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08/02/2015

A importância do Fair Play Financeiro

Primeiramente acordado na Europa, o Fair Play Financeiro foi em 2009 uma promessa de estabilidade econômica a um cenário em que mais de 50% dos clubes estavam perdendo dinheiro. Grande parte gastava mais do que arrecadava ferindo um dos princípios básicos da contabilidade, que nem sempre era aplicável ao mundo do futebol.

Em 2015, a BDO realizou um estudo com os dirigentes da English Premier League e os resultados preliminares mostram-se promissores. Ao serem perguntados, por exemplo, de como classificariam a situação financeira atual de seu clube 75% classificaram como “Muito boa” ou “Boa”.

No ano passado, o país do futebol recomeçou uma discussão sobre o futuro dos clubes brasileiros, incentivado pela iminente falência dos mesmos.

Com endividamento recorde de mais de R$ 6 bilhões, sendo mais de R$ 4 bilhões de débitos fiscais e tributários, e o déficit acumulado dos 24 principais clubes do país nos últimos 5 anos chegando a R$ 1,4 bilhão o governo foi acionado para participar desse debate. Depois de diversos planos de Refis e Timemania, o mercado do futebol não vê com bons olhos uma simples renegociação financeira. Apenas o fato de começar a negociação de um novo Refis já conota o insucesso dos parcelamentos anteriores.

Neste caso, é de extrema importância, analisarmos, qual é a causa e qual é a consequência dos fatos, pois a crise financeira dos clubes não parece ser a causa dos fatos, mas sim sua consequência.

O Fair Play Financeiro foi idealizado para, além de garantir a sustentabilidade do segmento, impedir que os clubes, em busca de sucesso esportivo, tenham problemas financeiros colocando em risco, até mesmo, seu futuro de longo prazo.

As contrapartidas exigidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal são premissas básicas, como a responsabilidade civil e criminal dos dirigentes, cumprimento dos contratos de trabalho, transparência e controle de gastos, originadas nas melhores práticas de governança corporativa que contam com órgãos reguladores (CVM, BACEN e etc.) que protegem os interesses de investidores ou parceiros de negócio.

Neste contexto, as contrapartidas do refinanciamento são a chave do desenvolvimento do futebol brasileiro, pois são as únicas garantias de que a gestão dos clubes cumpra algumas básicas boas práticas do mercado.

A profissionalização sugerida por meio do refinanciamento e suas contrapartidas nada mais são do que um mecanismo de proteção aos clubes que, apesar de faturarem como grandes empresas são sociedades sem fins lucrativos e que fazem parte do patrimônio pessoal de cada torcedor.

O futebol brasileiro tem uma ótima oportunidade para, a exemplo da Alemanha, prematuramente eliminada na Eurocopa 2004, utilizar uma tragédia esportiva para mudar o rumo do esporte. Só a história dirá se o 7 a 1 foi a luz necessária para a profissionalização da gestão do futebol brasileiro. 

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