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18/11/2015

A paixão pelo patrocínio

Os gestores remunerados nos clubes não ocupam vagas de estratégia, planejamento, inteligência de mercado e, tampouco, de vendas

Estava programado para falar sobre a recente celeuma entre Palmeiras e seu patrocinador master, a Crefisa, ante um evidente caso de paixão que transcende a razão necessária do investimento em patrocínio. No entanto, Erich Beting escreveu de forma brilhante nesta semana um enredo que, quando construído com bases frágeis, pode se transformar em um turbilhão de emoções.

O complemento vai muito na linha que tenho seguido e que reforcei no início do ano com uma pesquisa sobre as ocupações preenchidas em clubes de futebol. As tarefas dos gestores remunerados nos clubes é eminentemente operacional. Os profissionais não ocupam vagas de estratégia, planejamento, inteligência de mercado e, tampouco, de vendas! Exatamente! Vendas!

Enquanto um clube como o Manchester United possui 195 profissionais distribuídos nas áreas comerciais e de marketing, apenas para ficarmos em um exemplo extremo, por aqui, quem executa esse tipo de atividade são os diretores estatutários que são, teoricamente, bem relacionados no mercado e, por conta disso, até vendem algumas propriedades de patrocínio… em um modelo de negócio antigo! Por isso, tem dificuldade de entregar aquilo que vendem. Diretores estatutários comercializam, via de regra, a paixão! É nesta perspectiva que o Palmeiras está, como bem descreveu Beting.

Os departamentos de marketing dos clubes, se quiserem verdadeiramente planejar, vender e entregar patrocínio, precisam ser multiplicados por dez na grande maioria dos principais clubes do país. A distância é exatamente essa: sair de uma estrutura de empresa familiar para chegar a uma proporção de uma empresa que fatura ao redor de R$ 300 milhões ano e tem potencial para, no mínimo, dobrar de tamanho no curto prazo se for composta por especialistas!

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