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Quase tudo que fazemos nas nossas vidas, é fruto da visão e do pioneirismo de alguém. Ser pioneiro no mundo esportivo, e principalmente no futebol, é tão importante quanto formar excelente jogadores para montar boas equipes, conquistar títulos e possivelmente faturar com esses resultados.

Ser visionário no futebol brasileiro, vai muito além de entregar a camiseta do time para algum político internacional ou cantor de renome mundial que vem fazer um show qualquer na nossa província, mas com raras exceções entende de futebol, muito menos sabe quem somos ou que existíamos. O problema é que isso dá “Ibope”, muito mais ao fulano de tal que entregou a camisa do time ao cantor aquele.

Pessoas que muitas vezes utilizam da imagem de um clube para se auto promover, uma vez que, na grande maioria dos casos, o ganho real para o clube de “tal façanha” é uma flauta nos tradicionais rivais, e umas meras linhas de exposição na mídia local, e talvez alguma coisa na mídia nacional, mas muito pouca ou quase nula exposição na mídia mundial, que é a que nos interessa, e o que eu vou tentar detalhar abaixo.

Alguém sabe explicar o fato de a seleção brasileira ser adorada mundialmente em um de cada três países, mas, ao mesmo tempo, os mesmos “estrangeiros” que adoram nossa seleção e os nossos craques não sabem quem são os nossos grandes clubes, muito menos o que representa uma rivalidade GreNal? Nossos times no Brasil não trabalham a imagem própria e dos nossos craques no exterior, salvo raras exceções, como o bom trabalho pioneiro que vem fazendo o pessoal da Vila Belmiro com a maior promessa do futebol brasileiro para ganhar a Copa de 2014.

A grande maioria dos nossos craques ganha exposição quando vai jogar fora do país, e tem sua imagem “explorada” da melhor maneira pelo seu novo clube. Um dos nossos problemas é a falta de qualificação profissional no comando dos nossos clubes; esbarramos na falta de administradores do futebol, visionários, capazes de romper a barreira da saturação mercadológica local na busca da consolidação dos nossos clubes e das nossas marcas no exterior.

O mercado brasileiro está perto de uma saturação. Pesquisas sobre os números de torcedores vem sendo feitas há mais de duas décadas, e os percentuais de torcedores para cada time raramente variam, mesmo que exista um crescimento no número de torcedores, decorrente do crescimento natural do país.

Agora, alguém se preocupa em saber qual o time brasileiro de maior reconhecimento e torcida no mercado norte-americano ou asiático? Mercados onde os números de torcedores locais que elegem a nossa seleção brasileira como seu segundo time chega em alguns casos aos incríveis 80%, como ocorre no México. Alguém se preocupa em divulgar nossos times nesses mercados ou explorar a captação de novos “torcedores” ou simpatizantes de nosso times?

O investimento só terá retorno se for focado no cliente, e o nosso foco tem que ser os amantes do futebol brasileiro espalhados pelo mundo que não possuem ou simpatizam com algum clube de futebol no Brasil. 

No caso do Grêmio, meu clube de coração, o qual acompanho o dia-a-dia mesmo que à distância, sempre buscando colaborar apresentando oportunidades para romper a barreira local, e globalizar de vez nosso time, não consigo encontrar explicação para tanto descaso com os mercados do Oriente Médio, da Ásia e da América do Norte, que não param de crescer no quesito interesse por futebol.

Oportunidades não faltaram, projetos foram apresentados, chances foram desperdiçadas, desde a época do Zento e do Paiva no comando do departamento de marketing do Grêmio, já cansamos de apresentar propostas e não obter retorno.

Quando o Barcelona foi pioneiro e lançou seu canal com conteúdo exclusivo para o Youtube, negociamos os direitos para os canais de mais de 20 equipes latino americanas. Alguns projetos foram aceitos, e os direitos repassados ao clubes que tiveram interesse no projeto. No Brasil, nada foi feito.

No Grêmio, achavam “uma barbaridade” gastar dinheiro com isso e uma perda de tempo, afinal quem iria assistir a GrêmioTV no Youtube?

O passar dos anos veio a provar quem tinha razão, quem foi pioneiro e ousado. Os direitos dos canais nós ainda os temos, mas já faz muitos anos que cansamos de bater na porta de gente que não se preocupa com algo que não lhe dará retorno pessoal.

