Universidade do Futebol

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05/05/2008

A preparação física para o futebol: depoimentos de profissionais

Resumo

O futebol é um dos esportes mais praticados no mundo, reúne mais países afiliados à Fifa do que à ONU. A preparação física (PF) vem assumindo nos últimos anos papel de destaque juntamente com o treinamento aplicado pelo treinador. As transformações sofridas ao longo dos anos no treinamento físico são facilmente observadas quando se compara em diferentes épocas as distancias percorridas pelos jogadores. Nesse sentido, na presente pesquisa objetivou-se analisar a PF no futebol sob a ótica do preparador físico. Para tanto, inicialmente realizou-se revisão da literatura abordando-se os seguintes tópicos: a) aspectos gerais da PF; b) as transformações da PF ao longo dos anos; c) as diferentes fases da PF; d) os princípios científicos do treinamento esportivo; e) o estudo das capacidades físicas; f) o treinamento físico aplicado no futebol e g) os testes físicos aplicados nos jogadores de futebol. Por intermédio da técnica de entrevista semi-estruturada coletaram-se depoimentos com os preparadores físicos das equipes profissionais dos clubes: São Paulo Futebol Clube, Sport Club Corinthians Paulista e Sociedade Esportiva Palmeiras. Os resultados evidenciados apontam que 1) na década de 60, jogadores percorriam aproximadamente quatro quilômetros em uma única partida e, hoje, há relatos de jogadores que percorrem até 14 quilômetros; 2) na década de 70 a PF baseava-se em corridas contínuas e, nos últimos anos, por corridas intervaladas e trabalhos resistidos (musculação) específicos para a posição do jogador em campo; 3) o futebol é um esporte de caráter intermitente, onde à distância percorrida pelos jogadores em campo reflete as características da posição e de sua atuação, portanto, a necessidade de treinamento específico. Concluiu-se que a PF influencia diretamente no desempenho da equipe e, conseqüentemente, na classificação em determinado campeonato. Se na década de 1970 prevalecia a habilidade (técnica), hoje, a condição física passou a ser determinante. Portanto, o PRF é um dos principais responsáveis pelo sucesso/desempenho dos jogadores de futebol. Enfim, em decorrência das exigências do universo esportivo de competição mundial, hoje, o futebol apresenta-se configurado como um esporte-espetáculo, resultante num crescente rendimento físico dos jogadores, influenciado pelo avanço da ciência e da tecnologia e de um trabalho diferenciado, especialmente, do preparador físico.

Introdução

Escrever ou falar de futebol, um dos esportes mais praticados no mundo, é por um lado fácil, pois como se trata de um esporte extremamente conhecido, as informações sobre ele estão ao alcance de todos. Mas por outro lado, é uma tarefa difícil, quando o assunto é a preparação física. Pois suas origens são incertas, assim como toda a sua trajetória.

É comum vermos pela televisão jogadores que, fora de temporada fiquem fora de forma e cabe ao preparador físico prepará-lo o mais rápido possível para deixá-lo em ótima condição física para a temporada que se inicia dentro de poucos dias. Portanto, a preparação física aplicada hoje nos times de futebol evoluiu e muito em comparação há 20 ou 30 anos atrás. Com a evolução da tecnologia, com o auxilio de novos aparelhos, métodos de treinamento, nossos jogadores estão muito mais aptos para jogar os noventa minutos do que há 20 anos atrás.

Mas antes de se falar em preparação física, é necessário saber as origens deste magnífico esporte que encanta a O futebol apresentou diferentes características e cada uma delas relacionadas ao país em que estava. Ou seja, por causa das diferentes etnias, culturas, o futebol se fez por si próprio, de acordo com as tradições, costumes, crenças que determinado povo apresentava.

Antigamente no Japão, por exemplo, o futebol se chamava Kemari. Era um jogo com caráter lúdico, não tinha ganhador ou perdedor, e era visto como sendo um grande ritual e antes de cada jogo a bola era levada para a igreja e abençoada (BORSARI, 1975; DUARTE, 1994; FREMANTLEMEDIA, [ca.2000]).

