Universidade do Futebol

Eduardo Barros

19/10/2013

A quebra na rotina da elite do futebol brasileiro

Pouco mais do que 90 minutos são suficientes para instigar bruscas transformações nos distintos procedimentos de um clube de futebol.

Após o término de um jogo, se o resultado positivo se concretiza, qualquer alteração (seja de ordem técnica ou administrativa) é vista com restrição sob a máxima “time que está ganhando não se mexe”.

Porém, se após o apito final o placar é desfavorável, rapidamente está instalada a “crise”, que pode surgir de diferentes esferas que compõem a modalidade: imprensa, dirigentes, comissão técnica e torcida.

O fato é que, movidos pela suposta crise, as soluções encontradas quase nunca convergem com as reais necessidades dos jogadores/equipe. Sendo assim, o Jogar apresentado, ou seja, o produto final, que pede uma análise fria, precisa e criteriosa é constantemente distorcido por uma visão em que o termômetro é a emoção.

E é neste cenário que o futebol brasileiro vai encerrar a temporada de 2013. Das 20 equipes que disputam o Brasileiro Série A, 14 já trocaram de treinador totalizando 21 demissões. O resultado é fácil de ser observado: equipes desorganizadas, baixa qualidade de jogo e evidente distanciamento do futebol coletivo evoluído. Como afirmou um companheiro de profissão: a luta que iremos observar nas rodadas restantes é a dos "jogos-feios" contra o rebaixamento. O campeão já está virtualmente decidido.

Também neste cenário, uma equipe tenta sobreviver à crise. O atual campeão mundial de clubes, Corinthians, mesmo com a sequencia de resultados negativos, ameaça de rebaixamento e pressões externas e internas extremas, mantém o treinador Tite (há três anos no cargo) e dá um bom exemplo ao futebol brasileiro.

O treinador não tem conseguido reajustar o sistema após a saída de uma peça fundamental, não possui qualidade semelhante na reposição e o calendário atual não permite o tempo adequado de treinamento e, consequentemente, de novas aquisições complexas ao jogar.

Somam-se estes elementos ao ambiente atual e a permanência de Tite deve ser considerada uma vitória, da classe, da gestão, do planejamento, da coerência e do longo prazo. Expressões esquecidas/inutilizadas em nosso futebol.

Após mais um mau resultado e mais uma reunião, a diretoria afirmou que segue com o treinador até ao final da temporada. Tite, por sua vez, disse que nas condições atuais não abandona o cargo. Com esta decisão, não existe a certeza de reversão do quadro atual. Existe, porém, a sensatez de que a mudança de treinador tampouco é garantia de vitória.

Pode ser que a torcida, a imprensa e até parte da diretoria, habituados à "dança das cadeiras" nas comissões técnicas do futebol brasileiro não compreendam a decisão da permanência de Tite.

Os que não compreenderem, provavelmente são os mesmos que ainda não perceberam que o futebol brasileiro está estacionado e que precisa, com mais frequência, de quebras de rotina.

E você: costuma quebrar paradigmas?

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