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Qual a importância de conhecer a história?

Segundo o historiador Marc Block, história é a ciência que estuda as ações da humanidade através do tempo. Ela investiga o que as pessoas fizeram, pensaram e sentiram enquanto seres sociais. Nesse sentido, o conhecimento histórico ajuda na compreensão da raça humana enquanto ser que constrói seu tempo.

A história ganha importância para nossas vidas a partir do momento que compreendemos que tipo de utilidade ela pode nos oferecer.

Quando nos questionamos sobre qual utilidade a história tem para nossa formação, pensamos em termos de soluções imediatas ou utilitárias. Se a história é útil para o desenvolvimento da nossa consciência, não será somente de forma utilitária, mas também de forma pragmática, ou seja, fornecerá elementos para a nossa ação na prática. 

Como assim? Hoje em dia, para trabalhar/viver do futebol como atleta, treinador(a), preparador(a) de performance atlética, dirigente e tantas outras funções, é preciso ter compreensão de sociedade e cultura, consciência critica sobre o que envolve os fenômenos esportivos e conhecimento das diferenças das pessoas e suas particularidades.

Assim, compreendemos o presente aprendendo com o passado. Ao mesmo tempo, a história nos conscientiza em relação aos fatos que transformaram o mundo no que ele é hoje.

Sobre o autor

Tiago Corradine é graduado e pós graduado em Educação Física pela Unicamp. Atua na formação de jogadores de futebol. Tem experiência em clubes do interior de São Paulo, Coréia do Sul e EUA.

Acompanhe o Tiago Corradine no Instagram ou entre em contato pelo email tiagocorradine@gmail.com

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PROFUT – Mais do que o parcelamento de dívidas, uma esperança de dias melhores

O Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro – PROFUT é regulamentado pela Lei Federal 13.155 de 2015, e veio para promover profundas mudanças no futebol brasileiro. Essas mudanças visaram, principalmente, a responsabilidade fiscal e a manutenção da saúde financeira aos clubes brasileiros.

De antemão, vale ressaltar que uma das medidas mais polêmicas promovidas pelo Profut foi a alteração do Estatuto do Torcedor (Lei Federal 10.671/2003), que passou a condicionar a participação dos clubes em campeonatos federados, à comprovação de que estejam em dia com seus tributos, salários e direitos de imagem vinculados aos atletas. Neste contexto, os clubes que não cumprissem tal regra seriam rebaixados de divisão. Fato é que, se essa a regra fosse aplicada à risca, seguramente mais da metade dos clubes participantes da Série A seriam rebaixados. Essa medida foi implantada como um mecanismo para forçar os clubes a equalizar a saúde financeira.

O assunto então foi levado aos tribunais, e o Supremo Tribunal Federal – STF declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do dispositivo adicionado ao Estatuto do Torcedor, uma vez que fere a autonomia das entidades, considerando uma forma indireta de coerção estatal ao pagamento de tributos. 

Por outro lado, pode-se dizer que não haveria tantos problemas para equalizar os compromissos financeiros nos clubes de futebol. Em tais entidades o giro de capital é considerado vultuoso e poderiam seus executivos, em uma saída natural, recorrer a antecipações de receitas de exercícios futuros, tais como as receitas de direito de transmissão. Porém, desde a entrada em vigor do Profut os gestores estão impossibilitados de realizar manobras nesse sentido, a antecipação de receitas relativas a exercícios subsequentes ao do fim do mandato do dirigente ficam caracterizadas como gestão temerária, passíveis inclusive de responsabilização pessoal dos dirigentes. 

Apesar de à primeira vista parecer uma regra dura e restritiva, tal determinação se torna valiosa para os próprios clubes a médio/longo prazo. Possibilitará que os próximos gestores assumam os clubes com a receita integral, o que há pouco tempo não ocorria ou raramente acontecia.

Neste mesmo sentido, em uma tentativa de sanear o passivo e, de implementar um modelo de compliance financeiro, ficou definido que os clubes não poderão apurar prejuízo anual superior a 20% da receita do ano-calendário anterior, sob pena de configuração de gestão temerária e de responsabilização dos seus dirigentes.