Por outro lado na Inglaterra o futebol possuía uma outra característica. Não havia nenhum tipo de ritual e o jogo buscava sempre um ganhador e um perdedor. O futebol era praticado com os pés ou com as mãos (rugby), fato que alguns anos mais tardes iriam traçar rumos diferentes. O jogo de futebol ou rugby eram jogos violentos, não tinham regras que estabelecessem qualquer tipo de falta, quantidade de jogadores, o jogo era simplesmente jogado e os jogadores eram extremamente individualistas. Não tinham a noção de que tocar (passar) a bola para o companheiro de equipe fosse algo benéfico para o time (BORSARI, 1975; DUARTE, 1994).

No Brasil, o futebol foi introduzido por um inglês, Charles Miller, um brasileiro de origem inglesa, e que estava na Inglaterra estudando. Em 1894, Miller fascinado pelo esporte, veio ao Brasil, trazendo consigo duas bolas, chuteiras, camisas, calções, camisas, materiais indispensáveis para a prática do futebol (BORSARI, 1975; CALDAS, 1989).

Aqui no Brasil, Miller encontrou o alemão Hans Nobiling e juntos divulgaram o futebol por todo o país e passaram a organizar algumas competições, torneios. O primeiro jogo oficial, foi realizado em 1899, de um lado estava o time de Nobiling e do outro lado os ingleses, companheiros de Miller que estavam no Brasil. Ao contrário do que aconteceu em diversos países, no Brasil o futebol nunca foi proibido. As igrejas incentivavam as pessoas a praticá-lo, pois acreditavam que o indivíduo que possuía um corpo saudável tinha conseqüentemente uma mente saudável (CALDAS, 1989). todos os apaixonados por ele.

Os primeiros clubes de futebol surgiram por volta de 1860 na Inglaterra; Escócia; Itália e outros países, enquanto no Brasil os primeiros clubes datam de aproximadamente 1901 em diante, mas as primeiras partidas são de épocas anteriores a esta (BORSARI, 1975). Mas ao surgirem os clubes, será que uma preparação física era aplicada aos jogadores?

Sabemos que não, pois nessa época o futebol não era profissional, era absolutamente amador. Mas sabe-se que anos mais tarde o futebol tornaria profissional, os clubes passariam a ter uma sede, pagar os jogadores. Será que a partir daí o futebol passaria a ter uma preocupação com a forma física de seus atletas? Nesse sentido, na presente pesquisa objetivou-se analisar o processo histórico no que se refere à preparação física de jogadores profissionais de futebol masculino dos Clubes Sport Club Corinthians Paulista, São Paulo Futebol Clube e Sociedade Esportiva Palmeiras, no período de 1970 a 2002.

Materiais e métodos

A pesquisa referente à evolução da preparação física para o futebol de campo masculino caracterizou-se como uma pesquisa qualitativa, que segundo André (2000), agrega dados minuciosos do tema a ser explorado. Em relação ao período de estudo (1970 a 2002) se trata de uma margem de tempo onde a história do futebol no que diz respeito aos aspectos táticos e principalmente físicos apresenta transformações significativas. Define-se, ainda, o método de abordagem histórico, que de acordo com os apontamentos de Le Goff (1992, p.12):

“Uma explicação histórica eficaz deve reconhecer a existência do simbólico no interior de toda a realidade histórica (incluída a econômica), mas também confrontar as representações históricas com as realidades que elas representam e que o historiador apreende mediante outros documentos e métodos – por exemplo, confrontar a ideologia política com a práxis e os eventos políticos. E toda história deve ser uma história social”.