Vou além disso: não faz muito tempo deixamos um projeto na mesa, com o interesse de uma empresa líder mundial na distribuição e comercialização de artigos de futebol, com a intenção de abrir uma loja virtual do Grêmio, com entrega de produtos oficiais do clube em qualquer lugar do mundo em menos de 96 horas (utilizando a vasta rede de distribuição que a empresa já possui). Custo para o clube: zero; a empresa bancava os custos de criação e marketing em troca do direito de comercializar os produtos do Grêmio no exterior.

O projeto parou aí, já que houve interesse, mas não houve retorno, além de que o Grêmio assinou com uma marca local de material esportivo, o que também veio a facilitar a decisão da empresa em não esperar mais um tempo por um resposta, que até hoje, mesmo assim, não veio.

Mais recentemente, surgiu a oportunidade de o Grêmio vir fazer a pré-temporada na famosa cidade de Los Angeles, no estado da Califórnia, o qual me acolhe há mais de 10 anos. Mas a oportunidade foi perdida, de novo. Mais uma vez.

Nada contra meu amigo Antônio Frizzo, conselheiro do Grêmio, de Bento Gonçalvense como eu, e facilitador e viabilizador das pré-temporadas do Grêmio na minha querida terra natal. Nada contra a estrutura da cidade, mas bem pelo contrário, a cidade em si é uma das mais bem preparadas no Brasil e candidata fortíssima a ser campo base de treinamento de alguma seleção durante a Copa do Mundo do Brasil em 2014.

Fazer a pré-temporada em Bento não gera retorno algum ao Grêmio se comparado ao que poderia ser gerado se a mesma fora no exterior. O Grêmio deixou de ser pioneiro, perdeu uma oportunidade rara – a de realizar uma pré-temporada sem custos no exterior – em troca de dois ou três míseros amistosos organizados pelos investidores e patrocinadores deste projeto, feito que nenhum clube brasileiro fez até hoje.

Perdeu a chance de conquistar novos torcedores, em um mercado que muito brevemente fará parte da nossa Copa Libertadores da América. Perdeu a chance de apresentar a nossa marca para a mídia local, fechar parcerias locais com clubes da MLS, abrir escolinhas no exterior com a marca Grêmio, buscar novos patrocinadores e apresentar o projeto Arena, que mesmo não sendo sede da Copa de 2014, será um dos estádios mais modernos do Brasil.

Perdeu a oportunidade de apresentar-se aos seus futuros “clientes” no mercado que mais leva torcedores aos Mundiais da Fifa (foram mais de 30.000 americanos – contra pouco mais de 17.000 ingleses e 14.000 brasileiros – na África do Sul, e a expectativa de que mais de 100.000 americanos estejam no Brasil durante a Copa de 2014).

As oportunidades batem na nossa porta, mas por algum motivo não estamos sabendo tirar vantagem desse momento. A Copa é logo aí; faltam menos de três anos. Mais de um milhão de pessoas visitará o Brasil durante o Mundial, mas se não mudarmos a nossa maneira de pensar e agir, eles virão, continuarão amando a nossa seleção e os nossos craques, mas irão de volta pra casa sem saber quem são os nossos clubes de tradição. Espero que isso mude em breve. Muito breve.

Apesar de não concordar com o uso do dinheiro da FGF na organização de jogos no exterior, enquanto os clubes do interior não têm estrutura, não temos um clube sequer na Série B nacional, e somente um na Série C (comparando essa situação somente com os nossos vizinhos catarinas, um estado sem muita tradição no futebol brasileiro, já é uma
vergonha), eu quero, sim, que seja viabilizado (através de investidores) o GreNal nos Estados Unidos. É possível. Mas tem que ser bem feito, ainda é tempo de fazer um pequeno estudo de mercado.

Erro será levar esse jogo para uma colônia mineira em território americano como é Boston. Procurem informar-se e vejam que a maioria dos gaúchos que vivem nos Estados Unidos estão na Califórnia.

Gaúchos os quais seguirão por aqui depois do tal clássico, ajudando a promover a imagem dos nossos times da província. Basta ter conhecimento, pessoas capacitadas e ousadas. Ainda é possível, sim, recuperar o tempo perdido, mas não espere pelo amanhã quando isso deveria ter sido feito ontem, mas ainda pode ser feito hoje.

*Cônsul do Grêmio em Los Angeles e especialista em marketing esportivo

Contato: http://azulpretoebranco.com.br/fale-conosco/
 

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