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O futebol de ceroulas, como era chamado aquele disputado com bola de meia, em qualquer canto, foi para mim motivo centralizador de emoções, de horas de alegria, de vivas explosões de entusiasmo.

Os grandes clubes da cidade, de começo o Humaitá e o Ipiranga, seguidamente o Centro Esportivo, o Palmeiras e o Santa Cruz, marcaram dias inesquecíveis, naquele passado, ao tempo em que a prática do esporte era condição do amador, pois o profissionalismo não chegara ainda para mercenarizar as melhores energias da raça.

Assim é que, com aquelas quadras importantes, com os campos dos ricos, surgiram, paralelamente, em franca atividade, os pequenos clubes suburbanos, os conjuntos dos meninos, o futebol do meio da rua, a pelada, esse vasto centro de experimentação dos futuros craques, que seriam mais tarde atirados à grande aventura, ao vôo cego das grandes cidades, alguns chegando, até, de modo vitorioso, aos próprios gramados metropolitanos.

Não cheguei nunca a ser a figura de expressão no futebol de campo, que tinha sido no jogo da linha-de-sapo, no bate-bola, no arranca-toco, no vai-ou-racha daqueles encontros do terreiro da casa do anspeçada Manuel Isídio, da Praça da Maçonaria, ou do campo das carnaubeiras, que ficava no Salgado, ao lado do quartel de polícia.

As partidas iniciais, disputei-as na defesa do Palmeiras. Mas, dentro em pouco, virei a casaca para o Humaitá, levantando invicto o campeonato do segundo time.

Parece fora de dúvida que aí termina a curva da minha carreira esportiva.Também um jogo, naquele tempo, fazia suar, pois para conseguir o material, tinha-se que dar volta no corpo. Assim, para o primeiro encontro, vesti uma camisa de segunda mão, que fora de Bitu, um dos grandes jogadores do time da camisa azul e branca.

As chuteiras eram de couro cru, batido a malho, com travejamento de três solas, feitas sob medida, pelo sapateiro Manuel Arruda. Custaram doze mil réis, pagos em prestação de dois mil réis, por semana.

Praticamente, essas chuteiras podem figurar como o primeiro par de calçado que meti nos pés. É verdade que, num dia de domingo, saí com uns sapatos novos, manquejando, pois iam tão apertados que os dedos pareciam pegar fogo.

De lá da casa do tio, que ficava num alto, perto de Camilo Lemos, o alfaiate que pretendera fabricar um aeroplano em Mossoró – as meninas do velho Zé Diabo, que eram até bonitas, fizeram um grande mangação e deram-me uma vaia de não botar defeito.

Não respondi nada, porém, em sinal de protesto, no outro dia, vendi os sapatos.

Mas, afinal o futebol?

Ah! Esse, que outro venha contar a sua história…

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