Para o desenvolvimento da pesquisa utilizaram-se duas técnicas: a pesquisa bibliográfica e a entrevista semi-estruturada. A primeira consistiu em colocar o pesquisador em contato direto com o que já se produziu e registrou a respeito do assunto. E a entrevista semi-estruturada foi realizada com finalidade de se obter informações que não seriam encontradas na revisão literária. Para isso entrevistaram-se profissionais que atuavam nos principais clubes do estado de São Paulo que são: São Paulo Futebol Clube, Sport Club Corinthians Paulista e Sociedade Esportiva Palmeiras. Escolheram-se esses clubes pelo fato de serem as principais equipes do Estado de São Paulo e do Brasil. Estas equipes representam o Brasil em competições internacionais, como a Copa Libertadores da América. Além de que esses clubes são os principais responsáveis pela revelação de jogadores que se destacam pelo mundo a fora, e que na maioria das vezes, chegam a atuar pela seleção nacional.

As entrevistas foram realizadas dentro do Centro de Treinamento (C.T.) dos próprios clubes acima citados. Utilizou-se um roteiro contendo oito questões abrangentes (ver Anexo A) que foi disponibilizado ao entrevistado previamente via e-mail e também antes do inicio da entrevista juntamente com o projeto de pesquisa e o termo de consentimento. As entrevistas foram gravadas em fitas de microcassete, sendo duas do modelo MC-60UR, da marca Maxell e uma fita do modelo MC-60 da marca Sony, utilizou-se um aparelho gravador de microcassete profissional Panasonic, modelo RN-302 e posteriormente transcritas. Com as informações obtidas nas entrevistas confrontou-se com os dados encontrados na revisão de literatura.

Resultados e discussão

A preparação física assumiu nos últimos tempos uma grande importância no treinamento de alto rendimento, isso demonstra que os grandes resultados estão relacionados com o alto preparo físico dos jogadores e sempre com a aplicação de treinamentos baseados cientificamente. Isso mostra que a preparação física é um dos fatores que mais evoluiu nas últimas décadas e continua evoluindo (TUBINO, 1979; CUNHA, 2006).

De acordo com Fernandes (1994), atualmente o futebol exige mais das capacidades físicas e mentais dos jogadores. É comum de se ver hoje em dia, jogadores talentosos que não conseguem mostrar suas habilidades, devido ao mau condicionamento físico.

Pode-se dizer, portanto que a preparação física nos clubes de futebol é indispensável para o sucesso da equipe e pelo desempenho de seus jogadores. A aplicação de métodos, programas de treinamento atualizados nas concepções cientificas estão se tornando cada vez mais comuns. A evolução da ciência do treinamento, sostificação tecnológica, metodologia, contribuiu e muito para o futebol. É comum de se ver em grandes clubes hoje em dia, laboratórios de condicionamento físico, que além de ter preparadores físicos, conta também com a presença de fisiologistas, nutricionistas, auxiliares técnicos, psicólogos, tudo para que os jogadores de futebol encontrem o seu melhor preparo físico, técnico, tático e psicológico (TUBINO, 1979; FERNANDES, 1994).

Segundo Weineck (2000), na década de 60, aqueles jogadores que percorressem mais de quatro quilômetros em uma partida, poderia ser considerado com sendo um atleta excepcional.

De acordo com Ekblom (1994), citado por Silva (1998), o futebol é um esporte coletivo de caráter intermitente, ou seja, alterna ritmos, sentidos e direções, e é um esporte de alta intensidade, onde cada jogador percorre em média 10 quilômetros em uma partida, sendo 8% aproximadamente dessa distância percorrida em alta velocidade. Fisiologicamente, o jogador apresenta em média um VO2 de aproximadamente 60 a 65 ml/Kg/minuto, além de produzir uma energia aeróbia de 80% da capacidade máxima de absorção de oxigênio durante uma partida.

Atualmente, os jogadores profissionais de futebol percorrem em media 10 á 14 quilômetros por jogo. Até a década de 80 eram quatro quilômetros a menos. As medidas do campo continuam as mesmas (de 90 a 120 metros de extensão), mas o jogador hoje tem que estar preparado para movimentos mais velozes porque as partidas são bem mais rápidas e movimentadas (WEINECK, 2000; LOPES, 2006; CUNHA, 2006).

