossa concentração, quando aumentamos a qualidade e a consistência da nossa concentração, e estes acréscimos ajudam a elevar a consistência e a qualidade do nosso desempenho profissional.

A concentração é o primeiro e o mais importante elemento da excelência. A grande maioria dos atletas profissionais que atingem o seu melhor desempenho ou que conquistam a excelência em níveis mais elevados, aprenderam a se concentrar efetivamente.

É valioso termos em mente que a melhora da concentração poderá permitir que o atleta continue a aprender, experimentar, crescer, criar, aproveitar e alcançar um desempenho cada vez mais próximo da sua capacidade máxima.

Então agora podemos começar a perceber o valor das palavras do técnico Tite, quando menciona a importância da concentração de seus atletas e o efeito positivo ou os benefícios que uma concentração elevada pode gerar. Complementando, para termos uma noção exata de como se pode promover o aumento das reflexões sobre a importância da concentração, seguem alguns exemplos de indagações que podem ser feitas aos atletas, para que eles possam começar a refletir verdadeiramente sobre a sua concentração.

  • Você está trabalhando para manter seu melhor estado de concentração o tempo todo em sua atuação, seja em treinos ou nos jogos?
  • Você consegue lembrar de momentos em que uma melhor concentração traria um melhor resultado de sua ação em campo?
  • Você pode elaborar novas ações para elevar o seu nível de concentração atual?
  • Você tem trabalhado constantemente para melhorar a qualidade e consistência de sua concentração a cada dia?
  • Você está concentrado em fazer as pequenas ações, necessárias e programadas, que têm o melhor efeito para o aumento do seu desempenho a cada dia?

Reflexões como estas podem contribuir e muito para que todo atleta profissional se mantenha na busca constante do seu melhor desempenho possível na carreira.

Até a próxima!

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A autonomia do jogador

Olá, caro leitor.

Alguém de vocês já fez, ou faz, aulas para aprender a tocar algum instrumento? Eu já fiz! Por um curto período de tempo (pretendo retomar um dia, não necessariamente neste instrumento) fiz aulas de violão. Em função de uma série de fatores não dei continuidade, na época ainda não trabalhava com o esporte, porém, algumas posturas didáticas do meu professor me fizeram refletir bastante e influenciam na minha ação como professor/treinador hoje.

Meu antigo professor me apresentou as bases de qualquer canção, as notas musicais, utilizou algumas músicas prontas para que eu pudesse começar a dominar as notas tanto em relação ao conhecimento declarativo (ouvir e reconhecer), como também em relação ao conhecimento processual (tocar). E sempre me dizia que era importante que dominasse as notas e pudesse reproduzi-las, a fim de que, na sequência, começasse a usar minha criatividade e predileções para compor minhas próprias músicas. Ele não estava tão preocupado se eu fosse tocar rock, música clássica ou sertaneja, simplesmente queria que eu fosse capaz de tocar e produzir música por mim mesmo.

Trazendo esta situação para o jogo de futebol, é notória (e imprescindível) a grande importância que tem se dado à tomada de decisão dos jogadores em uma partida (nas colunas “Tomar decisões, algo simples e complexo” e “Como você está formando ‘Jogadores Inteligentes’?” trago algumas reflexões sobre o tema). As principais e mais recentes pesquisas apontam que um jogador tem de tomar cerca de 2 mil decisões em um jogo de 90 minutos, enquanto que uma pessoa num dia “normal” toma cerca de 8 mil decisões. Podemos dizer que a densidade de tomada de decisão em um jogo é muito alta, portanto, é altamente plausível que se dê muita atenção à qualidade destas decisões.

Agora, o que são boas decisões?

Poxa, Danilo! Boas decisões são aquelas que aproximam a equipe de cumprir a lógica do jogo, marcar mais gols do que o adversário!

Ok, concordo. Porém, são muitas e distintas as decisões que podem conduzir a isso!

Um jogador pode decidir pegar a bola, sair driblando os adversários e fazer um gol. Um defensor pode decidir dar um “chutão” para frente e a equipe conseguir marcar um gol. Ou a equipe decidir iniciar uma sequência de movimentações e trocas de passe que culminem em colocar a bola dentro do gol adversário. E aí, qual destas decisões é a melhor?