É de suma importância destacar que as regras ora comentadas são aplicáveis a todos os clubes de futebol, inclusive, àqueles que não tenham dívidas fiscais e/ou não optaram pelo Programa de parcelamento de dívidas.

E o parcelamento de dívidas?

Além de exigir novas práticas aos clubes, visando equalizar o débito fiscal, o Profut também trouxe consigo a possibilidade de os clubes adotarem o parcelamento para liquidar o débito frente a Receita Federal do Brasil, Ministério do Trabalho e Emprego e/ou Banco Central do Brasil, na seguinte modalidade: em até 240 meses quanto aos débitos ligados aos débitos tributários e, de 180 meses referentes aos débitos ligados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS.

Os clubes que aderiram ao parcelamento, além da possibilidade de parcelar a dívida, foram beneficiados com a redução de 70% das multas, 40% dos juros e de 100% dos encargos legais. Mas nem tudo são flores: o Profut impõe aos beneficiários uma série de obrigações, tais como a redução obrigatória do prejuízo anual a no máximo 5% da receita do ano anterior (a partir do ano 2019), a limitação dos gastos com futebol profissional a 80% da receita anual, a criação/manutenção de uma equipe feminina; a publicação de suas demonstrações financeiras, dentre outras exigências. Todas essas obrigações são positivas e saudáveis, ao nosso ver e foram implementadas visando um melhor desenvolvimento do futebol nacional.

Em breve síntese, o parcelamento concedido aos clubes é levemente mais favorável do os que vêm sendo sistematicamente concedidos pelo Governo Federal aos contribuintes em geral ao longo dos últimos anos. No entanto, não são medidas excepcionais ou chocantes. Por exemplo, não houve anistia dos clubes e as dívidas terão que ser integralmente pagas, acrescidas de juros SELIC.

Lamentavelmente, agiu muito mal o Poder Executivo ao vetar o artigo 48 da Lei do Profut, que havia sido aprovado pelo Congresso Nacional e que era fundamental para eliminar as incertezas sobre o tratamento tributário concedido aos clubes como associações civis sem fins lucrativos, para o passado e para o futuro. Com o veto ao artigo, os clubes ingressarão na “era do fair play financeiro” enfrentando grandes incertezas sobre seu próprio regime tributário, o que é o oposto do que se pretendia com a mudança na legislação.

Não obstante o inexplicável veto ao artigo 48 do texto original, a Lei foi considerada um marco no futebol nacional. O instrumento legal tem potencial para impulsionar fundamentais mudanças na gestão dos clubes e das entidades de administração do desporto, como CBF e Federações estaduais, redirecionando o futebol brasileiro ao crescimento sustentável.

Sobre o autor

Caio Henrique Arcebispo Fernandes é advogado com experiência em consultoria tributária. Graduado pela Escola Superior Dom Helder Câmara – ESDHC, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBET e, graduando em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC/MG, cursando o MBA em Gestão Tributária pela USP/Esalq.

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No princípio era a bola…

No princípio era a bola, começo de tudo, objeto de desejo, sonho de infância, objetivo de vida e, principalmente, fantasia da diversão, sem sentido ou medida.

A bola não é uma invenção do futebol, existe muito antes do aparecimento do mesmo, afirmam os historiadores. Mas o que não se pode negar é que a organização do futebol na Inglaterra e a bola fizeram um casamento perfeito sem oportunidades para divórcio.

Em sua chegada ao Brasil, também promovida pelos ingleses, o amor foi à primeira vista… ou podemos dizer que foi amor ao primeiro chute?

Acreditamos fielmente que o sentimento de pertencimento do brasileiro pelo futebol e pela bola nos pés é algo inexplicável, o brasileiro ao nascer não chora, grita gol, o seu primeiro brinquedo é uma bola…

Nenhum grande jogador conseguiu ser grande, sem ter contato com a bola, tudo passa por ela, começa com ela e nunca termina sem ela.

Você lembra quando se apaixonou por uma bola?

Essa paixão virou trabalho?

A rotina, e as pressões do cotidiano, alimentam aquele sentimento infantil ou você já não se lembra dele?

Esse amor e paixão pela bola, pelo jogo, quando genuínas transparecem para todos ao nosso redor, todos conseguem enxergar, quando um profissional atua naquilo que ama. 

