Alessandro Gonçalves, coordenador de projetos do Corinthians

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A tecnologia está cada vez mais inserida no futebol. Os clubes modernizam seus setores, interligam as áreas e atuam de uma maneira multidisciplinar para atender melhor seus atletas e conseguir atingir melhores objetivos.
 
No Corinthians, o grande marco da modernização do clube aconteceu em 1996. Nesse ano, o time paulista contratou um profissional para realizar um trabalho de informatização de seu banco de dados.
 
O torcedor, muitas vezes, nem sabe exatamente qual a função de um banco de dados dentro de um time de futebol, e nem de que maneira ele pode ajudar sua equipe, mas essa ferramenta serve como um elo de integração entre todos os setores do clube, além de possibilitar a ação conjunta entre comissão técnica e departamento médico, ou entre diretoria e departamento amador.
 
No Corinthians, o responsável pela criação do projeto é Alessandro Gonçalves, bacharel em ciência da computação pela Universidade do Vale do Paraíba, especializado em administração para profissionais do esporte pela Fundação Getúlio Vargas e  MIT – Master in Information Technology (MBA) pela Fiap.
 
Alessandro iniciou todo o projeto de informatização do banco de dados corintiano sozinho e hoje atua como coordenador de projetos do Corinthians, sendo responsável pela área de tecnologia de informação do departamento de futebol profissional.
 
Em entrevista exclusiva a Cidade do Futebol, Alessandro fala sobre sua trajetória no clube alvinegro, as dificuldades de relacionamento entre "tecnologia", comissões técnicas e diretoria, além de como seu trabalho pode auxiliar o momento de transição do Corinthians.
 
Cidade do Futebol – Fale sobre sua trajetória no Corinthians. Foi seu primeiro trabalho em clube de futebol?
Alessandro Gonçalves – É meu primeiro trabalho em um time de futebol, sim. Eu comecei no Corinthians há 11 anos, no setor de tecnologia no futebol. No princípio trabalhava sozinho para desenvolver softwares e informatizar o banco de dados. Hoje coordeno as áreas administrativas e de tecnologia. Tenho uma equipe em que um profissional cuida da parte de tecnologia e outra pessoa dos dados.
 
Cidade do Futebol – Quais são esses novos desenvolvimentos?
Alessandro Gonçalves – Criação de ferramentas para suporte às decisões e expansão da informatização no futebol amador. Queremos aplicar também na base as conquistas que tivemos no profissional, criando um banco de dados com informações completas sobre os atletas para facilitar o trabalho das comissões técnicas, dos departamentos de saúde e preparação física e também da diretoria.
 
Cidade do Futebol – Quais são os primeiros passos para executar a informatização nos clubes de futebol?
Alessandro Gonçalves – Primeiro, esse é um caminho sem volta. Os clubes precisam trabalhar com o auxilio da tecnologia da informação e com os setores interligados. O primeiro passo é ter o controle sobre as ações do clube, definir as áreas prioritárias e começar por elas. No Corinthians começamos criando um banco de dados sobre os atletas. Isso pensando na comissão técnica, no fisiologista, médicos etc. Na seqüência focamos na parte administrativa, dos contratos. Hoje temos o controle sobre todas as áreas.
 
Cidade do Futebol – Como acontece a atualização do trabalho?
Alessandro Gonçalves – Observamos uma grande evolução no campo de tecnologia no futebol, mas ainda temos muito o que fazer. A cada dia surge uma necessidade nova. As mudanças de treinador e de outros profissionais sempre trazem algo novo, uma idéia diferenciada, um item que pode complementar nosso trabalho. Esse é nosso trabalho constante: manter o banco de dados atualizado e completo para que ele seja um suporte para decisões.
 
Cidade do Futebol – O seu trabalho pode auxiliar o clube nesse momento de transição?
Alessandro Gonçalves – Eu não tenho dúvidas sobre isso. O novo presidente assume o Corinthians com um software a disposição, que pode disponibilizar para ele informações sobre os atletas do elenco atual, contratos com esses jogadores, contratos e negociações antigas, não só com jogadores, mas de patrocínio, de prestação de serviços, além de dados sobre o pessoal que trabalha no Corinthians. Ele tem tudo isso a mão.
 
Cidade do Futebol – Como funciona esse software?
Alessandro Gonçalves – O software funciona dentro do Corinthians, em nossa rede de computadores. Alguns módulos estão sendo disponibilizados em uma espécie de extranet, principalmente aqueles que podem ser úteis para a comissão técnica que está sempre viajando. Mas isso ainda é algo experimental.
 
Basicamente, cada setor tem sua rede de computadores com acesso bem restrito de acordo com a atividade. O fisioterapeuta não precisa ter acesso a contratos e o advogado não precisa ver dados sobre a condição física do jogador. Todos têm uma senha pessoal para entrar no programa, da mesma forma como acessamos nossa conta do banco via internet.
 
Cidade do Futebol – A antiga diretoria do Corinthians costumava usar o banco de dados com que freqüência?
Alessandro Gonç
alves
– Sempre houve certa resistência por parte dos diretores em usar o computador diretamente. O que acontecia com freqüência era a solicitação de relatórios impressos. Com a nova diretoria ainda não tivemos tempo de conversar, mas eu quero tentar emplacar a filosofia que eles mesmos acessem o computador e vejam como o software é simples e de fácil consulta. Para facilitar esse trabalho, os dados do sistema estão sendo transferidos para uma intranet.
 
Cidade do Futebol – E das comissões técnicas, existe resistência?
Alessandro Gonçalves – Varia muito. Tem alguns treinadores gostam e consultam os dados com freqüência. Aparecem com idéias, pedem relatórios. Mas existem outros que não querem nem saber. De um jeito ou de outro, o material impresso acaba sempre auxiliando o trabalho de treinadores, preparadores físicos e demais membros da comissão.
 
Cidade do Futebol – Você pode citar alguns exemplos de treinadores que gostam da tecnologia aplicada ao futebol?
Alessandro Gonçalves – O Nelsinho [Batista, atual técnico do Corinthians] é um bom exemplo de profissional que gosta de inovações. Há dez anos, em uma outra passagem dele por aqui, ele ajudou muito no nosso projeto, com idéias e sugestões. O Parreira também sempre nos procurava e gostava de acessar o software diretamente. 
 
Cidade do Futebol – O projeto de informatização de um clube é muito caro?

Alessandro Gonçalves – Pela necessidade atual, eu diria que o investimento é relativamente baixo. O time terá que comprar alguns computadores, uma infra-estrutura básica com uma rede interna ligando esses computadores e, pelo menos, um profissional para cuidar da área de tecnologia. A criatividade é mais importante do que o investimento em si.

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