Universidade do Futebol

Entrevistas

21/04/2006

Ademar Braga

Com a saída de Antônio Lopes do comando técnico do Corinthians, cogitaram-se muitos nomes famosos de treinadores para substitui-lo, mas de forma interina, quem assumiu o posto foi o assistente técnico do clube, Ademar Braga.

Mesmo deixando claro desde o primeiro jogo como treinador, de que não queria ser efetivado, Braga terminou como o diretor técnico e deve seguir no cargo, no mínimo, até o fim da Copa do Mundo, dia 9 de julho.

Porém, com Braga na direção da equipe, o Corinthians se recuperou na Copa Libertadores e terminou a fase de grupo como líder. Antes do recém treinador assumir, o Timão era o terceiro colocado da sua chave e tinha muita chance se ser eliminado ainda na primeira fase.

 

 

Há um pouco mais de mês como treinador, Ademar Braga, em entrevista exclusiva à Cidade do Futebol, falou sobre seus planos para o futuro, o que mudou na sua vida depois de se tornar técnico do Corinthians e, é claro, analisou o Timão na Copa Libertadores.

Cidade do Futebol – O que mudou na sua vida depois de assumir o cargo de treinador do Corinthians?
Ademar Braga – Continuo sendo a mesma pessoa, só a relação com a imprensa, as muitas entrevistas, estas coisas é que ainda não me acostumei. Mas procuro atender a todos da melhor maneira possível e também a compreender a necessidade dos jornalistas. E espero que eles tentem me entender também. Ah, acabei ficando mais famoso e as pessoas te reconhecem na rua, coisas de quem aparece mais na mídia.

Cidade do Futebol – Como ex-assistente técnico qual é o requisito fundamental para este profissional auxiliar da melhor maneira o treinador na rotina diária de trabalho?
Ademar Braga – A primeira e mais importante qualidade para este profissional, eu acho que é a humana: a fidelidade. O assistente técnico tem que entender que ele não vai colocar suas idéias em prática e sim sugeri-las ao treinador. Precisa ter claro que entre colocar e sugerir estas idéias há uma distância muito grande, mas o importante é não ficar chateado se elas não forem aceitas, já que é o técnico quem tem que decidir se vai aproveitá-las ou não.

Cidade do Futebol – O futebol tem evoluído e tem se tornado mais exigente. Por isso, acredita que as especializações em áreas ligadas ao esporte se tornam mais necessárias nos dias de hoje?
Ademar Braga – Sim e necessárias. Temos no Brasil os cursos de técnica de futebol, inclusive em nível universitário. Existem também os cursos preparatórios oferecidos pelos sindicatos dos treinadores de São Paulo, Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Além dos cursos é fundamental ao profissional, seja ele técnico ou assistente, adquirir conhecimento, experiência e, para isso, é importante ter vivência em clubes de futebol.

Cidade do Futebol – Como foi ou está sendo esta mudança de passar de assistente para técnico?
Ademar Braga – Natural. Como assistente técnico eu procurava exercer as minhas tarefas da melhor maneira possível e não ficava pensando em ser promovido a treinador. Acredito que você não pode realizar uma função pensando em outra, ou seja, quando desenvolve uma tarefa tem de fazê-la da melhor maneira e as coisas acontecem naturalmente, como aconteceram comigo aqui no Corinthians e com tantos outros treinadores. Como técnico também busco cumprir com as minhas obrigações da melhor forma possível e o resto é conseqüência.

Cidade do Futebol – Nos últimos tempos alguns assistentes foram promovidos a treinadores e depois saíram do clube ou voltaram à função antiga, de assistente técnico. No teu caso, se o clube contratar outro treinador, é possível o teu retorno à condição de assistente?
Ademar Braga – Eu não digo que desta água eu não beberei, porque gosto muito do Corinthians. Aqui eu trabalho em qualquer função, desde que seja dentro da minha área, parte da comissão técnica. Eu também sou formado em administração de futebol e possuo todas as formações possíveis para exercer qualquer função numa comissão técnica e não descarto a possibilidade de ficar no clube. Não é a minha meta, não tenho meta pra isso, como não tinha pra ser treinador e, hoje, também não tenho pra atuar em outro cargo. Eu deixo a coisa acontecer.

Cidade do Futebol – Muitos clubes no Brasil têm optado por jogar no esquema tático do 3-5-2, já há algum tempo deixado de lado pelos europeus, que, atualmente, preferem o 4-4-2. Na tua opinião qual é o esquema ideal?
Ademar Braga – O 4-4-2 do europeu é diferente do nosso. Nós jogamos com um quadrado no meio de campo e eles com duas linhas de quatro, distribuídas em duas linhas, na defesa e meio-campo, jogando mais pelas laterais. Eu prefiro o 4-4-2 brasileiro.

Cidade do Futebol – Qual a vantagem do esquema utilizado no Brasil?
Ademar Braga – Nós preenchemos melhor o meio de campo com este quadrado, o que fortalece esta região, não enfraquece a defesa e de acordo com a característica dos jogadores, eles podem chegar ao gol, dando força ofensiva também.

Cidade do Futebol – Prefere jogar com um volante de marcação ou dois?
Ademar Braga – Com dois volantes de marcação.

Cidade do Fute bol – Dos prováveis adversários do Corinthians na seqüência da Copa Libertadores, quais te preocupam mais?
Ademar Braga – Os brasileiros: São Paulo, Palmeiras, Goiás, Internacional e os argentinos do Vélez e do River. O River mesmo com campanha irregular é perigoso e muito tradicional na competição.

Cidade do Futebol – Fala-se muito da pressão e do estilo de jogo, às vezes violento, dos clubes que disputam este torneio. Como avalia estes jogos disputados pelo Corinthians na primeira fase?
Ademar Braga – Depois da pressão do jogo e da torcida contra o Universidad Católica, acho que nada mais pode nos pressionar.

 

Cidade do Futebol – Que tipo de pressão vocês sofreram?
Ademar Braga – Nada fora do comum, coisas do jogo mesmo. A torcida empurrando o time deles, mas dentro de campo tudo foi normal, só o árbitro que se complicou um pouco.

Cidade do Futebol – A imagem que os brasileiros têm dos adversários, principalmente dos argentinos, em relação à pressão em campo, provocações e catimba. Com isso, muitas vezes os atletas influenciados por ela não vão para jogo esperando uma guerra e a qualquer lance mais duro perdem a cabeça contra estes oponentes?
Ademar Braga – Concordo. Se você vai jogar contra eles pensando em encontrar este clima, acaba se influenciando de forma negativa. O técnico precisa saber que jogar contra o River é uma coisa, contra o Boca, em La Bombonera, é outra. É o mesmo caso com outras equipes. Precisa conhecer e estudar o adversário e aí preparar a sua equipe de acordo com as características dele. Mas, hoje, acho que a Libertadores está mais tranqüila para se jogar, todos os jogos são transmitidos e os incidentes de violência são bem menores.

21/4/2006

 

Ademar Braga é formado em educação física, com especialização em técnica de futebol, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Assumiu, interinamente, a equipe profissional do Corinthians no dia 13 de março, logo após a renúncia de Antônio Lopes. Duas semanas depois foi confirmado pela diretoria do clube como técnico efetivo. Braga chegou ao clube paulista há nove meses, contratado para ser assistente técnico da equipe.  

Comentários

Deixe uma resposta