No princípio era bola e só ela importava. Então, te convidamos a contar sua história.

Deixe seu comentário ou declaração de amor ao futebol e a velha e linda amiga bola.

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy (unidade Salvador)

Acompanhe o Júlio Neres no Instagram.

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As propostas de mudança na iniciação do futebol alemão

A campanha da seleção alemã na Copa do Mundo realizada na Rússia, em 2018, a detecção do crescente desinteresse de seus jovens pelo futebol e o aumento da busca no mercado de transferência nacional por jogadores estrangeiros, principalmente por sua qualidade técnica no 1×1, acenderam um alerta no país.

Com o intuito de dar nova vida às gerações futuras de jogadores no país e aprimorando as idéias de Horst Wein, uma das grandes mentes do futebol alemão que faleceu em 2016, o professor Matthias Lochmann da Universidade Friedrich-Alexander Erlangen (FAU), em Nürnberg, iniciou um projeto ambicioso para a implantação de uma nova metodologia de ensino do futebol. Em sua fase experimental, 56 crianças participaram das sessões, mas a ideia do professor é de implantá-lo por toda a Alemanha com a participação de mais de dois milhões de crianças em todo o país.

Entre os princípios centrais da metodologia proposta por Lochmann estão:

Jogos adaptados de acordo com as idades, Inclusive, campo, bola e baliza

Jogos com regras mais parecidas com o jogo de rua

Jogos mais objetivos e mais divertidos

Jogadores mais expostos aos confrontos individuais

Participação constante com a bola

Remoção de posições fixas

Maior frequência de interação com as balizas/maiores oportunidades de gol

Pensando na nossa realidade, esses princípios realmente nos fazem lembrar o jogo de rua, que vem diminuindo em nosso país, mas que, aparentemente,  ainda não percebemos o impacto da questão na formação de grandes jogadores.

De todo modo, levanto a reflexão. Existe um plano no futebol brasileiro semelhante ao que os alemães estão desenvolvendo?

Quais nossas estratégias para esse problema, já diagnosticado, mas com ações ainda insuficientes para a sua solução?

Referências

Deutsche Welle. The future of youth football in Germany, junho de 2019.

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy (unidade Salvador)

Acompanhe o Júlio Neres no Instagram.

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Kroos e De Bruyne, meias que prometem na volta da Champions League

As finais da Champions League chegaram! O Campeonato de clubes mais badalado do mundo chega à sua reta final, que será disputada em partidas únicas na cidade de Lisboa, entre 7 e 23 de agosto. No embalo desse momento histótrico, abriremos um espaço de discussão a respeito das características de alguns dos principais jogadores envolvidos, que podem ou não fazer a diferença a favor de suas equipes.

Iniciando nossas análises trazemos dois jogadores que atuam no mesmo setor do campo e que, ainda que exerçam funções um pouco distintas, possuem similar forma de liderança em suas equipes.

Kevin De Bruyne, meio-campista do Manchester City e da Seleção Belga e um dos algozes do Brasil na última Copa do Mundo. Em sua 5ª temporada pelos Cityzens, o meia continua em sua perseguição pelo título da Champions. Na última temporada da Premier League o Belga chegou ao recorde de 20 assistências na competição, e agora busca utilizar esta capacidade para vencer a equipe merengue. De Bruyne exerce sua liderança de forma “silenciosa”, o talentoso meia é o cérebro da equipe de Guardiola, buscando ocupar os espaços e ditar o ritmo da equipe com seus passes, dribles e finalizações.

Toni Kroos, meio-campista do Real Madrid e campeão da Copa do Mundo com a seleção Alemã, responsável por dois gols e uma assistência no fatídico (e quase que estéril) 7×1. Na sua 6ª temporada pelo time da capital espanhola, Kroos realiza com maestria a conexão defesa-ataque dos madrilenhos, dono de uma das maiores médias de acerto de passes do mundo, o jogador alemão exerce liderança de maneira semelhante à de De Bruyne, porém, é um jogador que conduz menos a bola e de menor mobilidade no campo, dando fluidez à sua equipe por meio dos seus passes.

