Universidade do Futebol

GEPEFFS

17/05/2014

A escolha do método de treinamento não é suficiente para aprimorar o desempenho dos atletas no futebol

O futebol está inserido dentro de um grupo de jogos denominados “Esportes Coletivos de Invasão”. Este grupo de jogos é caracterizado por uma disputa entre duas equipes num espaço comum, mediado por regras formalizadas onde cada equipe tem o objetivo de levar um objeto (geralmente a bola) até uma meta para pontuar. Estas características do jogo proporcionam alta demanda física, psicológica, técnica e cognitiva sobre os jogadores, o que faz necessário o desenvolvimento destes fatores de rendimento para o aprimoramento do desempenho dos atletas durante os treinamentos.

Tradicionalmente o treinamento dos jogadores de futebol era baseado em dois tipos de exercícios fundamentais. Uma primeira forma de treinamento era composta por exercícios analíticos que trabalhavam os aspectos técnicos e físicos do jogo de maneira separada. Os exercícios físicos eram na sua maioria compostos por treinamento de corrida e os exercícios técnicos eram compostos por execuções de “habilidades” técnicas (passe, chute, recepção…) sem oposição. A segunda forma de treinamento era composta pelo chamado “treino coletivo” (método global), jogo de 11 contra 11 com as mesmas regras do jogo real. Assim o processo de preparação dos atletas era composto pela combinação destes tipos de exercício.

Nos últimos anos começaram a surgir muitos questionamentos com a maneira tradicional de preparação, principalmente em relação ao grande tempo despendido com os exercícios analíticos físicos e técnicos. O principal argumento para estes questionamentos é que a metodologia analítica trabalhava os componentes do jogo de maneira descontextualizada, principalmente sem a utilização de oposição (contexto fundamental para ocorrência do jogo) o que impediria aos jogadores desenvolverem o aspecto cognitivo do jogo, além de desenvolver os aspectos físicos e técnicos sem estar no contexto do jogo (o que diminuiria a eficiência do treinamento). Para “corrigir” este problema surgiram diversas metodologias alternativas treinamento e ensino baseadas em exercícios que buscavam integrar os diversos fatores de rendimento relevantes ao jogo de futebol, estes métodos foram denominados de integrados.

Os métodos integrados são baseados em exercícios que decompõe o jogo formal em mini jogos adaptados (jogos reduzidos) com alteração do número de jogadores, tamanho do campo e regras ou que decompõe o jogo em situações específicas de ataque contra defesa. Hoje os exercícios integrados são amplamente utilizados no treinamento desde a iniciação até o alto desempenho e muitos pesquisadores e treinadores defendem fortemente a utilização destes exercícios como base no processo de ensino e aprendizagem no futebol. Recentemente com o surgimento das ideias da “Periodização Tática” estes métodos ganharam evidência e popularidade ainda maior e são cada vez mais utilizados, principalmente no processo de ensino e aprendizagem. Mas esta discussão e mudança dos métodos de treinamento gerou um problema “colateral” na organização da programação das sessões.

Hoje, na prática, muitos treinadores estão organizando as sessões de treinamento pelos tipos de exercícios utilizados, sem levar em conta o conteúdo a ser desenvolvido. Isto faz os jogadores vivenciarem muitos jogos diferenciados durante os treinamentos, mas com poucas correções sobre o comportamento ideal a ser realizado. Assim os jogadores aprendem o jogo de maneira “autodidata” com poucas orientações sobre a maneira ideal de jogar o que pode prejudicar a eficiência de seu aprendizado sobre como jogar. É importante destacar que a manipulação das regras e situações dos minijogos tem o objetivo de especificar uma situação do jogo ou um comportamento, mas existe uma variação muito grande de desempenho durante a realização destes minijogos o que pode fazer estes objetivos não serem atingidos. Um mesmo minijogo aplicado por um mesmo treinador em duas equipes diferentes podem ter andamentos completamente diferentes e o mesmo acontece se dois treinadores diferentes aplicarem o mesmo minijogo para mesma equipe. Por isso que é necessário saber o comportamento ou situação ideal a ser trabalhado para poder fazer as correções, ou até mesmo alterações das regras dos minijogos, durante o exercício.

A definição dos conteúdos a serem aprimorados no processo de ensino e aprendizagem deve ser o ponto principal para programação dos treinamentos. E somente após a definição destes conteúdos é que deve ser pensado quais serão os exercícios que devem ser aplicados e quais serão os comportamentos apresentados que deverão ser realizados (e corrigidos quando não forem realizados satisfatoriamente). O grande desafio para o sucesso dos programas de treinamento é saber definir quais serão os conteúdos a serem desenvolvidos específicos para cada equipe (ou jogador).  

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