Algumas vezes já ouvi as expressões “jogador de joystick” e “treinador de Playstation”, fazendo alusão a jogadores que só agem segundo os comandos do treinador e a treinadores que buscam ter o controle total sobre todas as ações dos jogadores. Será que a todo momento é necessário que o treinador fique dizendo o que deve ser feito e que os jogadores só ajam de acordo com aquilo que lhes é dito?

Nos últimos anos tem se discutido muito a respeito das decisões que os jogadores tomam no jogo, em mecanismos para se qualificar e potencializar estas decisões, em desenvolver a autonomia dos jogadores. Mas, como direção e comissão técnica, estamos realmente preparados para isso? Ou a cada decisão diferente daquilo que consideramos certo, mesmo que a mesma tenha sido eficaz para a situação, sabemos lidar com isso? Ou nossa resposta a essa decisão vai somente de acordo ao resultado dela? Por exemplo: um jogador tem a opção de dar um passe vertical curto para outro logo a sua frente, mas arrisca e tenta fazer uma inversão através de um passe longo. Duas decisões aceitáveis e com seu grau de produtividade. Se o jogador acerta a inversão, lhe damos os parabéns e se erra lhe cobramos por não ter feito o passe curto? Estamos realmente dando o poder para os jogadores tomarem as próprias decisões ou através dos treinos e abordagens só lhe damos a opção de tomar determinadas decisões que desejamos.

É sabido que equipes como o Barcelona possuem uma linha de pensamento de jogo bem definida, assim como uma metodologia de treinamento que induz, desde muito cedo nas categorias menores, seus jogadores a tomarem decisões de acordo com a filosofia que o clube defende. E longe aqui de julgar se isso é bom ou ruim, mas sim, pontuar que no Barcelona isso ocorre de forma estruturada, planejada e consolidada há muito tempo e que, ainda assim, não limita totalmente as decisões de seus jogadores. Agora, quantas equipes no Brasil tem algo similar a isso ou estão construindo algo nesse sentido? E de acordo com a nossa cultura e história, nossos melhores jogadores foram e são aqueles mais criativos e autônomos ou aqueles que só reproduziam o que os treinadores lhe pediam/pedem?

Meu antigo professor de música, queria me preparar para conhecer mais de música, aprender a tocar e, assim, de acordo com a minha vivência musical, poder tocar aquilo que me agrada, que me satisfaz, não importando se o estilo de música tocada, necessariamente fosse aquele que mais lhe agradava. Queria me preparar para tocar bem música, seja ela qual for. Será que nós estamos preparando nossos jogadores para tomar somente as decisões que nós queremos ou os estamos conduzindo para serem capazes de reconhecer e avaliar o cenário, para então tomarem as próprias decisões, pautadas no contexto em que estão inseridos, na experiência que possuem e tendo autonomia naquilo que fazem?

Estamos preparados e somos capazes de lidar com as decisões dos nossos jogadores, sobretudo com aquelas que divergem daquilo que esperamos? A orquestra toca segundo a batuta do seu regente, porém, ainda nela, existem espaços para as improvisações dos músicos.

Como lidamos com as decisões dos nossos jogadores que são diferentes do que desejávamos e/ou não tem a eficácia que deveriam?


Até a próxima!

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Adilson, o melhor na visão de Carille

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Bicampeão mineiro e vice da Libertadores com o Cruzeiro, Adilson Batista está sem emprego há dois anos, desde que foi demitido pelo Joinville, mas recebeu uma injeção de ânimo nos últimos dias para seguir a carreira de treinador de futebol. Em entrevista ao programa ‘No ar’, comandando por André Henning, no Esporte Interativo, o técnico corintiano Fábio Carille, destaque no momento, declarou que Adilson foi o melhor treinador de campo que já viu ao longo de sua trajetória como atleta e auxiliar.

