Universidade do Futebol

Colunas

25/01/2016

A relação dos métodos de treino e das ideias de jogo

Reflexões para uma nova ordem ao futebol brasileiro

Caro leitor,

É sabido que a evolução da metodologia de treinamento pode trazer contribuições significativas à preparação das equipes e, consequentemente, elevar/qualificar o nível de jogo no contexto competitivo. Ao se referir sobre a evolução dos métodos de treino, três conceitos-chave devem ser considerados. São eles: visão de mundo, paradigma-emergente e especificidade.

Com estes conceitos bem compreendidos, que trazem novas abordagens sobre a interpretação da realidade (leia-se pensamento sistêmico) e buscam aproximar as situações-problema oferecidas aos jogadores nos treinamentos àquelas que irão se deparar na competição, a interpretação dos diferentes métodos de treino fica mais completa e a serviço da comissão técnica para utilização ao longo de um microciclo.

Na coluna desta semana, uma das reflexões que será proposta sobre a evolução dos métodos de treino (do analítico, ao integrado e, por último, o sistêmico) questiona a autossuficiência da mesma para o aumento da qualidade do nosso jogo.

Uma vez que estão cada vez mais frequentes e acessíveis as discussões sobre metodologia é preciso atentar-se ao fato de que a mesma não garante, por relação direta, um jogo mais elaborado e/ou qualificado.

Imaginemos, numa situação hipotética, uma comissão técnica que trabalhe sob um viés sistêmico, logo, respeitando o princípio da especificidade subordinado ao Jogo. Esta mesma comissão, conceitualmente atualizada em relação aos métodos de treino, tem como ideias de jogo poucas trocas de passes, poucos dribles, grande número de chutões/bolas em disputa, referências exclusivamente individuais de marcação, grandes distâncias entre as linhas da equipe e baixa mobilidade. Este exemplo, de certa forma extremo, retrata uma clara situação de que a evolução na aplicação dos métodos não garantem um melhor e mais belo desempenho de jogo.

E dos inúmeros desafios que o futebol brasileiro tem pela frente nos próximos anos, o de desenvolver grandes ideias de jogo, sem dúvida, é um deles.

Aliada à evolução da metodologia de treinamento, precisamos de profissionais em todas as esferas e contextos que se praticam futebol (da iniciação à especialização, da base ao profissional, dos clubes pequenos aos grandes, do futebol social ao de alto rendimento), dispostos a desenvolverem boas, belas e revolucionárias ideias de jogo.

Precisamos de ideias aplicadas que respeitem nossa cultura, nossa identidade, nossa história e ao mesmo tempo tenham capacidade de se adaptar às exigências e a dinâmica do futebol moderno.

Precisamos de jogos e jogadores de elevado nível técnico, ofensivos, de jogadas imprevisíveis e criativas para que possamos vislumbrar o retorno a hegemonia do futebol mundial.

Precisamos de jogos e jogadores cada vez mais coletivos, organizados e inteligentes. A pressão pelo resultado não deve ser um argumento para a pobreza de ideias. Ao contrário, deve ser um grande motivo para fazermos diferente, mais e melhor.

Temos todos os recursos disponíveis para associar a evolução da metodologia de treinamento às ricas concepções de jogo.

No alto nível do nosso futebol, quem conseguir desenvolver este processo com o máximo de sua potencialidade, seguramente criará uma nova ordem. Num país continental como o Brasil, precisamos de ideais da “nova ordem” surgindo e sendo aplicados em todas as esferas supracitadas.

Ouso arriscar quem pode ser um dos precursores para o surgimento de uma nova ordem no futebol brasileiro. No entanto, a princípio, deixo registrado somente em meus pensamentos.

Abraços, até logo e vamos em frente… Em direção à nova ordem, preferencialmente!

Comentários

  1. isaias carvalho disse:

    excelente coluna , que com certeza deixou em mim a sensação de querer ler as próximas.

  2. Bruno disse:

    Realmente muito interessante o texto e cria proprio uma linha de novos pensamentos e ideias. Creio que a metodologia dever criada e realizada partir de uma identidade de jogo, é ela que umas vez definida ( pelo clube como exemplo no caso) molda a metodologia integrada de treinamento aplicada a treinar, formar e realizar nas partidas aquilo que foi estabelecido como identidade de jogo independente do adversario, do resultado vigente, do modulo de jogo, do campeonato etc…
    Sempre que se criam ideias revolucionarias é muito comum e normal encontrar barreiras muito fortes devido proprio a nossa cultra, identidade e historia que nao devem ser nunca esquecidos mas servem como ponto de partida. Esperamos que a pessoa que voce tem em mente consiga sim criar uma “Nove Ordem” no futebol brasileiro! Abraço

  3. “Abrir mão da vaidade pessoal, da prepotência em se querer ter o controle de tudo, capacitar e qualificar a cada jogador ser capaz de organizar o jogo para facilitar a próxima ação tática, entender a grandiosidade do simples e a beleza de se reorganizar dentro de um labirinto onde as paredes se reajustam a cada nova tomada de decisão, da sua equipe ou do adversário!” – André Luiz de Oliveira – O Caos do Jogo!

  4. BNPasquarelli disse:

    Entender a forma cultural de jogar para desenvolver metodologias para ensinar. E interagir para que a informação chegue no maior numero pessoas.

  5. Rodrigo disse:

    Tive a oportunidade de contribuir no site universidade do futebol anos atrás… e hoje vejo que a Universidade do Futebol não parou no tempo… continuam sólidos e eficazes. Parabéns amigos. Rodrigo Rezende. rodrigo@r4tr.com.br

  6. Marcelo Salazar disse:

    Eduardo, sou seu fã e com certeza na minha cabeça, você será um desses que levará o futebol brasileiro a uma nova e melhor ordem. Fico aqui sempre na torcida pelo seu sucesso. Um abraço

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