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11/09/2009

A ressonância magnética pode ajudar na prevenção de uma lesão?

Muito se perguntou se a radiologia pode ser utilizada como método de prevenção de lesões esportivas. Em essência, os exames de imagem se prestam para o diagnóstico das mesmas. Porém, realmente há algo para se considerar em termos dos cuidados a esportistas e pessoas ligadas à atividade física, em geral, como veremos em dois exemplos mais adiante.

Na medicina atual, ainda não há sentido realizar exames de imagem em atletas assintomáticos para se fazer rastreamento de lesões, como se faz com mamografias periódicas para o rastreamento de câncer de mama. Mas se recomenda que um atleta ou qualquer pessoa que sinta dores osteoarticulares ou musculares busque auxílio médico. Alguns critérios para reforçar isso: dor por tempo prolongado, ou decorrente de trauma, ou que impeça a pessoa de exercer suas atividades.

Lesões são termos genéricos e, portanto, sua classificação varia dependendo da estrutura afetada. Por exemplo, as lesões musculares podem ser classificadas em I (estiramento), II (ruptura parcial) e III (ruptura completa), obviamente estes graus correspondem a uma ordem crescente de gravidade.

Consideremos uma situação hipotética, em que um atleta, com dor no joelho, passe em consulta com o médico do clube. Este, após colher a história do paciente e realizar os testes clínicos, fará hipóteses diagnósticas e poderá ou não encaminhar o esportista para exames de imagem, como uma ressonância magnética. Esse é um excelente método e tem a capacidade de realizar uma avaliação global da articulação.

Se o exame diagnosticar uma tendinopatia crônica do tendão patelar (tendinite) revelará informações preciosíssimas ao médico do paciente, pois essa alteração no tendão é considerada um fator de risco para rupturas, sejam elas parciais ou totais. Nesse caso, a radiologia (ou diagnóstico por imagem) terá um papel fundamental ao fazer o diagnóstico inicial, mas também por fornecer informações que serão utilizadas pelo médico, que orientará clinicamente o paciente (tratamento, treinamento, etc) a fim de evitar uma ruptura no futuro, uma condição obviamente mais séria que a tendinopatia.

A ressonância magnética é um exame que não utiliza radiação ionizante (radiação das radiografias e da tomografia computadorizada) e se baseia na excitação de prótons de hidrogênio do corpo, sob um altíssimo campo magnético gerado pelo aparelho, e a recepção do sinal emitido pelos prótons pelo aparelho. Esse sinal, como um sinal de rádio, é depois decodificado pelo computador para formar imagens ricas em detalhes anatômicos e/ou patológicos, que serão interpretadas pelo radiologista.

Tomemos outro exemplo: vamos supor que um atleta sinta dores na canela. Após passar em consulta com o médico do clube, ele poderá ou não solicitar exames de imagem (radiografias, cintilografia óssea ou ressonância magnética). Caso uma ressonância magnética da perna diagnostique síndrome do estresse tibial medial, que os atletas chamam de “canelite”, mais uma vez a radiologia, além de diagnosticar, terá ajudado na prevenção de lesões mais sérias. Isso porque no caso das “canelites”, o exame de ressonância magnética revela a graduação da lesão, que vai de I a III.

Essa lesão pode culminar com a indesejável fratura por estresse, que alguns consideram ser o grau IV da síndrome. Ao tomar conhecimento do diagnóstico de grau I, II ou III, o médico orientará o esportista de forma a prevenir que a lesão se torne uma fratura por estresse.

A cintilografia óssea é um exame da medicina nuclear no qual se faz uma leitura de todo o esqueleto após a injeção intravenosa de um rádio-fármaco. Essa substância, que tem um componente radioativo, liga-se onde houver maior atividade óssea. Assim, em casos de fratura, fratura por estresse, tumores, osteoartrose, etc., haverá uma maior concentração do rádio-fármaco nas áreas afetadas, aparecendo na imagem do esqueleto

Os exames de diagnóstico por imagem e os radiologistas músculo-esqueléticos estão aí para contribuir com a medicina esportiva e os atletas, no momento do diagnóstico de uma lesão e ao longo do seu tratamento. Na dúvida, em caso de dor na prática de esporte, consulte seu médico!

*O Dr. Milton Miszputen é radiologista músculo-esquelético e possui um site: www.radiologiadoesporte.com.br

Contato: radiologia@milton.com.br

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