A preparação de um jogador de futebol é extremamente importante, para que ele possa desenvolver seu trabalho e apresentar bons resultados. Para que isso ocorra é necessário que o jogador tenha um treinamento individualizado, pois cada jogador possui suas características e seu corpo reage de diferentes maneiras, á diferentes estímulos, portanto elaborar um treino de acordo com sua especificidade e posicionamento em campo é fundamental para extrair do atleta seu rendimento físico máximo. E para elaborar treinos, novos métodos, utiliza-se novos testes e formas de avaliação, tudo para que o atleta otimize o seu treino e atinja a sua capacidade máxima, apresentando bons resultados. Os profissionais do treinamento esportivo necessitam sempre de meios que possibilitem a estruturação e o controle do objetivo da sobrecarga de treinamento. Novas propostas metodológicas são desenvolvidas, assim como novas tecnologias são incorporadas ao treinamento esportivo. Hoje preparar fisicamente o jogador de futebol é saber dosar o treinamento no sentido de possibilitar uma melhora em seu desempenho, nas capacidades básicas para que se tenha um bom rendimento em uma partida (SILVA, 1998).

A importância de um profissional capacitado nos clubes é fundamental. O preparador físico deve estar presente em todas as categorias e não somente na categoria profissional, pois existem intensidades e cargas diferentes para cada faixa etária (CUNHA, 2006).

Segundo Fernandes (1994), o sucesso do desenvolvimento e manutenção do rendimento em jogos e competições se deve ao treinamento. O treinamento direciona a capacidade de treinamento do atleta, levando-o em direção a melhora da condição física, técnica, tática e psíquica. O treinamento depende do treinador e do jogador. Depende do treinador pelo fato de este possuir embasamentos teóricos e certas percepções que o diferem de outros no momento de escolher as melhores estratégias, e depende do jogador pelas suas qualidades inatas de habilidade, que o tornam capaz de encantar a todos pela maneira como desenvolve o seu potencial técnico, sua “arte” de jogar. No que se refere á preparação física, o treinamento provoca adaptações nos sistemas cardiovascular, hormonal, metabólico e vegetativo. Todas as adaptações são conseguidas á base de estímulos externos como os exercícios de treinamento, que produzem um esforço interno por parte dos órgãos e dos sistemas. Todos esses sistemas obedecem a um planejamento com sua adequada metodologia.

Em relação às transformações que a preparação física sofreu ao longo dos anos, ao confrontar a teoria (revisão literária) e pratica (entrevistas realizadas) pode-se dizer que nas últimas décadas a preparação física para o futebol sofreu profundas transformações, devido principalmente às inúmeras pesquisas cientificas e o avanço da tecnologia, sem as quais não seria possível, como se observou nos relatos dos preparadores físicos, mapearem as características físicas, prescrever treinamentos físicos individualizados baseados em avaliações físicas e metabólicas. Isso mostra que o futebol hoje é foco das mais diversas áreas da ciência e tecnologia.

Na época o preparador físico do Palmeiras disse que as transformações da preparação física para o futebol ocorreram gradativamente, ou seja, conforme se ia descobrindo as características físicas dos jogadores, da posição, surgiam-se as necessidades de um treinamento mais voltado para o futebol, mais especifico.

Quando se fala em treinar especificamente para o futebol, significa dizer que o futebol por ser de caráter intermitente, ou seja, o futebol não é contínuo, linear, os jogadores ao correrem mudam de direção, andam, trotam, dão sprints, ficam parados, correm de costas, saltam, correm lateralmente. Portanto, os trabalhos contínuos antes amplamente utilizados foram aos poucos perdendo espaço para trabalhos mais intervalados, mais específicos para o futebol, respeitando assim as características individuais do jogador e principalmente da posição que o mesmo atua.

