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28/11/2012

A hora da insurreição em conjunto dos grandes clubes de São Paulo e dos grandes clubes do Rio de Janeiro

Venho propondo, ao longo das últimas semanas, que os grandes clubes paulistas organizem a Liga Paulista de Clubes, jogando um campeonato próprio, e também que os grandes clubes cariocas montem a Liga Carioca de Clubes, também jogando um campeonato próprio.

Pois bem, a pergunta que não quer calar é: e por que os grandes clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro não montam, logo de uma vez, uma liga conjunta interestadual, ao invés de montarem ligas estaduais?

Sou simpatizante da ideia. Só não sei se os grandes clubes o são…

Sinto certo ar de provincianismo, exercitado de lado a lado, que faz com que cariocas não queiram dividir campeonato regional com paulistas, e que paulistas não queiram dividir campeonato regional com cariocas. Puro bairrismo, que só prejudica, ao invés de agregar.

Se os grandes clubes dos dois grandes centros forem capazes de superar o segregacionismo mútuo, pode-se pensar em uma liga interestadual, ao invés de ligas estaduais. Poderia surgir a Liga Rio-São Paulo de Clubes, que organizaria a assim reeditada Copa Rio-São Paulo. Assim, grandes clubes paulistas jogariam o Rio-São Paulo, ao invés do Campeonato Paulista. Por sua vez, os grandes clubes cariocas jogariam o Rio-São Paulo, ao invés do Campeonato Estadual do Rio. Muito mais produtivo – seja do ponto de vista técnico, seja do ponto de vista comercial.

A Liga Rio-São Paulo de clubes teria 12 equipes fixas. Sete seriam paulistas: Corinthians, Guarani, Palmeiras, Ponte Preta, Portuguesa, Santos, São Paulo. Cinco seriam cariocas: América, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama.

Em um primeiro momento, a Copa Rio-São Paulo pode ser disputada em 23 datas, ou rodadas, mesmo número que atualmente se utiliza para o Campeonato Paulista. A forma de disputa pode ser esta:

• Fase Eliminatória: Os 12 clubes jogam entre si em turno único, classificando-se os seis melhores para a fase final (11 rodadas).

• Fase Classificatória: Os seis classificados disputam um hexagonal em turno e returno, com os dois clubes que somarem maior número de pontos indo à final (10 rodadas).

• Fase Final: Os dois clubes finalistas decidem o título em dois jogos (duas rodadas).

Essa forma de disputa poderia ser reformulada, ao longo do tempo. Poder-se-ia, por exemplo, no bojo de ampla reformulação do calendário do futebol brasileiro, reduzir o número de datas para disputas estaduais ou interestaduais, das 23 atuais (tomando como base o Campeonato Paulista) para 13. Quando isso acontecesse, a nova forma de disputa, em 13 datas, ou rodadas, seria esta:

• Fase Eliminatória: Os 12 clubes jogam entre si em turno único, classificando-se os quatro melhores para a fase semifinal (11 rodadas).

• Fase Semifinal: O melhor da fase classificatória joga contra o quarto melhor da fase classificatória, enquanto o segundo melhor da fase classificatória joga contra o terceiro melhor da fase classificatória; o clube que fez melhor campanha na fase classificatória joga tanto com a vantagem de poder empatar para poder se classificar, como com o mando de campo; dois vencedores se classificam para a final (uma rodada).

• Fase Final: Os dois clubes finalistas decidem o título em um jogo, com o clube de melhor campanha da fase classificatória podendo empatar e tendo mando de campo para ser campeão (uma rodada).

Reduzir as competições de apoio de 23 para 13 datas, ou rodadas, parece algo ideal. Quando elas puderem ser interestaduais, ao invés de estaduais, tanto melhor para os clubes envolvidos – tanto em termos técnicos, como em termos comerciais. Assim, esse revigorado Rio-São Paulo parece atender ao melhor interesse dos grandes clubes, paulistas e cariocas.
 

 

* Luis Filipe Chateaubriand é autor do livro “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.


Leia mais:
Entrevista: Luis Filipe Chateaubriand – Parte 1
Entrevista: Luis Filipe Chateaubriand – Parte 2
Um calendário para o Campeonato Brasileiro de futebol

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