Universidade do Futebol

Ceaf

01/12/2008

A iminente extinção dos meias que não marcam

Falar de um assunto como este é tirar do conforto os treinadores que dependem de um só jogador para decidir a partida para ele. Haja vista que acompanhamos equipes que estão entre o G4 do Campeonato Brasileiro e que deixaram esse pensamento cartesiano para trás ao se atualizarem, pelo fato de enfatizar os princípios defensivos aos seus atletas, é o caso de São Paulo e Grêmio (que são as equipes que levaram menos gols na competição). Por falar em princípios defensivos, não podemos deixar de lado o que a ciência trata sobre tal modelo, da qual Claude Bayer tinha como premissa quando instituiu seu pensamento sobre os princípios gerais do JDC (jogos desportivos coletivos), que são eles:

Fig. 1 – Princípios operacionais dos Jogos Desportivos Coletivos (Bayer, 1994).

Partindo do pressuposto de que quando a equipe retém a posse de bola, os princípios de ataque são altamente absorvidos pelos nossos talentosos meias, pois a qualidade que promovem em relação à progressão da bola em direção ao alvo é sem dúvida alguma altíssima. Logo, viver de posse de bola seria o sonho de qualquer jogador, pois correr atrás do adversário é muito mais complexo (pois ele é imprevisível) e exige uma intensidade maior de marcação e concentração. Mas, quão grande é a realidade pela qual, em um jogo até mesmo quando estamos atacando, temos que pensar em defender (cobertura ofensiva), será que as equipes pensam sob essa ótica?

A transição de princípios ocorre no momento de uma ação, seja ela ofensiva ou defensiva, basta os jogadores terem em mente as circunstâncias pela qual cada ação promoverá em uma eventual perda de bola ou em um possível desarme. Nesse ponto de vista, o meia não deve somente pensar com a bola e sim no todo do jogo, pois ele, sendo uma das partes, influenciará diretamente na performance geral da equipe.

As aquisições físicas que o futebol contemporâneo adquiriu através dos tempos impossibilitam as ações “preguiçosas” dos jogadores de meio e ataque, pois qualquer progressão com a bola indevida possibilita ao adversário dobrar a marcação ou recompor em seu setor defensivo para uma interceptação ou desarme completo de sua equipe e, se não estiverem prontos para transitar, com certeza será fatal um contra-ataque com êxito do rival. Vale reforçar que dentro da aquisição física o atleta obtém seu desempenho ideal através do jogo e não com métodos analíticos de preparação física, mas isto é outro assunto para refletirmos.

É preciso termos em mente que não se deve deixar de lado a magia (arte) do futebol romântico, mas é preciso incluí-lo em um contexto no dinamismo contemporâneo do mesmo – o futebol arte contemporâneo. Quando vemos jogadores como: Kaká, Deco, Lampard, Gerard, entre outros; logo detectamos uma superioridade em detrimento a outros atletas em termos de relação com a bola, estruturação de espaço e comunicação das ações, mas não se destacam somente pelos aspectos técnicos e táticos, mas sim pela exigência pelas quais suas respectivas equipes têm para com o aspecto físico e emocional. Os sistemas táticos de hoje, fazem com que os atletas não se prendam somente em pensar na manutenção da posse de bola, e sim em uma matriz do todo que exige suas vertentes biológicas.

Portanto, imaginemos então nossos meias prodígios, talentosos e dotados de uma técnica incomensurável estimulados a marcarem e participarem do todo que o jogo proporciona. Vale a pena esperar tal milagre!

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