A frase de Carille sobre Adilson
”Melhor técnico de campo que eu vi. (…) Treinamentos direcionados para a partida, com objetivo muito claro, com dinâmica, trago muita coisa do Adilson até hoje nos meus trabalhos. De campo, como atleta e auxiliar, o melhor técnico que eu vi”.
Conselhos
Recentemente, Fábio Carille e Adilson Batista fizeram, juntos, o curso de formação de técnicos promovido pela CBF e obtiveram a licença A. Nesse período, o ex- cruzeirense se abriu com o corintiano sobre alguns erros que cometeu em sua trajetória profissional e pediu conselhos. Ao programa do Esporte Interativo, Carille revelou parte dessas conversas. “Acho que se perdeu um pouquinho. Entra nessa questão de levar para campo algo que você não treinou, aí perde um pouquinho a confiança dos atletas. Falo bastante com ele, é meu amigo, fizemos o curso da CBF agora, ele até me perguntou, eu falei algumas coisas, ele me deu liberdade para falar, e eu falei, mas acredito que ele possa ainda fazer muito sucesso no nosso futebol porque é um profissional muito capacitado.

Agradecimento

À coluna Jogo Rápido, Adilson Batista revelou que fez questão de agradecer a Carille pelo depoimento dado em rede nacional. “Muito do que ele falou pode ser confirmado por atletas experientes que trabalharam comigo. Estou querendo melhorar sempre, fazendo cursos, vendo jogos no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos, na América do Sul”.

Reciclagem

Nesses dois anos em que ficou fora do mercado, Adilson Batista aproveitou para estudar, participar de cursos e conhecer dinâmicas de trabalho de alguns clubes do exterior. Ele esteve, por exemplo, no Orlando City, onde joga o craque Kaká. Durante a última edição da Florida Cup, também acompanhou os alemães Bayer Leverkusen e Wolfsburg.

Além do certificado obtido na CBF, Adilson fez cursos na Universidade do Futebol com foco não apenas no campo, mas voltados para gestão do esporte e de pessoas. O técnico sabe também que, na volta ao mercado, terá que evoluir também na relação com a imprensa.

Inspirações

Nos livros que leu sobre futebol, Batista buscou inspiração em histórias de sucesso de nomes como Carlo Ancelotti, Pep Guardiola, José Mourinho, Marcelo Bielsa, Alex Ferguson, Jorge Jesus e Tite. “Aprendi muito não só com os livros, mas viajei para Argentina, Uruguai, Chile, assisti jogos, conversei com profissionais. A ideia é evoluir. Mas o futebol brasileiro também precisa mudar e acabar com essa coisa de perder três, manda embora”.
Carille sobre Mano
Na mesma entrevista ao Esporte Interativo, Carille também deixou sua impressão sobre Mano Menezes. “Rápido, o que vem logo na cabeça: disciplinador e linha de quatro muito definida atrás, muita organização, os jogadores sabendo bem o que fazer, não desmanchando nunca, sabendo jogar com e sem bola, muito cuidadoso para não subir os dois laterais. Detalhes que guardo do Mano”.
Assista à entrevista de Carille para o Esporte Interativo:
O trecho sobre Adilson Batista está no minuto 35

 
Fonte: www.mg.superesportes.com.br

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Eduardo Baptista – treinador de futebol

A trajetória de Eduardo Baptista em 2017 exemplifica bem uma série de problemas que acometem os treinadores de futebol no Brasil. Amparado por boa campanha com a Ponte Preta no ano passado, o treinador foi escolhido para comandar na atual temporada o Palmeiras, que havia sido campeão nacional e investiu mais de R$ 100 milhões em reforços badalados como o volante Felipe Melo, o meia Guerra e o atacante Borja. Foi demitido em maio, após eliminação no Campeonato Paulista. Assumiu o Atlético-PR depois de hiato inferior a 20 dias, mas também durou pouco: caiu depois de menos de dois meses, em meio a conflitos internos que contribuíram para minar o trabalho.

As agruras vividas por um treinador no Brasil, contudo, não são novidade para Eduardo. Filho de Nelsinho Baptista, que foi jogador e até hoje trabalha como treinador, ele tem mais de 20 anos de experiência na área. Além disso, possui diploma de educação física, pós-graduação em fisiologia do exercício e mestrado em ciência do esporte.