Até um leigo sabe que no futebol o atleta tem varias posições para jogar em campo. Sendo assim, ao ter conhecimento da literatura e os dados obtidos da entrevista realizada com os preparadores físicos dos principais clubes do estado de São Paulo, o trabalho físico especifico por posição é fundamental para o desenvolvimento das capacidades físicas para o jogador de futebol. Mas, com os relatos evidenciou-se que o trabalho físico especifico por posição dentro de campo não é “feito” categoricamente, ou seja, o que normalmente é realizado dentro de campo são trabalhos físicos juntamente com os trabalhos táticos específicos por posição, o que conseqüentemente acaba trabalhando de modo especifico a parte física. Os trabalhos físicos específicos de acordo com a literatura são aqueles onde, no caso do treinamento de velocidade, os zagueiros, laterais e atacantes realizam sprints, no treinamento de resistência, os meio-campistas realizam corridas continuas e intervaladas, no treinamento de força, os zagueiros realizam treinos para o desenvolvimento de força rápida e atacantes realizam treinos de potência, força explosiva. Enfim há inúmeros meios de se treinar especificamente a parte física do jogador de acordo com a posição. O que acontece é que na teoria tudo é explicado perfeitamente, mas na prática, esses trabalhos físicos específicos são trabalhados isoladamente poucas vezes durante os treinamentos. Pois, devido ao pouco tempo que se tem para preparar uma equipe para as competições, os trabalhos físicos e táticos são realizados juntamente, o que de certa forma acaba preparando de modo bem satisfatório o atleta para os jogos.

Pesquisadores como Barbanti (1997) e Hernandes Jr. (2002) essa preparação física deve atender as necessidades que cada posição exige, como por exemplo, os laterais que além da força rápida (explosiva), potência, que certas jogadas exigem, é necessário após um ataque, que ele retorne ao campo de defesa o mais rápido possível, percorrendo para isso toda a extensão do campo. Desta maneira, a capacidade aeróbia é fundamental, e os jogadores de meio-campo que necessitam de uma maior carga de treinamento, pelo fato de que os mesmos se deslocam constantemente em uma partida, sendo o elo entre o ataque e a defesa. Outros jogadores como zagueiros e atacantes, necessitam de um bom desenvolvimento da força explosiva dos membros inferiores com mais ênfase que os demais jogadores. Para que isso ocorra Silva (1998) diz que é necessário que o jogador tenha um treinamento individualizado, segundo a sua posição em campo e além de que cada jogador possui suas características e seu corpo reage de diferentes maneiras, a diferentes estímulos, portanto elaborar um treino de acordo com sua especificidade e posicionamento em campo é fundamental para extrair do atleta seu rendimento físico máximo.

O que foi dito anteriormente pode ser reforçado pelo que os s preparadores físicos do Palmeiras e Corinthians relataram. Ambos disseram que aplicam os treinamentos físicos juntamente com os trabalhos táticos específicos por posição e estes geralmente são realizados com a bola. Esse trabalho físico-tático com bola é importantíssimo, pois alem de se trabalhar as capacidades físicas necessárias, trabalha-se especificamente para o futebol. O preparador físico do São Paulo relata que o jogador para jogar no clube tem que ser polivalente, atuar nos diversos setores do campo e estar sempre pronto para atender as necessidades do jogo, mas há um trabalho físico, técnico e tático voltado para o número de repetições de acordo com a função do atleta no elenco. No São Paulo Futebol Clube, o treinamento físico especifico por posição é realizado dentro da sala de musculação, onde através de monitores de freqüência cardíaca controlam-se as intensidades das cargas de trabalho tanto nos exercícios resistidos como em esteiras, ciclo-ergômetros, elipticons, visando sempre atender as exigências da posição que o jogador atua. Acredito particularmente que esse tipo de trabalho também é feito no Sport Club Corinthians Paulista e na Sociedade Esportiva Palmeiras.

Hoje em dia os treinadores e preparadores físicos têm acesso a uma série de informações que o auxiliam em seus treinamentos. É notável a constante evolução tecnológica no que se refere aos métodos de avaliação e controle de treinamento, como por exemplo, os monitores de freqüência cardíaca, que possibilitou aos treinadores, preparadores físicos, monitorar a freqüência cardíaca do atleta durante todo o treinamento, e assim obter através do processamento de informações, a demonstração do aproveitamento efetivo de cada sessão de treinamento, outros aparelhos como o esfigmomanômetro (aferidor de Pressão Arterial), esteiras, bicicletas ergométricas, transports, elipticons, aparelhos de musculação, ergo-espirômetros, dinamômetros, eletromiografia, lactimetro, plataforma de força, cones, cordas de tração, aros, fotocélulas, e outros aparelhos que contribuem muito com os profissionais que trabalham com treinamento esportivo.

