Universidade do Futebol

Geaf

06/01/2008

A dificuldade científica no futebol

Quando a fragmentação começa a predominar sobre a síntese, no que se refere aos esportes coletivos, e principalmente durante as pesquisas dos vários estudiosos de todas as áreas de conhecimento, existem algumas barreiras que impedem um melhor trabalho e esclarecimento sobre melhoras metodológicas no treinamento do futebol.

Na procura de se isolar cada variável de qualquer nível de trabalho (físico, técnico ou tático) ocorre um problema que é preciso ser urgentemente solucionado ou cairemos em questões que ficarão sempre mal resolvidas.

Estas barreiras estão justamente na perda do foco de estudo que é a modalidade futebol. Assim, nos preocupamos em criar muitos componentes e com isso deixamos de desenvolver um conhecimento útil e de aplicação imediata.

A natureza da modalidade futebol não é cíclica como no atletismo ou natação, portanto é discutível atribuir certos valores de avaliação por formas cíclicas de atividade aos melhores atletas como o VO2máx por exemplo. Verkhoshansky de com FORTEZA (2006) “é inadmissível a redução dos mecanismos fisiológicos da resistência e a função respiratória ao VO2máx”, e ainda declara que “atletas com mesmo nível de consumo máximo de oxigênio têm resultados diferentes e vice-versa”.

Mourinho (2006), em “por que tantas vitórias?” diferencia velocidade do jogo e velocidade de jogo em que a primeira está relacionada à “correria ou jogar as pressas” e a segunda se refere à execução de manobras defensivas e ofensivas com eficiência. Ou seja, qual é real velocidade do jogador de futebol a ser estudada: apenas uma velocidade de deslocamento ou a capacidade de realizar ações do futebol com rapidez, agilidade além da eficiência técnica e tática?

Quantos estudos mais serão precisos a respeito de situações cíclicas e até onde elas irão contribuir para um esporte de característica motora bastante variável?

Quais indicações metodológicas vingarão num futuro próximo? Aquele em que teremos realmente preparadores de futebol ou aquela tradicional em que vamos continuar a “colar” os treinos do atletismo?

O controle quantitativo de cada variável no futebol só é válido se acompanhado de um significado qualitativo para o desempenho atlético.

Os atletas não precisam sofrer a máximo e sim apenas o suficiente que a modalidade exige para melhorar seu rendimento.

Precisamos desenvolver, portanto, uma percepção mais específica da modalidade, inclusive na criação de projetos de pesquisa que realmente contribuirão de forma direta a modalidade em questão e não ser apenas uma composição de estante de faculdade.

Acredito que pesquisas são importantes em qualquer área à medida que contribuem para o trabalho de forma direta.

Neste sentido, a atuação de cada corpo docente vai ser fundamental no sentido de se direcionar de forma eficiente cada estudo.

Bibliografia consultada:
MOURINHO, por quê tantas vitórias? – Oliveira, Amieiro, Resende, Barreto- Gradiva – 2006
FORTEZA DE LA ROSA, Armando – Direções de treinamento: Novas concepções metodológicas- Rio de Janeiro – Editora Phorte – 2006

* Wladimir Braga é preparador físico do Clube Atlético Mineiro

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