Fã do próprio Nelsinho, de Tite e de Pep Guardiola, Eduardo começou como treinador em 2014, quando assumiu interinamente o Sport e acabou efetivado. Em poucos anos, tornou-se símbolo de uma geração promissora na área – é contemporâneo de nomes como Fabio Carille e Roger Machado, por exemplo. No entanto, ainda sofre para implantar em algum clube as ideias que considera adequadas para o futebol como um todo.

“Vejo a qualidade hoje bem abaixo de onde poderíamos estar. A pressão criada em cima de treinadores e um calendário repleto de partidas fazem com que se priorize a defesa ao ataque, a ligação direta à posse, o retardar o jogo ao jogar. Tudo isso tem empobrecido o futebol jogado”, disse Eduardo Baptista em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

Universidade do Futebol – Quais são as referências teóricas do seu trabalho? E os profissionais que servem como referência?

Eduardo Baptista – Nelsinho Baptista, Tite e Pep Guardiola. Sou leitor dos trabalhos de Vitor Frade sobre periodização tática, apesar de adaptar para a realidade brasileira.

Universidade do Futebol – Para você, o que é talento no futebol?

Eduardo Baptista – É o que acontece quando um atleta se sobressai sobre outros em relação a aspectos técnicos e físicos, além da parte intelectual, e consegue ler e entender situações que o jogo pede, resolvendo-as com rapidez e eficiência.

Universidade do Futebol – Como você avalia a quantidade e a qualidade dos talentos no futebol brasileiro atualmente?

Eduardo Baptista – Acredito que a produção de talentos no Brasil diminuiu sensivelmente. Tenho algumas teorias: a diminuição dos jogos de rua, em que não há regras ou cobrança por resultados, apenas a diversão, em decorrência do desenvolvimento urbano; as escolas sem espaço ou interesse pela prática de educação física; os atletas da base que precisam servir ao profissional cada vez mais cedo, o que interrompe o desenvolvimento da personalidade e gera uma carga de responsabilidade muito grande; e a cópia excessiva dos modelos europeus. Não que não estejam certos, mas é preciso tentar um equilíbrio nesses trabalhos para não podar o atleta brasileiro no que ele tem de melhor: o drible, a irreverência e a capacidade de sair de situações inusitadas. O excesso de regras nos pequenos jogos ou nos trabalhos tem inibido isso, na minha opinião.

Universidade do Futebol – Qual é sua avaliação sobre o atual momento das categorias de base no Brasil? Quais pontos podem ser aprimorados?

Eduardo Baptista – Houve evolução, mas temos de nos atentar muito ao que eu citei anteriormente. O atleta europeu é muito diferente do brasileiro. Precisamos respeitar as diferenças e não podar o que temos de melhor.

Universidade do Futebol – E a cultura de resultados no processo de formação? Quanto isso atrapalha?

Eduardo Baptista – Sempre é importante ganhar, despertar o sabor e o desejo pela vitória – ou seja, o espírito competitivo. Porém, isso não pode ser o “carro-chefe”. Não pode vir à frente da formação do atleta e do homem.

Universidade do Futebol – Na sua opinião, como deveria ser feita a transição base-profissional? Você defende a existência de uma categoria sub-23 para se integrar a esse processo?

Eduardo Baptista – É preciso que essa transição seja gradativa. A começar pelos trabalhos do sub-20, que devem ser próximos do profissional para que o atleta se ambiente e conheça o nível de exigência necessária na categoria seguinte.

Sobre o sub-23 eu acho importante, mas com algumas ressalvas: que não tenha um elenco numeroso; que tenha uma comissão técnica preparada para essa categoria e não com aspiração de assumir o profissional; que tenha atletas de qualidade – se há um sub-20 com mais qualidade e personalidade na mesma posição, o sub-23 perde sentido; que não exista disputa entre profissional, sub-20 e sub-23. Tive experiências em que tudo isso aconteceu. Então, não basta montar um sub-23 se não souber aonde chegar.

Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Universidade do Futebol – Como você lida com eventuais limitações técnicas e táticas que poderiam ser mais bem trabalhadas no processo de formação?

Eduardo Baptista – Se o atleta tiver idade para o sub-20, devolvo para a categoria e tenho uma conversa com ele e com o técnico. Peço que seja mais bem desenvolvido o que eu achar necessário.

