Universidade do Futebol

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01/07/2007

A voz do mercado

No discurso construído nas mídias brasileiras, a tônica era a de que, enquanto conquistava resultados expressivos no campo, o futebol nacional acumulava resultados vergonhosos no mundo da gestão e das políticas desportivas. Muambas, campeonatos desorganizados, falta de profissionalismo de dirigentes e de atletas. Do contrato com a Pepsi, de 1990, por exemplo, um caso exemplar: a insatisfação dos jogadores do Brasil com as “luvas” oferecidas fez com que eles cobrissem a logomarca da patrocinadora cada vez que fosse posar para fotos.

Em 1996, uma das grandes novidades foi o acordo da CBF com a Nike. Com horizonte de 10 anos, ele envolvia cifras de mais de US$ 326 milhões, sendo US$ 160 milhões em dinheiro, mais US$ 150 milhões em ações de marketing esportivo. Além do pagamento de US$ 10 milhões para Umbro por quebra de contrato. O restante seria em material esportivo e logística.

Em janeiro de 1997, a Folha de S.Paulo publicou uma série de reportagens sobre o futebol brasileiro na era da globalização. Em seguida, iniciou-se uma campanha pela modernização do futebol brasileiro.

A imprensa construiu argumentos de que era necessária uma revolução urgente no esporte brasileiro:

1 – O primeiro postulado diz que a modernização do futebol brasileiro é um imperativo da concorrência capitalista que se torna urgente reestruturar as formas de produção do espetáculo e da gestão dos clubes

2 – O segundo, que estava implícito nos discursos, apontava para o exemplo de tendências estrangeiras e que caberia ao Estado criar condições para que uma gestão empresarial pautada por leis de mercado, se instaurasse no futebol brasileiro

3 – Por fim, o terceiro postulado prega que a modernização é desejável, também porque pode erradicar os principais males do nosso futebol

Naquela época, ápice do governo de Fernando Henrique Cardoso e da forte influência de um discursos hegemônico de redução do papel do Estado da economia, privatização de empresas públicas e ampla abertura de mercados aos investimentos internacionais, começaram a ser realizadas no cenário do futebol e das mídias que se manifestam até hoje.

Todos estes fatores preparam o terreno para o surgimento da Lei Pelé. A lei que entrou em vigor em 1998, foi um novo patamar para administração e a organização esportiva no Brasil.

Na prática, as mudanças começaram a se dar muito rapidamente. Clubes centenários em suas histórias e práticas, de repente, queriam mudar tudo de uma hora para outra. Havia uma pressa em mudar, fazer projetos mirabolantes e ambiciosos com investidores de todos os tipos e lugares.

Bibliografia

GURGEL, Anderson. Futebol S/A. A economia em campo. Saraiva, 2006

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