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“A organização defensiva é, acima de tudo, uma questão de defender com lucidez. Aquilo que se deve fundamentalmente procurar é fechar os espaços e assim condicionar os adversários.”
(Frade, 2002)

 

Nas últimas semanas, recebi vários e-mails sobre questões relacionadas à marcação por zona. Por isso, resolvi antecipar a discussão sobre essa temática.

Antes mesmo de iniciarmos a reflexão acerca da marcação zonal, precisamos discutir o conceito de marcação aplicado ao futebol e destacar que o mesmo é parte fractal da organização defensiva da equipe.

A marcação pode ser definida como “o ato ou resultado de marcar um espaço e/ou um adversário direto” (adaptado de Amieiro, 2005).

Partindo desta definição, podemos discutir quatro formas básicas de marcação em relação ao espaço e ao adversário:

Marcação zonal: age sobre o espaço.

Marcação individual: age sobre o jogador adversário.

Marcação individual por setor: cada jogador é responsável por um espaço e pelo jogador adversário que estiver dentro do mesmo.

Marcação mista: utiliza tanto a marcação zonal, como a individual, que se alternam em circunstâncias específicas do jogo.

Marcação híbrida: apresenta características da marcação zonal e individual, ao mesmo tempo, que se manifestam em decorrência da estratégia da equipe.

Cada um desses tipos de marcação tem inúmeras outras referências que a orientam, mas não vamos discuti-las neste momento. Nosso foca agora é a marcação por zona. Nesta, cada jogador administra um espaço do campo que se modifica em função da bola, de seus companheiros e dos gols.

O objetivo da marcação é otimizar a ocupação espacial da equipe, deixando o “campo pequeno” para o adversário que ataca. Na região onde a bola se encontra, a busca é pela criação da superioridade numérica, sem desguarnecer o lado oposto do campo que deve permanecer “vigiado” pelos jogadores mais próximos deste setor.

A região onde a bola se encontra é chamado por alguns autores de “lado forte”, enquanto a região oposta é chamada de “lado fraco”. Em cada uma dessas regiões há uma preocupação diferente por parte da equipe, e varia conforme o Modelo de Jogo de cada uma delas.

Para Nuno Amieiro, em seu livro “Defesa a Zona no Futebol”, ocupar os espaços do jogo de forma inteligente criando superioridade numérica na região da bola é um dos fatores fundamentais para “controlar” os adversários.

Além de criar superioridade numérica na região da bola e “vigiar” o lado oposto a ela, na marcação por zona se preconiza a presença de linhas escalonadas que sevem como coberturas e visam com isso “aumentar” o caminho entre a bola e o gol.

Vale destacar ainda que na marcação por zona a atenção do jogador não deve ser apenas na ocupação do seu espaço, mas no desenvolvimento de seu jogo como um todo, levando em conta as demais referências do Modelo de Jogo.

Na marcação por zona, o que se busca é uma marcação coesa, dinâmica, homogênea com o intuito de fornecer uma referência coletiva comum aos jogadores dentro da organização defensiva da equipe.

Por fim, não trago nenhuma atividade prática para vocês, mas venho propor que me enviem sugestões para o desenvolvimento desse conceito. Na próxima coluna, vou apresentar algumas desses exercícios propostos por vocês a fim de trocarmos informações sobre nossos treinos: acredito que essa troca é fundamental para todos nós!

Termino com uma frase de Ayrton Senna, grafada em seu capacete histórico, diante do qual passo todos os dias quando vou para o campo de treino:

“Há um grande desejo em mim de sempre melhorar. Melhorar é o que me faz feliz. E sempre que sinto que estou aprendendo menos, que a curva de aprendizado está nivelando, ou seja, o que for, então não fico muito contente. E isso se aplica não só profissionalmente, como piloto, mas como pessoa”.

Até a próxima!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br  

Referência bibliográfica:

Amieiro, N. Defesa à Zona no Futebol: Um pretexto para refletir sobre o jogar… bem, ganhando! Edição do Autor. 2005

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