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23/03/2017

A evolução histórica do futebol no Brasil

O início de sua construção como identidade nacional

O futebol é uma das principais modalidades esportivas do país e a paixão dos torcedores pelo esporte é visível no dia a dia. É comum encontrarmos indivíduos usando as camisas dos seus times de coração pelas ruas e lendo jornais para saber como foi a última rodada do campeonato. Em dias de jogos, habitualmente os bares ficam cheios de pessoas assistindo e comentando as partidas, amigos se reúnem em suas casas para verem juntos os jogos, comentar os lances, comemorar a vitória e implicar com os colegas que torcem pelo time rival.

Por ser um esporte tão presente na vida dos brasileiros, é fundamental compreender sua origem e difusão no país. Grande parte dos clubes brasileiros surgiram no primeiro quarto do século passado, sem finalidades financeiras, apenas para a prática amadora do esporte. Vale destacar que vários clubes reconhecidos por sua grandeza no futebol, originaram-se em outras práticas esportivas, e apenas futuramente adentraram no mundo futebolístico (MATTAR, 2012). Daí que vem o nome de muitas equipes como o Botafogo de Futebol e Regatas, que iniciou suas atividades na disputa de remo, por exemplo.

No fim da década de 20, com a mudança do governo liberal para o modelo centralizador, instituído pelo então Presidente Nacional Getúlio Vargas, o governo começou a investir em ações coletivas no país. Em suas propostas políticas buscava-se alcançar a maior quantidade de pessoas possíveis. Naquele instante, ele assegurava-se de projetos em diversas áreas, como leis, saúde, educação e o esporte, dando destaque para o futebol (MEZZADRI, 2013).

Com o passar dos anos, houve o aumento da popularização desse esporte, o que deu inicio a dedicação exclusiva dos profissionais que auxiliavam a sua prática (médicos, preparadores físicos, treinadores e atletas). Assim, os clubes passaram a pagar gratificações monetárias aos seus jogadores na década de 30. Como em alguns países (Uruguai, Argentina e Itália, por exemplo) os jogadores de futebol já eram considerados profissionais, muitos esportistas brasileiros foram embora para o exterior, deixando uma baixa de atletas na nação (MATTAR, 2012).

A administração centralizada do país, inicialmente, focou na legislação do futebol (década de 40). Supõe-se que a sua regulamentação influenciou na edificação da identidade nacional, pois o Estado Novo pregava a base nacionalista em âmbito geral (incluindo o esporte). Isso fica claro no discurso de Vargas em São Paulo, durante a inauguração do Estádio de Futebol do Pacaembu em 28 de abril de 1940 (NEGREIROS, 1997.p.42):

As linhas sombrias e belas de sua imponente massa de cimento e ferro, não valem, apenas, como massa de expressão arquitetônica, valem como uma afirmação de nossa capacidade e do esforço criador do novo regime na execução do programa de realizações. É ainda, sobretudo este monumental campo de jogos esportivos uma obra de sadio patriotismo, pela sua finalidade de cultura física e educação física. 

A construção do futebol como identidade nacional foi bem sucedida. Tornou-o um dos esportes mais popularizados da nação, passando de geração em geração pelas pessoas. Os grupos de referência na vida dos indivíduos (família e amigos, por exemplo), fazem com que essa modalidade esportiva se perpetue. Considerando que essas instituições influenciam as preferências, valores e crenças dos indivíduos – se eles são fãs de determinado clube – possivelmente alguém que se identifica com eles também torcerá, disseminando assim essa atividade (GADE, 1998).

Caminhando com os passos do Governo Federal de tencionar no futebol uma opção de intervenção no Brasil, instituições municipais e estaduais começaram a construir estádios para os jogos na década de 50. Claramente, o Poder Público via nesse esporte a possibilidade de conseguir vantagens eleitorais.

Já em meados de 1970, o Governo criou a Lei do Passe que regulamentava a situação trabalhista dos jogadores com os clubes. Outra mudança ocorrida foi a transformação tardia da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em outras áreas, as confederações esportivas já existiam há mais de 40 anos. Com o passar do tempo, as atitudes governamentais diminuíram seus atos na vida das instituições futebolísticas, representando o novo modelo político proposto pelos então Presidentes: Collor de Mello, Itamar Franco e mais tarde Fernando Henrique Cardoso (MEZZADRI, 2013).

Na década de 80 (de maneira involuntária), houve várias transações de jogadores que, associados aos direitos de transmissões televisivas e ao grande uso dos patrocínios como tática de marketing das empresas, fortaleceram a mudança do futebol amador para mercadológico – cenário que se firmou nas décadas de 1990 e 2000 – acompanhando a tendência mundial (MATTAR, 2012).

Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui

Comentários

  1. JOSE GUIMARAES NETO disse:

    muito bom o texto

  2. Foto de perfil de faustino faustino disse:

    muito importante conhecer a historia do futebol e suas ligações politicas…..

  3. Cleones Barros disse:

    Onde estão as referencias utilizadas no texto?
    Preciso para usar no meu TCC!

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