Universidade do Futebol

Mauro Beting

29/10/2005

A estrela de Weah continua brilhando

Quando eleito presidente do Brasil, era possível enxergar em Lula o perfil ideal de um governante populista. Bastou adequar um pouquinho sua ideologia a uma linha menos radical, que Lula ganhou a eleição, fácil, fácil. Foi até covardia.

 

Lula poderia muito bem ter dito em um de seus inúmeros discursos pré e pós-eleitorais: “Eles estão cobertos por diplomas, mas destruíram nossas vidas. (…) Eu sou como vocês; eu sei o que é passar fome, ou ir pra escola descalço”. Mas não disse.

 

O autor da frase acima é George Manneh Oppong Ousman Weah, 38 anos, ex-jogador de futebol do Milan, Chelsea e PSG, entre outros clubes. Foi eleito o melhor jogador do ano de 1995 pela Fifa e, ao que tudo indica, será o próximo presidente da Libéria.

 

Dentro de uma eleição composta por 22 candidatos, George Weah – também conhecido como Brotha George ou King George – alcançou o primeiro lugar com uma distância relativamente considerável dos seus oponentes. Irá disputar o segundo turno com a economista ex-secretária da ONU e ex-ministra Ellen Johnson-Sirleaf no dia 8 de novembro.

 

Caso ganhe, Weah assumirá a Libéria abalada por um passado recente de conflitos e guerras civis, que se tornaram muito comuns no país. Será, possivelmente, o primeiro presidente sem laços militares a ser eleito no país depois de um longo tempo. Será também o primeiro ex-jogador de futebol do mundo a ser eleito presidente e com um ideal verdadeiramente populista.

 

Brasilidade

 

Lula e Weah têm muito mais em comum do que apenas a retórica populista.

Primeiro é preciso dizer que Weah sempre teve um quê de brasilidade. Quando eleito melhor jogador do mundo, ocupou justamente o espaço entre Romário e Ronaldo. Até hoje é conhecido como o Pelé africano.

 

Ambos são vistos com ressalvas quanto à capacidade intelectual e como candidatos cuja força reside na alta popularidade com as camadas mais baixas da população e na confiança naqueles que os cercam.

 

Também podem possuir o mesmo calcanhar de Aquiles. A confiança em sua base minou Lula. Seguindo o exemplo, Weah já deveria se preparar pro que vem por aí. E pelo que já foi descoberto, coisa boa não deve ser.

 

Pouco tempo atrás, Orishall Goulp, secretário-geral do seu partido, foi forçado a renunciar por denúncias de desvio de dinheiro da Previdência. Sua assessora de imprensa, Margot Cooper, foi afastada do cargo por cobrar propina para agendar entrevistas.

 

Caso Weah realmente venha a ser eleito, não deve demorar muito para que Lula siga sua cartilha diplomática e o convide para um churrasquinho na Granja do Torto. Na hora do futebol, Lula separará os times: aqueles que foram apontados por Deus contra a rapa. Dava até pra chamar o Romário, que é o cara. Mas daí já vai ser covardia.

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

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