Nota-se, no entanto que há inúmeros materiais, aparelhos a disposição do profissional que trabalha com treinamento físico. Porem nem sempre foi assim, antigamente a oferta de materiais para o preparador físico, treinador era escassa, estes tinham que trabalhar com o que tinha e também usando a criatividade.

Em relação à evolução dos materiais esportivos é notável que hoje com o avanço da ciência e tecnologia tudo melhorou. Antigamente os gramados eram ruins, não havia sistemas de irrigação nos estádios, calçados de treinos ou de jogo eram pesados e duros, os uniformes eram feitos com um material grosso, os aparelhos de musculação eram rudimentares, os materiais para os treinamentos eram precários, enfim tudo era inferior, rústico. E hoje se pode dizer que houve uma significativa modernização no futebol, onde todos os materiais esportivos, tudo o que o atleta usa é de excelente qualidade. Para notarmos essa diferença basta compararmos as chuteiras usadas por Pelé nos anos 70 e as usadas hoje por Kaká, Ronaldinho ou Ronaldo, assim como os uniformes (calção, camisa e meião) de treinamento e de jogo, são feitos com materiais super leves e finos que permitem a evaporação do suor com facilidade. Os campos de jogo antigamente pareciam campos de várzea e hoje parecem verdadeiros tapetes. As bolas eram de couro e muito pesadas, hoje elas são feitas de fibra de carbono e super leves (aproximadamente 430 gramas). Os aparelhos de musculação, monitores de freqüência cardíaca, lactimetros, fotocélulas, ergo-espirômetros, GPS são muito utilizados hoje no futebol pelos preparadores físicos na prescrição e aplicação de treinamentos, materiais que antigamente não existiam e devido a essa inexistência limitavam o trabalho dos profissionais do futebol. Portanto, é facilmente observável essa evolução dos materiais esportivos, basta compararem.

O calendário do futebol brasileiro sempre foi alvo de criticas. A respeito disso os entrevistados disseram que a periodização do futebol é complicada. Há muitos times, muitos campeonatos para disputar e pouco tempo para preparar os atletas adequadamente como preza a literatura.

A literatura em se tratando de periodização estabelece os períodos pré-preparatório, preparatório, competitivo e de transição. Seria o modelo ideal para qualquer esporte, mas quando se trata do futebol esse modelo não serve, não se ajusta à realidade. A teoria diz que os períodos pré-preparatório e preparatório devem durar aproximadamente dois meses antes da primeira competição e como observei nos relatos dos preparadores físicos, que esses períodos não duram mais do que dez a quinze dias. O calendário do futebol brasileiro está mudando lentamente, mas ainda está muito longe do ideal, pois se disputam muitos campeonatos, muitos jogos e com pouco tempo para a recuperação dos jogadores entre os jogos. O preparador físico do São Paulo sugere um calendário que também é sugerido na literatura especializada (FERNANDES, 1994; FRISSELLI, MANTOVANI, 1999), que seria um mês de férias para os atletas, obrigatoriamente um mês de preparação e dez meses de competição, sendo que nesses dez meses a equipe jogaria seis partidas por mês. Então teria uma semana com dois jogos, seguida de uma semana com um jogo, depois outra semana com dois jogos e outra semana com um jogo e assim sucessivamente. Deste modo, nas semanas onde houvesse apenas um jogo seria possível recuperar os atletas de possíveis lesões e prepará-los adequadamente para as próximas partidas. Esse seria o modelo perfeito de periodização para o futebol brasileiro e que talvez um dia venha a se concretizar no nosso futebol até então pentacampeão mundial.