Confira a seguir as análises quantitativa, qualitativa e a área de atuação no campo desses dois jogadores.

 

No primeiro jogo o City venceu o Real por 2×1 na Espanha, levando a vantagem para esta partida.

E aí, caro leitor, quem conseguirá melhor liderar e fazer a diferença para sua equipe?

Desfrutem do JOGO!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

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Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

Acompanhe as redes sociais do Aurélio Estanislau: InstagramTwitter.

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Adaptações no jogo em busca de vantagens estratégicas

Nas imagens abaixo trazemos 3 construções a partir do tiro de meta feitas pela equipe do Everton contra o Liverpool na rodada de retorno da Premier League. O que se destaca nessas jogadas são que elas não foram organizadas de maneira igual, foram feitas adaptações e variações na forma de se sair jogando para a obtenção de vantagens estratégicas durante a partida.

Observe atentamente o posicionamento dos jogadores do Everton (de azul) nas imagens a seguir:

Crédito das imagens: Premier League

Na saída acima, a defesa do Everton não conseguiu sair da pressão feita pelo Liverpool e teve que colocar a bola em disputa em um “chutão” para frente.

Agora perceba a diferença no posicionamento nas duas situações de saída abaixo:

Crédito das imagens: Premier League

Como resultado da organização alternativa, a equipe do Everton conseguiu ter mais alternativas e melhores opções de passe, o que possibilitou um lançamento direcionado, do seu goleiro para um dos atacantes da equipe posicionado já no campo de ataque

 

 

Crédito das imagens: Premier League

Novamente repetindo a organização alternativa acima, havia mais opções de passe e opções mais livres, que foi resultado de dúvidas na pressão do adversário que não esperava uma organização diferente da primeira. Assim a equipe conseguiu uma boa progressão que quebrou a primeira linha de pressão do adversário, proporcionando a construção de uma jogada que resultou em chegar na área adversária.

Cada vez mais, o tiro de meta vem ganhando importância para a construção das jogadas, um momento onde as equipes não estão abrindo mão de construir o jogo e deixar a bola em disputa, por isso deve ser muito bem trabalhado e organizado. 

Com a nova regra do tiro de meta, onde os jogadores de posse podem receber a bola dentro da área, os treinadores têm criado novos tipos de construção em busca de vantagens nesse momento. Nesse sentido, sugerimos as reflexões:

Existe uma construção ideal para essa fase do jogo?

Como você constrói sua saída de tiro de meta? A partir de uma sequência pré-definida de ações a se fazer (caminho obrigatório), ou com referências e opções para que os jogadores, dentro de campo, possam se adaptar e escolher a melhor para aquele momento?

O exemplo aqui é o da construção a partir do tiro de meta, mas as reflexões se aplicam a todos os momentos/conteúdos/comportamentos do jogo.

Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

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Quem treina o treinador de futebol no Brasil?

Salve, salve amantes do futebol! O que é possível responder para alguém que deseja tornar-se treinador de futebol no Brasil, e quer saber por onde começar? Que deveria cursar Educação Física? Que deveria ter sido atleta de futebol? Que deve realizar os cursos da CBF Academy ou ABTF? Ou realizar os diferentes cursos de sindicatos de treinadores regionais ofertados no país? Qual trajetória sugerir?

Os cursos de bacharelado no Brasil possuem caráter generalista, com menos de 1/5 de carga horária voltada a treinadores esportivos. A experiência como atleta de futebol contribui para um conhecimento contextual da modalidade, mas não prepara o profissional para exercer a função de treinador, já que são exigidas diferentes competências. Já os cursos não-formais, de curta duração, podem agregar valor e até licenciar para atuar, mas também não asseguram uma formação profissional completa. Desse modo, não existe uma “escola de treinadores brasileiros” formalizada e esses, para se tornarem treinadores, precisam construir o seu próprio caminho,  o que acaba sendo prejudicial a sua formação

Alguns estudos apontam que a fase inicial de alguém que deseja se tornar treinador deve ser MEDIADA/FORMAL. Isto é, um mestre/professor deve mediar o conhecimento do aprendiz que ainda é inexperiente e necessita de competências básicas. Entretanto, os mesmos estudos evidenciam que quanto mais experiente é o treinador, melhor é a sua aprendizagem NÃO MEDIADA. É o momento para aprender “por conta própria”.

