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Nos artigos antepenúltimo e penúltimo em relação a este, defendi a volta da Copa Sul-Minas e da Copa do Nordeste – competições interestaduais de altíssimo potencial comercial. Então, seguindo a mesma linha de raciocínio, a Copa Rio-São Paulo também deveria reaparecer. Certo? Talvez não.

Pessoalmente, este signatário é a favor da volta do torneio. Se assim fosse, haveria uma liga fixa de clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo disputando a competição, e esses clubes, assim, não participariam, respectivamente, dos campeonatos carioca e paulista.

Mas será que a vontade deste escriba coincide com a vontade dos presidentes dos principais clubes do eixo Rio-São Paulo? Possivelmente, não. Mandatários das grandes agremiações paulistas preferem jogar o seu Estadual específico a jogar a Copa Rio-São Paulo; e os representantes cariocas, da mesma maneira, valorizam a disputa do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro em detrimento da proposta.

E, já que a vontade dos grandes clubes do eixo é seguirem disputando os estaduais, é algo que se deve respeitar e, com isso, se “abrir mão” da disputa da Copa Rio-São Paulo. Diferentemente do que acontece com a Copa do Nordeste – os presidentes de grandes clubes daquele região preferem jogar esta Copa aos campeonatos locais - e do que acontece com a Copa Sul-Minas, pelas mesma razão.

O que talvez possa causar curiosidade é por que os clubes do eixo Rio-São Paulo preferem disputar deficitários campeonatos ao invés de disputar uma potencialmente lucrativa copa interestadual. Quais seriam as dificuldades envolvidas?

A primeira delas parece ser a incompatibilidade de temperamentos entre cariocas e paulistas. Cariocas julgam que paulistas não sabem aproveitar a vida, paulistas julgam que cariocas não querem assumir responsabilidades. Para uns e outros, a incompreensão alheia gera uma vontade de se disputar competições com clubes do mesmo estado, e não com clubes vizinhos. Enfim, puro, e lamentável, provincianismo.

Em segundo lugar, os clubes do Rio, particularmente, sentem que, disputando contra clubes fortes da outra região, dificilmente serão campeões. É a pequenez de pensamento gerando falta de visão comercial e aversão ao profissionalismo.

Em terceiro lugar, há uma dificuldade natural para definir quantos, e quais, clubes disputariam a hipotética Copa Rio-São Paulo: seriam oito clubes (os quatro grandes de São Paulo e os quatro grandes do Rio), ou seriam 16? Se fosse este último número, seriam oito de cada localidade, ou nove de São Paulo e sete do Rio? Ou 10 de São Paulo e seis do Rio? Se, de São Paulo, fosse oito, quais seriam? E, se fossem nove, quais seriam? E, se fossem 10, quais seriam? E os oito, ou sete, ou seis, clubes representantes do Rio? Como tomar tal decisão?

Ao invés de os grandes clubes do Rio e de São Paulo reunirem-se para chegar a um consenso, preferem “abrir mão” de uma competição como essa, que geraria muito mais prosperidade econômica para as agremiações do que ultrapassados estaduais. Triste, mas real.

Fazer o quê? Que os grandes clubes paulistas disputem o seu tão amado Campeonato Paulista, e que os grandes clubes cariocas disputem o popular “me engana que eu gosto” Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, como diz o jornalista Renato Maurício Prado. Nesse caso, sugere-se que a forma de disputa das referidas competições seja atraente do ponto de vista comercial, na medida do possível - claro, não será tão atraente como uma Copa Rio-São Paulo poderia ser.

Em tempo: para os leitores que ficaram curiosos a respeito, esclareço como seria o torneio que imagino: teria 16 clubes, nove de São Paulo - São Paulo, Santos, Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Juventus, Guarani, Ponte Preta, Botafogo, de Ribeirão Preto – e sete do Rio - Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo, América, Bangu e CFZ.

A forma de disputa seria a mesma que a da Copa do Nordeste e da Copa Sul-Minas (consultar artigos anteriores a respeito). Acho justo que São Paulo tenha mais clubes que o Rio, mas não muito mais – nove contra sete parece razoável. Por outro lado, clubes artificiais, como São Caetano, Santo André, Barueri e Bragantino não deveriam jogar uma competição que seria destinada a clubes com tradição e/ou torcida e/ou projeto consistente.

*Luis Filipe Chateaubriand é autor do livro ‘Futebol brasileiro: um projeto de calendário’, pela editora Publit (www.publit.com.br).

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