Universidade do Futebol

Nupescec

09/07/2008

A memória do torcedor

Com a proximidade das Olimpíadas de Pequim e tendo o Brasil como finalista para a escolha de futura sede, o Núcleo de Pesquisa em Comunicação, Esporte e Cultura da UFJF (NUPESEC) apresenta a pesquisa que realizou junto a estudantes universitários para identificar o que ficou na memória dos mesmos em relação aos Jogos Pan-americanos, disputados no nosso país e que completam um ano de sua realização.
 
Foram ouvidos 56 alunos da Universidade Federal de Juiz de Fora sobre vários aspectos, buscando verificar o que ficou na memória destas pessoas, principalmente por ter sido um evento amplamente coberto pela mídia. O levantamento foi realizado cinco meses depois de encerrados os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.
 
A primeira questão levantada, necessariamente, era saber quantos destes entrevistados acompanharam a disputa. Somente um estudante afirmou não ter visto nada sobre o Pan. A seguir, perguntou-se sobre a intensidade deste acompanhamento. Cinquenta e seis por cento dos entrevistados disseram que acompanharam as disputas todos os dias. Vinte e sete por cento falaram que somente se interessaram pelas competições que envolviam o Brasil. Oito por cento falaram que só viam o Pan nos fins de semana, enquanto cinco por cento afirmaram que só se interessaram nas finais. Restando quatro por cento que disseram ter visto apenas vôlei e basquete.

A grande maioria, cinquenta e cinco por cento, acompanhou o Pan pela televisão. A internet apareceu como segunda opção dos universitários para saber sobre a competição, vindo a seguir o jornal e o rádio, por último. Destes, sessenta por cento considerou a cobertura feita pelos meios de comunicação como boa, vinte e cinco por cento dizem que foi ótima. Apenas onze por cento disseram que ela foi regular e quatro por cento que ela foi fraca.
 
Para verificar o nível de retenção de informação dos entrevistados, os pesquisadores perguntaram quantas medalhas de ouro o Brasil conquistou. A maioria, vinte por cento, não sabia. Outros vinte por cento disseram que os brasileiros conquistaram 54 medalhas, treze por cento que foram 53. Onze por cento disseram que foram 50 medalhas e a opinião dos demais ainda apresentou treze variações de números.
 
Noventa e quatro por cento acertou a colocação do Brasil ao final do Pan-americano de 2007, mas uma pessoa não se lembrava e dois erraram. Dificultando ainda um pouco mais a memória, perguntou-se sobre qual foi a primeira medalha conquistada pelo Brasil. Trinta e três entrevistados lembraram do taekwondo, mas alguns entrevistados acharam que teria sido a natação ou judô. Os pesquisados acertaram em 58% a pergunta que fazia menção ao maior recordista de medalhas que o Brasil tem. Eles responderam Hugo Hoyama, que se destacou novamente na competição e teve grande
divulgação do fato na mídia. Só que vinte por cento dos entrevistados não se lembravam disso e nove por cento apostaram em Tiago Pereira, naturalmente impressionados pelo número de medalhas conquistadas pelo atleta brasileiro nesta última competição.
 
Perguntamos também sobre os destaques da competição a partir do que viram, leram e ouviram. Quarenta e nove por cento dos 56 entrevistados disseram Tiago Pereira, vindo a seguir Jade Barbosa, com 29 por cento, Giba e Marta, com 10 por cento. A seguir foram lembrados Diego Hipólito e Falcão.
Também puxamos pela memória dos entrevistados ao questionarmos sobre qual o fato polêmico que mais marcou aquela competição. Vinte e sete por cento dos entrevistados se lembraram dos atletas cubanos de desertaram durante o Pan. Doze por cento se lembraram da briga entre Bernardinho e Ricardinho, no vôlei. Dezoito por cento falaram que o fato marcante foi a saída antecipada de Cuba, com o retorno ao aeroporto antes do previsto e, quatorze por cento afirmaram que a vaia sofrida pelo presidente Lula foi o fato de maior polêmica.
 
Finalmente, ao serem indagados sobre os pontos positivos que viram no evento, a maioria apontou a infra-estrutura deixada como herança. Foram dezoito por cento que acharam isso, vindo a seguir o incentivo ao esporte e a segurança. Apenas 15 por cento não viram nada de negativo na competição disputada no Brasil. Mas dez por cento acharam que os gastos descontrolados na disputa foi o que mais marcou. Cinco por cento não aprovaram as vaias da torcida e houve quem lembrasse com aspecto negativo o excesso de transmissões na televisão.
 
Considerações finais: O resultado encontrado demonstra que ficaram bem marcadas as informações dos entrevistados sobre a competição. Por outro lado, quando o grau de exigência na recuperação da memória aumentava, também se ampliava o número daqueles que não haviam retido essas mesmas informações. O que reforça a discussão sobre o que é notícia de interesse público e de interesse do público. Essa discussão, especialmente em termos de esporte, tem sido alvo de discussões na academia, onde se tem analisado as coberturas e programas esportivos, levantando-se questões sobre o nível de interesse do receptor em relação ao que se está apresentando a ele.

* Pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa em Comunicação, Esporte e Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora

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