Conclusões

A história do futebol no Brasil é permeada por questões sociais, conflito de classes, racismo etc. Desde a vinda de Charles Miller ao Brasil, o futebol conquistou e vem conquistando cada vez mais adeptos para a sua prática. O profissionalismo no Brasil se instaurou mais por necessidade do que por opção, pois caso isso não ocorresse, o número de jogadores que sairiam daqui para jogarem no exterior seria gigantesco, como de fato foi antes de se instaurar o profissionalismo.

O futebol brasileiro é tido com um dos melhores do mundo, não só pelo simples fato de termos conquistado cinco Copas do Mundo (este considerado o maior evento esportivo mundial de futebol), mas porque é aqui onde sai os melhores jogadores do mundo que vão atuar em diversos clubes pelo mundo a fora, sendo o Brasil considerado um verdadeiro celeiro de atletas não só no futebol, mas como em outras modalidades esportivas também.

A literatura referente especificamente ao treinamento físico para o futebol encontra-se em desenvolvimento e quando o assunto é preparação física, a literatura fornece conteúdos gerais (básicos) que servem para qualquer modalidade esportiva.

A preparação física para o futebol é de suma importância, sendo esta indispensável para o sucesso da equipe e para o desempenho do jogador. Se na década de 1970 prevalecia a habilidade (técnica), hoje, a condição física passou a ser determinante. Portanto, o preparador físico é um dos principais responsáveis pelo sucesso/desempenho dos jogadores de futebol. Nos clubes em estudo notou-se que a estrutura e os materiais/recursos esportivos oferecidos são de primeira linha e fundamentais para o planejamento do treinamento físico do atleta.

As transformações referentes à preparação física ao longo dos anos são facilmente observadas quando se compara as distâncias percorridas pelos jogadores em campo em diferentes épocas. Esse aumento nas distancias percorridas mostra o quanto o rendimento físico dos jogadores não para de evoluir, devido especialmente às inúmeras pesquisas que são realizadas constantemente para o futebol, sempre em busca de novos métodos, meios de treinamento ou descoberta de alguma fórmula mágica para aperfeiçoar o jogador. Esse interminável avanço da ciência e tecnologia, como a modernização dos equipamentos tanto de musculação, como de materiais/produtos esportivos (bolas, cones, cordas de tração, chuteiras, camisas, calções e muitos outros) são fatores importantíssimos não somente no aspecto físico, mas tático, técnico, tornando o futebol cada vez mais espetacularizado.

Bibliografia

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DUARTE, O. Futebol: história e regras. São Paulo: Editora Markron Books, 1994.
FERNANDES, J. L. Futebol: ciência, arte ou…sorte!: treinamento para profissionais – alto rendimento: preparação física, técnica, tática e avaliação. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1994.
FRISSELLI, A.; MANTOVANI, M. Futebol: teoria e prática. São Paulo: Editora Phorte, 1999.
A HISTÓRIA do futebol: um jogo mágico: origens; as culturas do futebol. Produzido por FREMANTLEMEDIA. São Paulo: Videolar, [ca. 2000].
HERNANDES JR, B. D. O. Treinamento desportivo. Rio de Janeiro: Editora SPRINT, 2002.
LE GOFF, J. História e memória. Campinas: Unicamp, 1992.
LOPES, A.D. Gene e treino para o jogador perfeito: exigências dos jogos de hoje tornam necessário, alem do talento, preparo especifico e alimentação adequada. Jornal O Estado de São Paulo. P. A-30, ano 127. 23 Abr. 2006.
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WEINECK, J. Futebol total: o treinamento físico no futebol. Tradução: Sérgio Roberto Ferreira Batista. Guarulhos: Editora Phorte, 1ª edição brasileira, 2000.

Comentários

  1. Pedro Caio disse:

    nossa, essa pagina tem scroll infinito

  2. Wagner disse:

    Charles William Miller era brasileiro, nascido 24/11/1874, em São Paulo, no bairro do Brás. Pai inglês e mãe brasileira.

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