Universidade do Futebol

Ceaf

28/01/2008

A teoria dos jogos no aspecto de formação dos atletas

Ensinar futebol nos tempos atuais tornou-se cada vez mais complexo, pelo fato da vida social dos iniciantes desta prática esportiva estar cercada pela cibernética e seus componentes tecnológicos. A relação com a bola vivida pela geração passada é sem dúvida nenhuma maior que a atual, isso porque vivenciaram a “pedagogia da rua” por não terem tanto acesso a esses meios tão modernos para se divertirem. A aprendizagem era feita, fundamentalmente, através de pequenos jogos ou do jogo formal, por ensaio e erro, em que o jogador controlava a sua própria aprendizagem, o que originou o aparecimento de muitos jogadores dotados de uma técnica apurada para a modalidade.

Resgatar os jogos que implicam na elaboração de regras para estímulo da inteligência, é o maior desafio de clubes que desejam formar jogadores completos para o mercado atual. A teoria dos jogos consiste em trazer sempre a realidade das ações dentro de campo, ou seja, a todo o momento o jogador deve vivenciar situações reais de jogo para que então resolva os problemas de uma partida com um grande êxito.

A inteligência tática diz respeito à velocidade de raciocínio em um jogo e não somente nos aspectos fisiológicos. Deste modo, não adiantaria nada colocar um atleta de corrida dos 100 metros para atuar no futebol, só porque ele está carregado de fibras de contração rápida, e sim, treinar um menino que esteticamente seja lento, mas que na verdade é rápido na análise e na leitura do jogo, logo o torna veloz nas situações de maior dificuldade.

Muitos treinadores das categorias de base, não se preocupam com os jogos para a compreensão. Sendo assim, o método de ensino baseado na técnica é aquele que ainda impera na maioria dos clubes. Se observarmos os treinos na atualidade, eles não diferem muito daqueles que se fazia a dez ou vinte anos atrás, isto porque é mais fácil dar ênfase em um treinamento fragmentado, mas que atinja os objetivos técnicos, do que estimular regras contextualizadas no jogo propriamente dito. Portanto, fazer com que os garotos raciocinem e formulem hipóteses sobre o conhecimento tático do jogo é a melhor maneira de se formar um jogador.

Contudo, para os clubes não perderem valores como Kaká, Deco entre outros, devem dar mais espaço à jogadores inteligentes e rápidos de raciocínio no jogo, que irão se destacar à longo prazo, a se preocuparem em ganhar uma competição momentânea utilizando-se de atletas fortes que somente tem o corpo como vantagem imediata.

Referências Bibliográficas

Garganta, J. A análise da performance nos jogos desportivos: Revisão acerca da análise do jogo, 2001;

Scaglia, A. J.Proposta pedagógica no futebol, 2003;

Lourenço, L. O Case Study José Mourinho: Uma investigação sobre o fenômeno da liderança e a operacionalização da perspectiva paradigmática da complexidade, 2006.

*Anderson Gôngora é coordenador do Ceaf

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