Universidade do Futebol – Nos clubes em que você trabalha, qual é a relação entre sua realidade e as categorias de base?

Eduardo Baptista – Quando trabalhando, eu procuro me aproximar, mas sem interferir. Integro o sub-20 aos meus treinamentos, subindo atletas para participarem por um tempo e observando cada um. E claro, se mostrarem qualidade e personalidade ficam e ganham oportunidade.

Universidade do Futebol – Você defende uma uniformidade de modelo de jogo entre categorias de base e time profissional?

Eduardo Baptista – Acredito que o clube deve ter um modelo de jogo para todas as categorias, mas não podemos confundir sistema com modelo. Se a história de um clube for de posse de bola, marcação alta, “pós-perda” eficiente e agressivo, vejo necessidade de unificação. Como as categorias atingirão esses objetivos fica a critério de cada uma, de acordo com a didática de suas comissões.

Universidade do Futebol – Explique brevemente um modelo de jogo com o qual você se identifica, por favor. Tem sido possível aplicá-lo?

Eduardo Baptista – Gosto de jogar no 4-1-4-1 com variação para um 4-2-3-1 e ter posse de bola com triangulações pelos lados. Na perda da posse, peço para agredir e roubar a bola imediatamente. Se não for possível, temporizar com diagonal para trás. Defendo com marcação média/alta, com pressão no portador da bola. Quando há o roubo da posse, passe vertical para chegar rapidamente ao gol adversário. Os atletas de ataque devem pedir a bola na frente.

Universidade do Futebol – Na sua opinião, quais são suas responsabilidades como treinador de futebol?

Eduardo Baptista – Treinador é um cargo de confiança no clube. Ele precisa gerar bem seu estafe, delegando poderes aos membros com coerência e honestidade, e fornecer um “raio-X” do trabalho à diretoria. Também não pode dar armas à imprensa contra o clube.

Universidade do Futebol – Como os agentes externos (empresários, amigos, cônjuges, etc.) influencia o desempenho dos jogadores? E como você atua nesse contexto?

Eduardo Baptista – Há 20 anos, um treinador geria um grupo de 30 atletas. Hoje esse grupo aumentou exponencialmente, já que cada um dos atletas tem um agente, um familiar ou um amigo. Positivamente, os atletas estão mais profissionais. Negativamente, há mais pessoas trazendo problemas externos e desviando do foco principal. O que faço para amenizar isso? Todos os problemas externos são resolvidos se o atleta estiver bem em campo. Do contrário, problemas externos só aumentarão. Não vejo muito o que fazer.

Foto: Marco Oliveira / Divulgação Atlético Paranaense
Foto: Marco Oliveira / Divulgação Atlético Paranaense

Universidade do Futebol – Com quais perfis de atletas você gosta de trabalhar?

Eduardo Baptista – O perfil que me agrada é aquele atleta focado, que tem disciplina nos trabalhos e no extracampo. Gosto do atleta que fala suas dúvidas e quer saber sobre objetivos do trabalho e/ou estratégia de jogo. Gosto do questionador porque me dá um feedback.

Universidade do Futebol – Qual é sua avaliação sobre a qualidade de jogo no futebol brasileiro atual?

Eduardo Baptista – Vejo a qualidade hoje bem abaixo de onde poderíamos estar. A pressão criada em cima de treinadores e um calendário repleto de partidas fazem com que se priorize a defesa ao ataque, a ligação direta à posse, o retardar o jogo ao jogar. Tudo isso tem empobrecido o futebol jogado.

Universidade do Futebol – No âmbito da capacitação profissional, você está satisfeito ou planeja próximos passos?

Eduardo Baptista – Venho da área acadêmica, e por isso nunca estarei satisfeito com o que aprendi. Sempre busco mais. Vejo jogos do mundo todo, leio bastante e procuro fazer cursos que me enriqueçam.

Universidade do Futebol – Quais são seus sonhos?

Eduardo Baptista – Meu sonho é trabalhar numa equipe do Brasil em que eu tenha tempo para implantar todos os meus conceitos sobre o que entendo por futebol e que isso não seja uma exceção.