Portanto, quem deseja se tornar um treinador deve: a) praticar ser treinador, afinal a prática é o que mais evolui o profissional; b) no início da carreira, buscar uma aprendizagem formal/mediada simultânea à prática; c) procurar licenciar-se para estar apto pela lei; d) realizar uma formação continuada, seja mediado por um professor, seja uma aprendizagem não mediada (autodidata). Afinal, nunca paramos de aprender.

Quer saber mais dicas? Encontre-me na coluna da semana que vem. Grande abraço e até lá!

Gabriel Bussinger é treinador e instrutor da CBF academy. Mestre em Educação Física pela UFSC, com 3 pós graduações na área. Já atuou em categorias de base e profissional, no Brasil e Dinamarca. Possui as licenças C e B da CBF e é parceiro de conteúdo da Universidade do Futebol.

Acompanhe as redes sociais do Gabriel Bussinger: YouTube ; Linked In; Telegram; Podcast – Diário do treinador; Instagram

Referências 

Michel Milistetd, Vitor Ciampolini, William Das Neves Salles, Valmor Ramos, Larissa Rafaela Galatti & Juarez Vieira do Nascimento (2016) Coaches’ development in Brazil: structure of sports organizational programmes, Sports Coaching Review, 5:2, 138-152, DOI: 10.1080/21640629.2016.1201356

Trudel, P., Culver, D., & Werthner, P. (2013). Looking at coach development from the
coachlearner‟s perspective: Consideration for coach development administrators. In P. Potrac,
W. Gilbert, & J. Denison (Eds.), Routledge Handbook of Sports Coaching (pp. 375–387).
London: Routledge.

CÔTÉ, J.; GILBERT, W. An Integrative Definition of Coaching Effectiveness and Expertise. International Journal of Sports Science and Coaching. v. 4, n. 3, p. 307-323, 2009.

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A paixão globalizada – o potencial das novas formas de transmissão no futebol

O primeiro fator que podemos considerar como ponto relevante para alteração do contexto das transmissões de futebol é a evolução da Web. O desenvolvimento da web inicia-se na versão 1.0, em que a comunicação é estabelecida por um único emissor; a versão seguinte, 2.0, já contempla uma interação sutil dos internautas a partir dos comentários e do compartilhamento de informações.

Quanto à era 3.0, já estamos acostumados: em um universo hiperconectado e ativo, os internautas deixam de ser apenas receptores e assumem também o papel de interlocutores, produzindo conteúdos e direcionando a criação de conteúdos sobre o tema.

Com a crescente interatividade online, as plataformas de streaming ganharam espaço em todo o mundo e ultrapassaram os limites da oferta de filmes e séries, chegando até o universo das transmissões esportivas.

Diversas outras plataformas ganharam espaço nesse meio, com destaque para o grupo inglês DAZN, que foi lançado em 2019 e hoje detém os direitos de transmissão da Copa Sul-Americana, a Série C do campeonato Brasileiro, a Série A do italiano, Ligue 1, campeonato Turco e jogos da Premier League, da Inglaterra. Além do futebol, o serviço detém direitos para campeonatos nacionais e internacionais de basquete, tênis e lutas; ESPN Play, Premiere Play e Fox Premium, por exemplo, também oferecem a assinatura dos conteúdos e transmissões online por preços mais acessíveis.

Além das plataformas pagas de streaming, as redes sociais passaram a ter papel relevante na consolidação deste novo formato de transmissão, que também traz impactos positivos para a imagem dos clubes e para o relacionamento dessas instituições com seus públicos.

Alinhados às novas tecnologias e tendências no mundo das transmissões desportivas, dois times paranaenses saíram à frente na utilização de suas plataformas digitais para manter seus torcedores ligados no clássico Atletiba, realizado no Campeonato Paranaense de 2017.

Àquela época, ambos os times não aceitaram vender os direitos de transmissão de seus jogos, buscando assim gerar maior visibilidade às marcas e fidelizar os consumidores em suas plataformas online de geração de conteúdo, oferecendo ao torcedor o que há de mais valioso: acompanhar, em tempo real, os jogos e decisões relevantes que envolvem seu time.

