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14/01/2008

A ação de empresários nas equipes de base

A Lei Pelé e o aumento da liberdade dos atletas no futebol transformaram o status de um personagem do esporte. O empresário ganhou importância e passou a atuar como elo entre clubes e jogadores. Com esse trabalho, sem espaço para meio termo, a categoria oscila entre as imagens de herói e vilão. Essa dicotomia é ainda mais evidente no trabalho com as equipes de base, nas quais os agentes são muitas vezes os responsáveis por toda a estrutura de seus contratantes.

Os empresários são responsáveis por negociar contratos dos jogadores que os contratam com os times de futebol. No entanto, sua influência não espera os atletas completarem 16 anos, quando podem assinar contratos profissionais. Eles atuam desde cedo, dando todo o suporte para a iniciação dos garotos no esporte.

Essa ligação, porém, deu origem a situações inusitadas. Alguns empresários deram origem a suas próprias equipes para desenvolver trabalhos com as metodologias que julgam corretas e revelar atletas. Essa prática, que criou uma “concorrência” para os clubes, foi condenada pela maioria dos dirigentes.

Neste ano, por exemplo, a Federação Paulista de Futebol proibiu a inscrição de times de empresários na Copa São Paulo de futebol júnior. Contudo, a importância dessa figura para a manutenção de algumas equipes ficou evidente com essa medida. Grupos de agentes fizeram acordos com clubes tradicionais e usaram sua marca para conseguir uma vaga na principal competição amadora do país.

Foi isso que aconteceu com a Traffic, empresa de marketing esportivo que se associou ao Palmeiras nesta temporada. O grupo criou o Desportivo Brasil, time em que suas revelações têm condições de atuar. Para inscrever a equipe na Copa São Paulo, entretanto, precisou se associar ao São Bento de Sorocaba.

Só que a influência de empresários não apareceu apenas de forma positiva na Copa São Paulo. Nesta temporada, times tradicionais como Botafogo-RJ, Náutico e Sport recusaram o convite para participar do torneio, que foi aberto a atletas nascidos nos anos 1990, 1991 e 1992. O motivo: a ação de empresários.

“Acho que a competição fugiu do propósito inicial. Hoje o ponto de vista é mais comercial. Se o seu objetivo é formar um atleta para a equipe em vez de negociá-lo, não há motivo para disputar a Copa São Paulo”, discutiu Bebeto de Freitas, presidente da equipe carioca, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

* Colaborou Rubem Dario

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