Em 2019, o Facebook comprovou que não precisa ser um canal exclusivo de vídeos para entrar no universo do streaming. A rede social entrou no mercado das transmissões online durante a Copa Libertadores da América, uma das principais competições de futebol de todo o mundo. Apesar de ter comprado os direitos de transmissão, o Facebook não exibe todos os jogos da Copa Libertadores, apenas partidas específicas.

Diante de toda essa mudança no comportamento do consumidor e, consequentemente, no universo desportivo, não há qualquer dúvida acerca da necessidade de correta e adequada regulamentação legal.

A negociação de transmissões fica a critério de cada time, sendo sua decisão prevalente em relação aos jogadores que compõem o elenco do time, já que o interesse do público não está em um atleta apenas, mas no conjunto.

Por muitos anos, o contrato firmado entre as emissoras de televisão e os clubes de futebol foi considerado como o mais vantajoso, já que as instituições arrecadavam fundos com os valores recebidos da imprensa pela transmissão da partida e as emissoras, por sua vez, lucravam com os comerciais transmitidos durante a partida e nos intervalos dos jogos.

Para que as negociações fossem facilitadas, o Clube dos 13, que representava os maiores clubes do Brasil, cumpria todos os trâmites, mas, devido à divisão não-igualitária das cotas, os clubes passaram a tratar sobre os valores individualmente.

As diferenças dos valores negociados passaram, no entanto, a serem ainda mais evidentes, fazendo com que alguns clubes tenham uma disponibilidade de recursos muito superior a outros, interferindo nos investimentos dos times e, consequentemente, no nível de futebol apresentado por cada equipe.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) defende que a negociação coletiva, como era feita pelo Clube dos 13, feria os princípios da livre concorrência e que, para adoção deste sistema, seria necessária a criação de uma lei para regulamentar estes processos. Em 2010, o CADE avaliou um termo de compromisso que determinava a exclusão de cláusulas contratuais que favoreciam a renovação de contrato com emissoras e apresentava a possibilidade de ofertar os direitos de transmissão para outras TVs, sistema pay-per-view e plataformas digitais, abrangendo assim as transmissões via streaming.

No que tange à legislação, portanto, ficam os clubes livres para negociarem a cobrança ou não do direito de imagem. Assim, aqueles que passam a optar pelas transmissões via streaming, seja pelas redes sociais ou pelas plataformas pagas, têm o desafio de conseguir uma receita publicitária ao menos satisfatória em relação à receita oferecida nas transmissões convencionais.

Segundo Lara Krumholz (2019), com seis cotas do futebol 2019, a Rede Globo faturou R$ 1,8 bilhão, “representando o maior patrocínio de toda a publicidade brasileira”. (KRUMHOLZ,2019)

Uma estratégia que vem sendo amplamente utilizada neste e em outros contextos é o branded content, ou seja, um conteúdo específico da marca. Se um time de futebol transmite em sua rede social propagandas e conteúdos diretamente relacionados à sua marca (sócio torcedor, marcas de vestuário etc.), as possibilidades de êxito são ainda maiores, já que este conteúdo está direcionado ao torcedor, um público que certamente é um brand lover (uma pessoa que ama aquela marca).

Outros dois importantes desafios neste meio, apontados por Bruno Rocha, CEO da DAZN, são a mudança de costume dos usuários, que já estão habituados a assistir os conteúdos na TV. O público inicial das novas plataformas é um público mais jovem e mais dinâmico, interligado às novas interfaces de comunicação, e o maior desafio é conquistar um público que tem maior média de idade e é mais tradicional.

Outro desafio é otimizar a experiência do consumidor, aumentando a qualidade da imagem e da transmissão – mas com o avanço das tecnologias, a tendência é que estes serviços sejam aprimorados e ainda mais amplamente utilizados no mundo do esporte. O streaming é uma forma concreta encontrada para redemocratizar o acesso ao futebol, ainda que pelas telas, possibilitando que pessoas de todo o mundo e de diversas classes sociais tenham acesso ao conteúdo com qualidade e em tempo real.

Felipe Soares Freire é advogado

Pedro Dias é publicitário